O ADEUS DE SINÉ: “MOURIR? PLUTÔT CREVER!”

(Página reproduzida, com a devida vénia, do jornal Público de 6/5/2016)

PARADA DA PARÓDIA – 17

OS “LESADOS” DO PANAMÁ

Charlie Hebdo (Panamá)

Este cartoon do Charlie Hebdo (a revista satírica sempre em cima dos acontecimentos, mesmo daqueles que directa e tragicamente a atingiram, em 2015) já corre as redes sociais, glosando o tema que tanta celeuma tem provocado, desde que rebentou o escândalo dos “papéis do Panamá”. Isto é, da fuga de informações relacionada com os paraísos ficais onde muita gente, da mais séria (em aparência) à menos recomendável, guarda desde há muito o seu dinheiro, para que o rasto deste não possa ser detectado por quem zela pelo dinheiro dos contribuintes… obrigando-os a pagar mais impostos.

Como escreveu o jornalista Nuno Saraiva, do Diário de Notícias, “os ricos há muito que não escondem o seu dinheiro debaixo do colchão. Fazem-no em paraísos fiscais para não deixar rasto e fugir aos impostos. E o mundo, a cada novo escândalo, continua a abrir a boca de espanto. Santa ingenuidade!”

Resta acrescentar que o autor desta capa do Charlie Hebdo (nº 1237, de 6/4/2016) foi Vuillemin, um dos melhores desenhadores satíricos franceses (idolatrado por alguns grupos de críticos — e de leitores — e detestado por outros). Lembram-se dele? O seu aproveitamento da frase que ficou famosa, Je suis Charlie, depois dos atentados de Paris, em Janeiro de 2015, pode parecer uma piada de mau gosto… Mas que melhor slogan para esta nova manifestação silenciosa, contra aquilo a que os beneficiários dos offshores,  retratados pelo traço grotesco de Vuillemin, chamam “terrorismo fiscal”?

“CHARLIE HEBDO” EM EXPOSIÇÃO NA BEDETECA DA AMADORA

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É inaugurada hoje, dia 7 de Janeiro, pelas 20h00, na Bedeteca da Amadora, a exposição documental “Estúpidos, maldosos e semanais. Uma constelação em torno do Charlie Hebdo”, integrada no programa “Os 5 sentidos da Banda Desenhada”, com curadoria de Pedro Moura e colaboração de Osvaldo Macedo de Sousa. A entrada é livre.

Inaugurada um ano após os atentados que vitimaram, entre outros, alguns membros da redacção do polémico jornal satírico francês Charlie Hebdo, a referida exposição visa mostrar o contexto em que surgiu este título (assim como o grupo editorial que o formou, associado à revista Hara-Kiri). 

Revisitando referências da imprensa ilustrada satírica, outros títulos de banda desenhada, imagens da publicação e livros que reflectem a sua história, há ainda um complemento organizado por Osvaldo Macedo de Sousa: “Cartoonismo: uma profissão de risco?”, em que desfilam vários artistas que, no mundo dito do Médio Oriente e da Ásia, têm sofrido as consequências mais graves devido ao seu trabalho artístico, demonstrando que a luta pela liberdade de expressão é verdadeiramente universal, e que a solidariedade deve ultrapassar fronteiras, línguas e culturas. 

A inauguração é seguida de uma mesa-redonda informal, com a presença de Nuno Saraiva, Rui Pimentel e Osvaldo Macedo de Sousa

A exposição — que estará patente até 30 de Janeiro — conta com o apoio da Bedeteca da Biblioteca Municipal dos Olivais e do Museu Bordalo Pinheiro, em Lisboa, onde se realizará, no próximo dia 23 de Janeiro, um debate associado a este evento, com hora a indicar posteriormente.

Bedeteca da Amadora – 3ª a sábado, das 10h às 18h – Av. Conde Castro Guimarães, 6 – 2720-119, Amadora.

WOLINSKI: A DESPEDIDA

Volinski a despedida

Eis o último cartoon de Wolinski (quase premonitório), publicado no Paris-Match um dia depois do atentado contra o Charlie Hebdo, em que também pereceram outros grandes humoristas, seus companheiros de redacção, como Cabu, Charb e Tignous.

Colaborador habitual do Paris-Match desde 8 de Novembro de 1990, Wolinski assinava todas as semanas um cartoon sobre a actualidade política, salvo raros períodos de férias em que foi substituído por Cabu, um dos seus melhores amigos.

Volinski retrato316Ao prestar-lhe a última homenagem, publicando este desenho recebido na redacção três dias antes, o histórico semanário francês não deixou de salientar uma estranha coincidência: a última palavra que Wolinski escreveu no seu cartoon tinha já uma carga tão fatalista como o inexorável destino de que em breve seria vítima! Curiosa- mente (se é que se pode empregar este advérbio), o mesmo destino que tivera o seu pai, assassinado a tiro na Tunísia, terra natal do irreverente e mordaz desenhador… para quem o trabalho, aos 80 anos, era a maior e mais divertida de todas as recompensas.

OS REIS DO RISO – 7

WOLINSKI: A VIDA É BELA!

Wolinski - 50 ans de dessins

Nesta rubrica, homenageamos hoje a memória de Georges Wolinski (1934-2015), desenhador e humorista de génio, morto no cobarde atentado contra o Charlie Hebdo, em 7/1/2015. Aos 80 anos continuava a ser o mesmo iconoclasta de sempre.

Morreu no seu posto, ao lado dos seus camaradas, brandindo certamente uma caneta — símbolo da sua coerência, a mesma com que desenhava, escrevia e fazia opinião, há mais de 50 anos — contra as armas que lhe apontavam.

A Légion d‘honneur, a mais alta condecoração francesa, com que foi agraciado em 2005, não podia ter ido parar a peito mais valoroso!

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TODOS ESTAMOS COM O CHARLIE! AGORA E SEMPRE!…

Charlie Hebdo - 1

PELA LIBERDADE DE EXPRESSÃO… PELA LIBERDADE DE PENSAR… PELA LIBERDADE DE VIVER NUM MUNDO SEM ÓDIOS NEM FANATISMOS! FAÇAMOS DO HUMOR A LINGUAGEM DO DIREITO UNIVERSAL… A CHISPA QUE ACENDE O RISO E ILUMINA AS TREVAS DA IGNORÂNCIA… PARA QUE NINGUÉM VEJA UM CARTOON COMO UMA MISTURA INFLAMÁVEL QUE PODE PROVOCAR A MORTE!