CALENDÁRIOS ILUSTRADOS – 9

Iniciamos hoje uma nova série, igualmente magnífica, que a Empresa Fabril do Norte dedicou aos castelos portugueses, ilustrando com esse tema o seu calendário de 1954.

Espalhados por várias zonas do país, os castelos — testemunhas de alguns dos maiores acontecimentos da nossa História — são, sem dúvida, o exemplo mais vivo da beleza e do valor de um monumental património arquitectónico, cuja fundação, em muitos casos, é anterior à da própria nacionalidade.

Infelizmente, não conseguimos ainda apurar (com absoluta certeza) a identidade do autor destes belíssimos quadros, que tal como os de Mário Costa tornam ainda mais digna de apreço a série de calendários editados pela Empresa Fabril do Norte, entidade que soube aliar aos seus objectivos primordiais nas áreas do comércio e da indústria um inegável interesse pela arte e pela cultura.

Presumivelmente, trata-se de um artista do Norte, Valentim Malheiro (1917-2008), natural do Porto, cujo percurso (segundo a Wikipédia) «se cruzou com o de várias gerações de importantes artistas, tendo sido discípulo de Joaquim Lopes, Dórdio Gomes e Acácio Lino, amigo de Henrique Medina, colega de curso de Mendes da Silva, António Cruz e Júlio Resende, bem como professor de Domingos Pinho, Alberto Carneiro e Zulmiro de Carvalho, para citar apenas os nomes mais proeminentes».

A sua carreira docente estendeu-se também à Escola de Artes Decorativas António Arroio, em Lisboa. Participou em várias exposições colectivas e individuais, revelando-se um aguarelista de grande mérito, premiado pela Associação Comercial do Porto e pela Sociedade Nacional de Belas Artes.

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CALENDÁRIOS ILUSTRADOS- 8

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Embora referente ao mês de Janeiro, esta é a última folha do calendário de 1957, editado pela Empresa Fabril do Norte, a aparecer neste blogue. E por uma razão simples… foi também a última que nos chegou às mãos. Por publicar, ficaram as folhas de Junho, Julho, Agosto, Setembro e Dezembro, que — dada a raridade deste tipo de calendários, já tão antigos, em que avultam as magníficas ilustrações de Mário Costa (1902-1975) —, dificilmente conseguiremos juntar à nossa colecção.

Mas temos outras (da mesma década) para apresentar nesta galeria, não só como preito de homenagem aos artistas que souberam embelezá-las com o seu grafismo e as suas cores (especialmente Mário Costa), mas também à empresa que teve a oportuna ideia de as editar, prestando assim um valioso serviço à cultura do seu país, numa feliz aliança, como já sublinhámos, entre a criação artística e a propaganda comercial.

As imagens, autênticos quadros, reproduzidas nessas grandes folhas de calendário, retra- tam sempre temas genuinamente portugueses, desde cenas históricas (como no de 1957) a monumentos, danças, costumes, trajes, coches… e até peças de teatro. Em Fevereiro, contamos iniciar uma nova série, com outro calendário da Empresa Fabril do Norte (ano de 1954), dedicado aos mais famosos (e mais belos) castelos portugueses.

No presente quadro, figura também o castelo de Lisboa, a que D. Afonso Henriques, primeiro rei de Portugal, pôs cerco com as suas hostes, engrossadas por grande número de mercenários estrangeiros, no ano da graça de 1147.

CALENDÁRIOS ILUSTRADOS – 7

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Esta é a penúltima folha que temos de um calendário de 1957, editado e distribuído pela Empresa Fabril do Norte, com magníficas aguarelas de Mário Costa (1902-1975),pintor e ilustrador de reais méritos, especialista em temas históricos, cujo talento figurativo noutros géneros foi também muito apreciado pelos leitores de publicações infanto- -juvenis, como O Senhor Doutor, Rim-Tim-Tim, Pim-Pam-Pum, Tic-Tac e O Mosquito.

Desta série, já apresentámos as folhas referentes aos meses de Fevereiro, Março, Abril, Maio e Outubro. Continuamos à procura das que nos faltam, ou seja, quase meio ano. 

A revolta de Maria da Fonte — aqui retratada com o vigor, o expressionismo e o colorido da paleta e do traço de Mário Costa — teve origem no Minho e foi um dos maiores motins populares contra os governos da monarquia liberal, fomentados por forças setembristas e miguelistas, que ocorreram em Portugal em meados do século XIX.