EXPOSIÇÕES SOBRE JIJÉ E VANDERSTEEN NO CLUBE PORTUGUÊS DE BANDA DESENHADA

No próximo dia 18 de Março, o CPBD realiza mais um evento que certamente ficará para a sua história, inaugurando simultaneamente três exposições: a primeira sobre o Cavaleiro Andante (como já aqui foi anunciado), e as restantes em homenagem a dois grandes nomes da BD franco-belga, Joseph Gillain (Jijé) e Willy Vandersteen — numa parceria com o Gicav, de Viseu, e a Câmara Municipal de Moura, entidades que patrocinaram, em anos recentes, exposições sobre estes autores, cuja obra foi bastante conhecida e apreciada em Portugal, pelos leitores do Diabrete, Cavaleiro Andante, Zorro, Foguetão, Nau Catrineta, Mundo de Aventuras e outras publicações juvenis. 

A  preceder a abertura destas mostras, que ocupam três salas do CPBD, haverá um colóquio, às 16hoo — subordinado ao tema “Jijé, um artista sempre presente” —, com um destacado membro do clã Jijé, o seu neto Romain Gillain, há muitos anos a viver no nosso país e que, por isso, domina perfeitamente a língua portuguesa.

EXPOSIÇÃO SOBRE O “CAVALEIRO ANDANTE” NO CPBD

Prosseguindo uma intensa actividade, com ciclos temáticos que englobam exposições, colóquios e outros eventos realizados na sua nova sede, o Clube Português de Banda Desenhada (CPBD) inaugura no próximo dia 18 de Março (sábado) uma mostra dedicada à emblemática revista Cavaleiro Andante, que na década de 1950 rivalizou com o Mundo de Aventuras e outras publicações juvenis, distinguindo-se por oferecer aos seus leitores as melhores obras da BD europeia, nomeadamente de origem italiana e franco-belga.

A exposição comemora os 65 anos de nascimento do Cavaleiro Andante, cuja existência decorreu de 5 de Janeiro de 1952 até 25 de Agosto de 1962 (556 números), sempre sob a direcção de Adolfo Simões Müller e contando com Maria Amélia Bárcia como redactora e Fernando Bento como principal colaborador artístico.

AS EXPOSIÇÕES DO CPBD: FERNANDO BENTO

Nota: O artigo seguinte, da autoria de Carlos Gonçalves, membro da actual direcção do Clube Português de Banda Desenhada, foi reproduzido da “folha de sala” dedicada à exposição de originais de Mestre Fernando Bento (com vários e magníficos exemplos da sua arte incomparável), que continua patente, até ao final do ano, na sede do CPBD, sita na Avenida do Brasil, 52 A, Reboleira (Amadora), podendo ser visitada todos os sábados, das 15 às 18 horas.

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 FERNANDO BENTO, UM CONTRIBUTO INESGOTÁVEL DE ARTE

Sabemos que no nosso país pouco ou quase nada distinguimos as pessoas pelas suas qualidades, sejam de que tipo forem e muito menos na Banda Desenhada. Dar valor ao nosso vizinho mortal, está fora de questão. É preciso lembrar muitas vezes o seu contributo e, mesmo assim, só passados vários anos é que é fixada na mente das pessoas a realidade do seu valor e da existência desse prodígio. Temos vindo a considerar Eduardo Teixeira Coelho, ainda que perfeitamente legítimo, como a elite dos nossos desenhadores. É claro que a banda desenhada é um campo muito vasto e ainda que os estilos dos vários desenhadores possam ser muito diferentes, o resultado final e prático é que conta.

bento-3-vezes Ao longo destas últimas décadas e naquelas onde a Banda Desenhada se evidenciou mais, as que poderemos considerar como o período áureo das histórias aos quadradinhos, foram a década de vinte do século passado com o aparecimento da revista ”ABC-zinho”, com trabalhos de Cotinelli Telmo e Rocha Vieira, a década de trinta com a publicação da revista “O Papagaio”, com trabalhos de José de Lemos, Arcindo Madeira, Rudy, Ruy Manso, Tom, Meco, etc., e “O Mosquito” com Tiotónio, E. T. Coelho, José Garcês, José Ruy, Servais Tiago, Jayme Cortez, etc., a década de quarenta com a edição do “Diabrete”, com trabalhos de Fernando Bento, os anos cinquenta com a remodelação do “Mundo de Aventuras”, com Vítor Péon, Carlos Alberto Santos, José Batista, José Antunes, etc., e o lançamento do “Cavaleiro Andante” com histórias de Fernando Bento outra vez, E. T. Coelho também, e finalmente a década de sessenta com a publicação da revista “Tintin”, nesta última fase já com a introdução de uma nova escola na Banda Desenhada, a franco-belga, até aqui pouco conhecida dos leitores nacionais.

Quanto aos desenhadores portugueses, o leque já era muito pequeno, tirando o José Ruy, o Vítor Péon, o Fernando Relvas e pouco mais. Em todas estas décadas distinguiram-se muitos desenhadores portugueses e, de uma maneira geral, de uma forma bastante positiva. Alguns deles têm sido mais distinguidos, outros menos. Pensamos que seria agora a oportunidade de engrandecer Fernando Bento, através de uma amostra bastante significativa dos trabalhos deste desenhador no campo das capas, cuja produção se aproxima dos duzentos trabalhos, todos eles de invulgar beleza, embora nem todos pudessem ser escolhidos, como é óbvio.

A sua produção é infindável, quer nas capas quer nas histórias aos quadradinhos, e sempre com uma qualidade de que dificilmente o artista abdicou, ainda que poucas vezes, principalmente já nos últimos anos do “Cavaleiro Andante”, algumas histórias de “Emílio e os Detectives” e as aventuras de “Sherlock Holmes” tenham sido produzidas de uma forma mais prática e com uma simplificação de alguns pormenores e cenários, não prejudicando de qualquer dos modos a sua qualidade, mas oferecendo aos leitores um novo formato e um novo estilo, fruto da sua maturidade. Muitos desenhadores e pintores, depois de uma vida intensa e criativa, optam por desenhar e pintar de uma forma diferente, abarcando até alguns estilos menos marcantes e mais experimentais.

Fernando Bento foi um dos desenhadores portugueses que, em paralelo com Eduardo Teixeira Coelho, adaptaria mais obras literárias à banda desenhada. O primeiro iria buscar aos romances dos nossos escritores Eça de Queiroz e Alexandre Herculano, com arranjos de Raul Correia, temas para criar os seus trabalhos e Fernando Bento a Júlio Verne, de parceria com Adolfo Simões Muller. Fernando Bento era acima de tudo um desenhador de aventuras e emoções. Era natural a sua escolha do escritor francês. Estamos quase certos ao afirmar que, tanto quanto conhecemos da sua obra e da de outros desenhadores estrangeiros, o nosso artista foi, sem dúvida alguma, o que mais títulos das obras de Júlio Verne aproveitaria para as suas criações.  

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Mas claro que não seria só a sua escolha preferida, a par dos grandes feitos, grandes viagens e muita aventura. A arte de Fernando Bento na execução de ilustrações e capas era também destinada aos leitores mais jovens, com histórias adaptadas de contos escritos por Adolfo Simões Müller ou por outros autores de renome, como Alice Ogando, Maria de Figueiredo, Emília de Sousa Costa, etc.

UMA VIDA DE ARTISTA

Fernando Bento nasceu a 26 de Outubro de 1910 e veio a falecer no dia 14 de Setembro de 1996. Do mesmo modo que alguns outros artistas, começaria muito novo a dominar o lápis e a borracha e, como era usual na época, viria a criar o tal chamado jornalinho que era emprestado, alugado ou copiado (quando tal era possível), para ser vendido aos amigos e colegas de turma. Na década de trinta já o encontramos como desenhador activo, colaborando numa série de jornais e revistas, tais como “Os Sports”, “Diário de Lisboa”, “A República”, “O Século”, “A Capital”, etc., com reportagens sobre Teatro e a desenhar caricaturas, além de se ocupar de reportagens sobre outros temas. Cinco anos depois, tinha também abraçado o teatro como figurinista e maquetista, desempenhando as respectivas tarefas em vários teatros da época: Variedades, Nacional, Apolo, Avenida e Maria Vitória.

OS SEUS TRABALHOS NA REVISTA “DIABRETE”

A grande reviravolta na sua vida artística dá-se a partir de 4 de Janeiro de 1941, quando se inicia como colaborador da revista “Diabrete” a partir do seu nº. 1, com a criação das personagens “Béquinhas, Beiçudo e Barbaças”. Depois, é uma criação contínua nas páginas desta revista, onde se mantém durante uma década como desenhador de serviço, criando personagens e ocupando-se da parte gráfica da publicação, com principal incidência nas obras de Júlio Verne que passamos a destacar:

“Dois Anos de Férias” (Diabrete nºs. 33/74); “Volta ao Mundo em 80 Dias” (Diabrete nºs. 75/100); “Miguel Strogoff” (Diabrete nºs. 101/138); “Robur, o Conquistador” (Diabrete nºs. 139/161); “Viagem ao Centro da Terra” (Diabrete nºs. 187/216); “Da Terra à Lua” (Diabrete nºs. 217/236); “À Roda da Lua” (Diabrete nºs. 237/256); “Um Herói de Quinze Anos” (Diabrete nºs. 257/311); “Cinco Semanas em Balão” (Diabrete nºs. 312/356); “Vinte Mil Léguas Submarinas” (Diabrete nºs. 357/415); “A Ilha Misteriosa” (Diabrete nºs. 416/510) e “Matias Sandorf” (Diabrete nºs. 512/644).

Doze obras estavam, pois, adaptadas à banda desenhada em mais de 500 páginas e capas. Mais tarde, começa a adaptar obras infantis para a revista e a contar as vidas de figuras históricas portuguesas, destacando os seus feitos de forma inesquecível. Ao mesmo tempo, criava várias personagens, “Zuca”, “Zé Quitolas”, ”Bicudo e Bochechas”, etc., todas elas em paralelo com as suas atividades profissionais. E ainda desenhava “As Mil e Uma Noites”…

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A SUA PRODUÇÃO NA REVISTA “CAVALEIRO ANDANTE”

Mas foi no “Cavaleiro Andante” que o seu apogeu se verificou, devido às grandes obras que viria a criar para as páginas da publicação. Algumas serão sempre inesquecíveis, tais como “Quintino Durward”, “Beau Geste”, talvez a mais significativa, “O Anel da Rainha de Sabá” e “A Torre das 7 Luzes”. Nesta publicação as adaptações da obra de Júlio Verne continuam a encantá-lo, pois “Uma Cidade Flutuante” (Cavaleiro Andante nºs. 253/289) irá divertir os leitores. Outra adaptação cheia de interesse foram as aventuras de “Emílio e os Detectives”, assim como os belos quadros que nos deixou nas páginas do “Cavaleiro Andante”, evocando “Os Lusíadas” de Luís de Camões, na comemoração do dia do poeta. Algumas das suas obras viriam a ser, mais tarde, publicadas em álbum: “Béquinhas, Beiçudo e Barbaças”, “34 Macacos e Eu”, “Diabruras da Prima Zuca”, “A Ilha do Tesouro” (uma edição pelas Iniciativas Editoriais e outra pela Asa), “As Mil e Uma Noites”, “Beau Geste”, “O Anel da Rainha de Sabá”, “Com a Pena e Com a Espada”, “Um Campeão Chamado Joaquim Agostinho”, “Regresso à Ilha do Tesouro”, etc.

OUTRAS PUBLICAÇÕES COM TRABALHOS DO DESENHADOR

Sempre que nos debruçamos sobre a vida de qualquer desenhador português e perante a vasta produção de cada um deles, sem esquecer que quase todos não puderam exercer em pleno a sua vocação a nível profissional, pois era necessário ter em paralelo um emprego fixo, perguntamos como era possível dedicar tanto tempo à banda desenhada, sem prejuízo de outras tarefas e da sua vida particular.

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Mas, na verdade, assim acontecia e além das duas revistas principais em que Fernando Bento colaborou, de que já falámos, há outras onde o artista deixaria a sua arte indelével. A primeira foi “República – Secção Infantil”, suplemento infantil do jornal “A República”, entre 1938 e 1939, “Pim-Pam-Pum”, suplemento infantil do jornal “O Século”, onde colaborou de 1941 a 1959, “Norte Infantil”, suplemento infantil do jornal “Diário do Norte”, com trabalhos seus de 1951/1952, revista “Mundo de Aventuras” em 1980, “Quadradinhos – Suplemento infantil do jornal “A Capital”, em 1980/1982, etc. Depois há vários trabalhos esporádicos espalhados pelo “Bip-Bip”, “Nau Catrineta”, “O Pajem” (suplemento infantil do “Cavaleiro Andante”), livros infantis e outros. Estava, pois, cumprida uma missão inesquecível de um artista que, durante mais de 40 anos, nos deixou ter acesso a obras excepcionais que nos acompanharam nos nossos períodos lúdicos.

                                             Carlos Gonçalves

REPORTAGEM DO GRANDE ENCONTRO NO CLUBE PORTUGUÊS DE BANDA DESENHADA

Nota prévia: na impossibilidade, que humildemente reconhecemos, de melhor descrever o memorável evento levado a efeito pelo CPBD na sua nova sede, em 15 do corrente mês de Outubro — com uma palestra proferida por um ilustre convidado, o Dr. António Mega Ferreira, e a inauguração simultânea de três magníficas exposições (que os visitantes do Festival da Amadora também não devem perder) —, transcrevemos, com muita admiração e amizade, o expressivo texto do Professor António Martinó de Azevedo Coutinho, publicado no seu blogue Largo dos Correios, que continua a ser um sítio de paragem obrigatória e prolongada, nas nossas frequentes rondas pela Internet.

A curiosa foto-montagem que documenta o aludido evento é também obra do Professor Martinó, mas infelizmente, por razões de espaço, já conhecidas dos nossos visitantes habituais, não podemos apresentá-la na íntegra, remetendo-os, por isso, para o Largo dos Correios (https://largodoscorreios.wordpress.com/2016/10/19/cpbd-quatro-em-um/) e para A Montra dos Livros (https://amontradoslivros.wordpress.com/2016/10/26/reportagem-do-grande-encontro-no-clube-portugues-de-banda-desenhada/), onde foi reproduzida a reportagem que Luiz Beira fez para o seu blogue BDBD.

CPBD – Quatro em um!

por António Martinó

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Na tarde do passado sábado cumpriu-se o anunciado programa organizado pelo Clube Português de Banda Desenhada na sua sede da Amadora. E creio que o comentário pessoal que se impõe à partida é a recomendação aos dirigentes para que dotem as instalações de maior abundância de cadeiras a fim de que todos os assistentes possam ter lugar sentado…

Esta é uma ligeira e simpática ironia que, no entanto, reflecte com rigor o êxito da iniciativa. Nunca tinha visto tanta gente interessada na sede, incluindo talvez o próprio dia festivo da inauguração.

A verdade é que a oferta programada era aliciante, com três exposições e um colóquio, quase um festival…

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Diversificado por diversas salas, o espaço dedicado à Star Wars (Guerra da Estrelas) contém uma panóplia muito variada de produtos relacionados com o autêntico mito em que a série se foi tornando ao longo dos anos. As figuras dos heróis, os cromos coleccionáveis de caderneta, os brinquedos, os jogos e as colecções de revistas e álbuns ocupam uma parte considerável da mostra, que integra expositores horizontais e painéis nas paredes. Confesso que não sou propriamente um fã do tema, pelo que me impressionou sobretudo a variedade apresentada e a atenção a esta dedicada.

Já quanto à exposição organizada com pretexto no ABC-zinho foi bem maior o meu interesse, até porque um armário cheio de fragmentos desses jornais, nas suas várias séries, constituiu um dos encantos da minha velha casa de infância e juventude portalegrense. Nomes e obras dos seus maiores criadores nacionais, e tantos foram, Cottinelli Telmo, Henrique Marques Júnior, Ana de Castro Osório, Stuart Carvalhais, Rocha Vieira, Emérico Nunes, Carlos Botelho, Ilberino dos Santos, Amélia Pai da Vida, António Cardoso Lopes, Filipe Rei e outros, preenchem o fascinante conteúdo de várias das páginas expostas, numa interessante e completa retrospectiva. Mas também alguns criadores estrangeiros como Alain Saint-Ogan, George Edward, A. B. Payne e Louis Forton, sobretudo, estão ali representados.

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Num magnífico e oportuno complemento às páginas do jornal, estão ainda expostas três construções de armar, devidamente montadas em três dimensões: um teatrinho de brincar (a sério!), um hidroavião e um presépio. Fica assim muito bem documentada a riqueza das separatas então divulgadas.

O ABC-zinho desempenhou nos tempos pioneiros da crónica dos quadradinhos nacionais um relevante papel que o CPBD em boa hora agora recordou, quando se aproxima a efeméride do seu centenário.

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Mas a exposição rainha é a dedicada a Fernando Bento, um dos maiores criadores nacionais de banda desenhada portuguesa de todos os tempos. O seu papel dominante em jornais como o Diabrete e o Cavaleiro Andante, sobretudo, marcou-lhe um lugar incontornável na galeria das referências da nossa 9.ª Arte.

A inestimável cumplicidade da sua viúva, D. Arlete Bento, gentilmente presente, permitiu ao CPBD a apresentação de algumas dezenas de preciosos originais do autor, quase todos relativos à vastíssima produção publicada no Cavaleiro Andante e também no Diabrete, páginas ou pranchas de diversas aventuras originais ou adaptadas, assim como capas e cromos. Também alguns dos álbuns mais representativos e volumes ilustrados pelo mestre figuram nessa exposição bastante significativa, reveladora da sua arte muito expressiva. Verdadeiras obras-primas dos quadradinhos estão ali representadas. 

Tive a imensa ventura de, pelos anos 80 e a pretexto das primeiras realizações públicas do CPBD na antiga FIL, conhecer e privar com Fernando Bento. A sua extraordinária qualidade como criador de quadradinhos tinha uma contrapartida personalizada nas suas naturais modéstia e afabilidade. Guardo com carinho as preciosas dedicatórias com que enriqueceu o meu espólio de álbuns e outras memórias da BD, onde destaco o incontornável Beau Geste.

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Só por si, este trio de exposições seria bastante para marcar um dia inesquecível na crónica de um Clube agora renascido, com imparável dinamismo. Mas a tarde não se resumiu a este brilhante acervo cultural.

Convidado para o efeito, pontualmente compareceu o dr. António Mega Ferreira. Na sequência da série de depoimentos de ilustres personalidades de reconhecido destaque nacional na vida social, política e cultural, em boa hora iniciada com o dr. Guilherme d’Oliveira Martins, coube agora a oportunidade do cidadão a quem se devem, entre muitos outros notáveis desempenhos, a organização da EXPO’98 e as presidências do Oceanário de Lisboa e do Centro Cultural de Belém.

Mega Ferreira começou por se considerar um vulgar apreciador dos quadradinhos, sem direito a qualquer especial menção. Pura ilusão pois à medida que o seu aliciante discurso, espontâneo e cativante, se foi desenrolando e “aquecendo”, o que revelou foi uma invulgar sensibilidade e aproximação à banda desenhada do seu tempo, incluindo a actualidade. O Cavaleiro Andante e Fernando Bento, que constituíam a atmosfera de uma sala tornada quase mágica e irreal por aquele afectuoso desfilar de memórias, ganharam vida própria.

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O invulgar jornalista e laureado escritor revelou-se ali como um contista oral de primeira água, deslumbrando os atentos ouvintes que, repito, excederam os lugares sentados disponíveis.

Uma tarde invulgar e um pleno êxito ali aconteceram no passado sábado na Amadora, capital portuguesa da Banda Desenhada, título que ficou amplamente confirmado. Os membros do CPBD a quem se deveu a arrojada iniciativa, nomeadamente Carlos Gonçalves, Geraldes Lino, Moreno Martins, João Manuel Mimoso e outros que porventura omito e por isso me desculpo, estão de parabéns. O numeroso e valioso conjunto dos interessados presentes avalizou o valor do excepcional evento e terá servido de reconhecimento, gratidão e estímulo para as aventuras a continuar no próximo número…

                                                                                           António Martinó de Azevedo Coutinho

FERNANDO BENTO E O “ABCZINHO” HOMENAGEADOS PELO CLUBE PORTUGUÊS DE BANDA DESENHADA

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Nota: no mesmo dia, 15 de Outubro, às 16h00, como já anunciámos, realiza-se uma palestra com a presença de um ilustre convidado, o Dr. António Mega Ferreira, que abordará o tema “Eu e a BD”. Esta palestra integra-se no ciclo Personalidades Ilustres da Vida Social, Política e Cultural Falam de Banda Desenhada, iniciado em Julho do corrente ano com o Dr. Guilherme de Oliveira Martins.

Finda a palestra, às 17h30, será inaugurada outra exposição patente nas novas e espaçosas instalações do CPBD, sobre o universo multimédia da famosa saga Star Wars, em que figuram revistas, cartazes, cromos, cards, etc, cedidos na sua maioria pelas Bedetecas de Beja e da Amadora. Outra exposição que merece a pena ser visitada, sobretudo pelos fãs desta mítica série.

O Clube Português de Banda Desenhada atinge, assim, o ponto mais alto da sua recente actividade, coincidindo com o 1º aniversário da inauguração da nova sede, em Novembro de 2015, após um protocolo firmado com a Câmara Municipal da Amadora.

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DIA 15: PALESTRA DO DR. ANTÓNIO MEGA FERREIRA NO CLUBE PORTUGUÊS DE BANDA DESENHADA

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Nota: no mesmo dia, 15 de Outubro, a partir das 15h30, serão inauguradas no CPBD três exposições sobre os temas ABCzinho – 95 Anos, Homenagem a Fernando Bento e Star Wars (esta depois do colóquio aqui anunciado, que terminará cerca das 17h30).

Um ponto alto nas celebrações de uma data festiva do honroso historial do CPBD, que em Novembro do ano passado inaugurou a sua nova sede, nas espaçosas instalações graciosamente cedidas pela Câmara Municipal da Amadora.

Fazendo o balanço de todo o trabalho abnegadamente realizado durante este período (pois o Clube vive apenas da quotização dos seus sócios), não hesitamos em dar os parabéns ao CPBD e à sua actual direcção, especialmente na pessoa dos três membros mais activos: Carlos Gonçalves, Carlos Moreno e Geraldes Lino.

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NOVO COLÓQUIO DO CLUBE PORTUGUÊS DE BANDA DESENHADA COM UM ILUSTRE CONVIDADO

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Como oportunamente anunciámos, realizou-se no passado sábado, dia 9 de Julho, o primeiro de uma série de colóquios subordinados ao tema Personalidades Ilustres da Vida Social, Política e Cultural Portuguesa Falam de Banda Desenhada, que o CPBD promoveu no âmbito do seu programa de eventos para o ano em que pôde finalmente dispor de uma nova sede (devido à parceria com a Câmara Municipal da Amadora) e de melhores recursos financeiros, graças sobretudo ao aumento do número de sócios.

O referido colóquio contou com a presença de um ilustre orador, o Dr. Guilherme d’Oliveira Martins, figura destacada da nossa elite social e cultural, que desempenhou também altos cargos na administração pública, como os de Ministro da Presidência, da Educação, das Finanças e Presidente do Tribunal de Contas.

A título particular, o Dr. Guilherme d’Oliveira Martins tem sido também um assumido (e esclarecido) apreciador de Banda Desenhada, manifestando publicamente essa lúdica faceta em intervenções de vária ordem, o que justifica plenamente o convite que lhe foi dirigido pela direcção do CPBD.

Aqui ficam algumas imagens da sua notável palestra, numa sessão aberta a sócios e não sócios do Clube, mas que não foi muito concorrida, decerto devido à coincidência com o tempo de férias de alguns bedéfilos. Sugerimos a hipótese da sua repetição, noutra oportu- nidade, perante público mais numeroso, como o relevo do tema e da personalidade do douto convidado exige e merece.

Estas imagens foram-nos enviadas, como habitualmente, pelo nosso amigo Dâmaso Afonso, prestimoso repórter fotográfico a quem a Loja de Papel e este blogue, em particular, devem inúmeros serviços. Muito obrigado!   

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UM NOVO CICLO DE COLÓQUIOS NO CLUBE PORTUGUÊS DE BANDA DESENHADA

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O Clube Português de Banda Desenhada (CPBD) inicia no próximo sábado, dia 9 de Julho, um novo ciclo de colóquios subordinado ao tema Personalidades Ilustres da Vida Social, Política e Cultural Portuguesa Falam de Banda Desenhada. O primeiro terá a intervenção do Dr. Guilherme d’Oliveira Martins, figura bem conhecida da nossa elite política e cultural, cujo interesse pela 9ª Arte tem sido abertamente demonstrado em várias ocasiões.

CPBD: UM CLUBE DE BANDA DESENHADA JÁ COM UMA LONGA HISTÓRIA!

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Como oportunamente anunciámos, realizou-se no passado sábado, dia 25 de Junho, num restaurante da Amadora, mais um almoço de aniversário do Clube Português de Banda Desenhada, que este ano festeja 40 anos de actividade. Decerto devido ao simbolismo e à notoriedade da data (quase meio século de existência!), esse convívio foi um dos mais animados de sempre, pois contou com a presença de mais de três dezenas de sócios — entre os quais, autores de prestígio como José Ruy, José Garcês, Baptista Mendes e Artur Correia, num clima de camaradagem e euforia que reflecte o espírito de renovado dinamismo do CPBD, desde que despertou de um longo letargo e se mudou para a sua nova sede, na Reboleira, cedida graciosamente pela Câmara Municipal da Amadora.

CPBD novo logo.pngFundado em 28 de Junho de 1976 por um pequeno grupo de fãs e coleccionadores que se formou em poucos meses, inspirado pelos movimentos associativos que se tinham gerado em toda a Europa, num culto ecléctico pelo fenómeno da BD, o Clube Português de Banda Desenhada exerceu durante décadas uma assinalável actividade de divulgação da 9ª Arte, ficando ligado a inúmeras e dinâmicas iniciativas que abriram caminho a outros movimentos de significante importância no actual panorama da BD portuguesa.

Em reconhecimento desse longo percurso e do notável contributo que uma associação de modestos recursos econó- micos continua a prestar à causa da Banda Desenhada, promovendo-a em todas as suas vertentes, lúdica, artística, didáctica e cultural, o Município da Amadora ofereceu ao CPBD uma placa comemorativa do seu 40º aniversário, num gesto que nos apraz saudar e enaltecer pelo que representa de espírito de solidariedade e de colaboração entre as duas entidades, irmanadas presentemente pela união geográfica e pelos comuns objectivos de apoio à 9ª Arte, tentando atrair, sobretudo, o público jovem (o que não é tarefa fácil).

A reportagem que se segue deve-se ao nosso habitual colaborador Dâmaso Afonso (distinto presidente da Mesa da Assembleia Geral do CPBD), cujos trabalhos fotográficos, sempre do agrado de quem nos visita, já se tornaram um “ex-libris” da maioria dos eventos bedéfilos retratados pela sua objectiva para O Gato Alfarrabista. E que neste até se deixou fotografar, em sorridente pose, junto do seu colega Carlos Gonçalves, membro da direcção do Clube Português de Banda Desenhada (ver última imagem).

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