“A MARCA JACOBS” OU QUANDO UM AUTOR VIVE A SUA PRÓPRIA AVENTURA

Artigo de Nuno Galopin, na revista E do Expresso (25/2/2017)

O álbum “A Marca Jacobs”, recentemente editado pela Arte de Autor e que recomendamos sem reservas a todos os admiradores do mestre belga, é distribuído pelo grupo Europress. Seguidamente, reproduzimos duas páginas desta obra, extraídas, com a devida vénia, do blogue Kuentro-2. Além de Edgar Pierre Jacobs, é visível numa delas, pelo traço de Alloing, a figura de Georges Rémi, que se celebrizou com o pseudónimo de Hergé. Jacobs foi seu assíduo (e valioso) colaborador, nos primeiros estúdios do criador de Tintin.

PARADA DA PARÓDIA – 15

O QUE NÃO SE VÊ NÃO OFENDE

Museu Capitolini (Roma)

«Para evitar embaraços e num gesto de respeito pelo presidente iraniano Hassan Rouhani, que cumpre por estes dias uma visita oficial a Itália, todas as esculturas de nus no Museu Capitolini, em Roma, foram tapadas com painéis brancos. O museu foi o local escolhido, esta segunda-feira [25 de Janeiro], para o encontro entre Rouhani e o primeiro-ministro italiano Matteo Renzi. Mas ao longo dos corredores por ambos percorridos, nenhuma das estátuas mais atrevidas ficou à vista».

Esta notícia respigada do Expresso tem um inevitável contraponto cómico, que já inspirou alguns cartoonistas menos respeitosos da etiqueta do que o primeiro-ministro italiano… se é que se pode chamar respeito pela “etiqueta” à deferência levada ao cúmulo de um governante por outro que professa religião diferente.

Parece-nos menos ridícula a engenhosa solução proposta por um criativo humorista italiano… considerando que as estátuas nuas são uma obra de arte e não têm culpa do seu “atrevimento”, nem de estarem expostas num museu que alguns políticos gostam de transformar em sala de visitas.

Quando a censura chega aos museus, então é melhor fechá-los (porque este incidente poderá repetir-se)… ou proibir a entrada aos políticos!