DIA 16: ENTREVISTA COM JOSÉ RUY NA RTP-2

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Última hora: Integrada nas comemorações dos 80 anos d’O Mosquito, que o Clube Português de Banda Desenhada (CPBD) tem levado a cabo nestes primeiros meses do ano, a RTP-2 transmitirá amanhã, pelas 22h45, uma entrevista com José Ruy, consagrado veterano e mestre da BD portuguesa, cuja carreira passou também pel’O Mosquito, onde conviveu com outros nomes famosos daquela revista como Eduardo Teixeira Coelho, Jayme Cortez, José Garcês, Raul Correia e António Cardoso Lopes (Tiotónio).

A entrevista irá para o ar no programa da RTP-2 Literatura Aqui e foi gravada na nova sede do CPBD, que funciona desde finais do ano passado nas antigas instalações do CNBDI, Amadora, onde estão patentes duas exposições sobre O Mosquito. Além de José Ruy, surge também na entrevista outra figura que pertenceu à histórica equipa que fazia O Mosquito, quando este passou a ter oficina própria: José da Luz, ajudante de tipógrafo que trabalhava com o pai nas mesmas oficinas, sitas na Travessa de S. Pedro de Alcântara, 9 r/c, em Lisboa. Um local cujas míticas memórias permanecem vivas no espírito dos antigos colaboradores e de muitos leitores d’O Mosquito, que ainda hoje rendem homenagem ao mais emblemático e saudoso título da BD portuguesa.

(Agradecemos a Carlos Gonçalves as fotos que documentam esta reportagem).

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DIA 17: PALESTRAS SOBRE “O MOSQUITO” NA BIBLIOTECA NACIONAL

De hoje a oito dias, 4ª feira, 17 de Fevereiro, às 17h00, realiza-se uma série de colóquios na Biblioteca Nacional (Campo Grande), que têm por tema o 80º aniversário da mais emblemática revista juvenil portuguesa, O Mosquito, com a intervenção de figuras bem conhecidas pela sua preponderante acção no meio bedéfilo, artístico e cultural, como José Ruy, António Martinó Coutinho, Carlos Gonçalves e João Manuel Mimoso, estes dois na qualidade de comissários da exposição organizada pelo Clube Português de Banda Desenhada (CPBD), em parceria com a Biblioteca Nacional, onde estão patentes vários exemplares d’O Mosquito (1ª série), publicados entre 1936 e 1953, separatas com construções de armar (algumas já montadas), álbuns, suplementos como A Formiga, dedicado às raparigas, e outros ítens raros e curiosos.

A exposição, que pode ser visitada diariamente, de 2ª feira a 6ª feira, entre as 9h30 e as 19h30, e aos sábados das 9h30 às 17h30, encerra no final deste mês.

 

“O MOSQUITO” EM FOCO NA BIBLIOTECA NACIONAL

O Mosquito na Biblioteca Nacional

Mais uma boa notícia que nos chega através do Clube Português de Banda Desenhada (CPBD): o aniversário d’O Mosquito, que já foi alvo de diversas comemorações em Aveiro, Lisboa e Amadora — como é do conhecimento dos nossos leitores —, será também solene e mediaticamente celebrado no mais erudito santuário da cultura portuguesa, a Biblioteca Nacional, onde uma exposição com o título 80 Anos d’O Mosquito, comissariada por Carlos Gonçalves e João Manuel Mimoso, ambos membros do CPBD, será inaugurada já no próximo dia 26 de Janeiro, decorrendo até ao final de Fevereiro.

Com este tipo de consagração oficial, que confere a uma mítica revista de Banda Desenhada um estatuto ainda mais invejável entre os seus pares, nunca sonharam, com toda a certeza, os seus fundadores: Raul Correia (o Avozinho) e António Cardoso Lopes Jr. (o Tiotónio). Nem, muito menos, o seu numeroso público infanto-juvenil… que aprendeu com as histórias aos quadradinhos (de vários e talentosos autores) e a prosa do Avozinho (entre outras) a aumentar também a sua cultura!

ASSEMBLEIA GERAL DO CPBD

logotipo CPBDNo passado sábado, dia 26 de Setembro, realizou-se a Assembleia Geral do Clube Português de Banda Desenhada, com a presença de mais de uma dezena de sócios, constando na ordem de trabalhos a alteração de duas alíneas dos estatutos e a eleição dos novos corpos gerentes, cuja lista era assim constituída:

Direcção: Pedro Mota (Presidente), António Amaral, Carlos Gonçalves e Geraldes Lino (Vice- -Presidentes); Mesa da Assembleia Geral: Dâmaso Afonso (Presidente), António Isidro (Vice- -Presidente) e Carlos Moreno (Secretário); Conselho Fiscal: Paulo Duarte (Tesoureiro e Presidente), Américo Coelho e Aurélio Lousada (Vogais).

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A lista foi aprovada por unanimidade, contando também para esta eleição os votos enviados por email — pois, pela primeira vez, o CPBD recorreu à Internet e às novas tecnologias, com agrado de quem, como nós, não pôde deslocar-se, nesse dia, à Avenida Duque de Ávila nº 26-2º, em Lisboa, onde o Clube tem ainda a sua sede.

Inserimos neste post uma breve reportagem da sessão, graças às fotos que nos foram amavelmente facultadas pelos nossos amigos António Martinó de Azevedo Coutinho e Dâmaso Afonso, a quem endereçamos os devidos agradecimentos.

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Prestes a iniciar uma nova etapa da sua já longa existência, conforme temos noticiado — em futura colaboração com a Câmara Municipal da Amadora, que deverá disponibilizar-lhe nova sede, em mais amplas e funcionais instalações —, o CPBD continua, entretanto, a publicar o seu Boletim, cujo nº 140 (com a última parte do extenso “dossier” dedicado ao detective inglês Sexton Blake) foi BOLETIM 140distribuído gratuita- mente aos sócios presentes nesta Assembleia Geral. Os outros recebê-lo-ão, como de costume, pelo correio.

Aproveitamos a oportunidade para divulgar um texto da autoria de Carlos Gonçalves — um dos principais elementos ligados à fundação do CPBD, que lhe deve grande parte do seu dinamismo e da sua influência nas primeiras décadas de vida —, onde este sócio recorda, em linhas gerais, o percurso percorrido pela primeira associação do género criada em Portugal, desde o ano já distante de 1976 até ao culminar de um período de grande actividade, em que se destacaram, pela sua importância e projecção a nível nacional e internacional, os quinze Festivais de Banda Desenhada de Lisboa, realizados entre 1982 e 1996, e a criação dos prémios O Mosquito, para distinguir a produção anual dos autores mais em evidência em várias categorias, sem esquecer os recém-chegados à 9ª Arte, através da promoção de concursos.

HISTORIAL DO CLUBE PORTUGUÊS DE BANDA DESENHADA

COLECÇÕES DE CROMOS – 7

A HISTÓRIA DOS CROMOS DA BOLA  (2)

por Carlos Gonçalves

Caramelos de Futebol

Com o nascimento da Fábrica Universal, de António Evaristo de Brito, estavam criadas as condições para que os “cromos da bola” passassem a ser um autêntico sucesso no nosso país, pois tinham-se enraizado no quotidiano da mocidade da altura (ver aqui o post anterior). Havia mais fábricas de doces e rebuçados, que também publicavam, em paralelo, caramelos com cromos. A concorrência era muito forte…

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Além da Fábrica Universal, havia a Holandesa (excelente qualidade e beleza nos seus cromos, com monumentos nacionais e outros); a Fábrica Águia, que lançou uma inovação na colocação dos cromos, passando estes a ser decalcomanias (metiam-se os cromos em água e colocavam-se de face para baixo sobre a caderneta e com a unha fazia-se uma leve pressão a todo o comprimento da estampa, até que esta acabasse por ficar agarrada ao papel. Era preciso cuidado, pois, caso contrário, a estampa podia ficar com falhas).

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A estas juntavam-se a Globo, do Porto, com pastilhas elásticas e cromos do “Mickey”, em cartolina; a Fábrica Futuro; os Chocolates Regina, com cromos de futebol; A Francesa, com a História dos Automóveis e novos cromos de futebol; A Oriental, com uma grande novidade, a publicação de uma história em quadradinhos de Vítor Péon, adaptada aos cromos: Aventuras de Fred Bill; a Bloom Inglesa; a M. C. Brito, com animais, etc.

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A ÉPOCA DE OURO DOS CROMOS DA BOLA

No capítulo anterior, verificámos que António de Brito era já um industrial de sucesso, pelo que no início de Outubro de 1945 vamos encontrá-lo a fixar residência em Madrid, por dois ou três anos. O êxito seria relativamente curto. A concorrência também era assustadora.

Surgem, então, em Espanha e em Portugal, os “Caramelos Bandeiras” em cadernetas idênticas, só com a diferença das línguas maternas. Como curiosidade, lembramos também que em Espanha já existiam álbuns de cromos desde 1900, e alguns de notável beleza.

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Entretanto, foram publicadas novas cadernetas: “Azes do Futebol” e “Caramelos Desportivos de Portugal”. De volta à pátria, António de Brito fez novos lançamentos de cadernetas de cromos: “Caramelos Emblemas Desportivos, “Caramelos de Campeonatos”, “Caramelos Campeões de Futebol”, “Caramelos Azes das Multidões”, “Caramelos Azes do Pedal” e “Caramelos Artistas de Cinema”. Mas não ficou por aí…

Digitalizar0003Emblemas desportivos (cromos)

Com o grande sucesso dos cromos, a sua Fábrica desenvolveu-se e foi dividida em dois pavilhões: o de fabrico de bolachas, bolos, rebuçados, caramelos e “drops”; e noutro, os caramelos com cromos. Este era ocupado por um grupo de empregadas que enrolavam as estampas nos caramelos, enquanto outras colavam os rótulos coloridos alusivos às colecções, nas latas e meias latas. Depois de cheias, as latas eram distribuídas por todo o país em furgonetas da firma, que ostentavam, na carroçaria, a nau de velas enfunadas que servia de emblema à Fábrica Universal.

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A fábrica tinha, nos anos 50, cerca de setenta empregados, vinte dos quais eram vendedores. Foi a melhor época dos caramelos com “cromos da bola”. Em 1951/52, António de Brito resolveu partir para o Brasil, para ali tentar novos sucessos. Criou, então, nesse país, fábricas do ramo alimentar e um Banco em sociedade, do qual foi director. Todos os anos, passava alguns períodos em Portugal.

 

COLECÇÕES DE CROMOS – 6

Carlos Gonçalves (foto)No prosseguimento desta rubrica, começamos hoje a publicar uma série de artigos dedicados principalmente a colecções de cromos antigas e de teor futebolístico, da autoria do nosso amigo Carlos Gonçalves, grande coleccionador e estudioso da Banda Desenhada e de outros tipos de publicações, entre elas construções de armar e colecções de cromos (consta que, destas últimas, existem no seu acervo umas largas centenas!).

A Carlos Gonçalves — que foi merecidamente homenageado no recente Festival da Amadora, com a atribuição do Troféu de Honra — expressamos, mais uma vez, o nosso reconhecimento por toda a colaboração que amavelmente nos tem dispensado, desde a primeira hora.

Aproveitamos esta ocasião para prestar também uma sentida homenagem a uma grande figura do nosso desporto-rei, repentinamente desaparecida: Eusébio da Silva Ferreira, benfiquista de alma e coração, símbolo da força, da beleza e do poder do futebol português na sua época mais gloriosa, o “craque” que empolgou multidões nos estádios, o maravilhoso goleador que respeitava os seus adversários e era por eles admirado, o homem simples, de origem humilde, que se distinguiu pela simpatia, pelo desportivismo e pelo exemplo que deu às gerações futuras.

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A HISTÓRIA DOS CROMOS DA BOLA – 1

por Carlos Gonçalves

(Esta pequena resenha sobre os cromos da bola, só foi possível graças, em parte, aos estudos sobre este assunto que João Manuel Mimoso incluiu no seu site da Internet).

Um dos mentores e o mais célebre criador de cadernetas de cromos de caramelos da bola, chamava-se António Evaristo de Brito e nasceu em 1912, em Tomar. Aos 12 anos foi viver para Setúbal e trabalhou na mercearia que um seu irmão explorava naquela cidade. Foi lá que iniciou a sua actividade profissional.

Digitalizar0001Já nos anos 20, havia a Fábrica de Rebuçados Vitória (em Setúbal), que seria uma das primeiras fábricas a lançar no mercado os cromos de futebolistas. A Fábrica Águia era igualmente pioneira neste campo, tendo inclusive publicado uma caderneta de “Rebuçados Bandeiras”. A mesma fábrica, mais tarde, teve igualmente edições luxuosas e cativantes, com futebolistas e uniformes militares. Os cromos, muito vistosos, eram impressos a cores e em cartolina. As cadernetas tinham formato italiano.

Mais tarde, também apareceu uma Fábrica Victória no Porto, que lançou igualmente no mercado caramelos de cromos. Um dos factos engraçados é que essas cadernetas de pequeno formato, pouco mais eram do que um caderno escolar, de pequenas dimensões e com algumas folhas, nas quais se encontravam alguns rectângulos numerados, de 1 a 100 e de 1 a 200, onde eram colados os cromos. Estas cadernetas eram dedicadas aos temas zoológicos e históricos. Os cromos eram impressos a uma cor, mas demasiado grandes (para poderem embrulhar os caramelos), para o espaço (muito pequeno nas cadernetas), pelo que tinha de se cortar o cromo, de tal modo que este ficava reduzido a um diminuto quadradinho de papel.

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Em 1930, António E. Brito constitui com seu irmão a Sociedade Lusitana de Confeitarias, com sede no Montijo, lançando no mercado a colecção de cromos “Rebuçados Internacionais”, que oferecia já aos coleccionadores uma bola de “cautchu”, outra de borracha, um canivete, uma caneta e mais outros pequenos brindes.

Entretanto, a Sociedade Lusitana muda de nome, devido à fusão com outras fábricas concorrentes. Aparecem, então, sob o nome da Fábrica Montijense, várias cadernetas, inclusive a “Coleção Caramelos Desportivos Emblemas Nacionais”, que também oferecia uma bola de borracha a quem apresentasse a caderneta completa.

Como curiosidade, lembramos que António E. Brito era de tal modo um sportinguista ferrenho, que nos 100 emblemas desportivos dessa colecção não constava o do Benfica!

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Ainda na década de 30, António E. Brito e seu irmão fundaram outra sociedade, a Industrial de Confeitarias, já com sede em Lisboa, que publicou novas cadernetas.

Uma desavença entre os sócios fez com que António E. Brito acabasse por criar a Fábrica Confeitaria Universo, igualmente com sede em Lisboa. As cadernetas foram melhorando no seu aspecto gráfico e na qualidade do papel. São dessa data os “Futebolistas de Portugal” e as “Caricaturas Desportivas”, esta com desenhos de José Pargana (1928-1988).

Digitalizar0014Caricaturas Pargana (Sporting) e BenficaDigitalizar0015

No início dos anos 40 nasceu a Fábrica Universal, na continuidade do nome usado até ali pelo mesmo empresário. Em 1944, António E. Brito era já um industrial com algum sucesso. A sua Fábrica empregava cerca de 60 pessoas e preparava-se para lançar novas cadernetas, desta vez em Espanha.

 

CARLOS GONÇALVES – Troféu de Honra do Amadora BD 2013: uma merecida homenagem

Amadora BD cartazEncerrou no passado domingo, dia 10, o Festival da Amadora, que nesta 24ª edição,  entre  outros prémios e homenagens, já largamente noticiados — com destaque para o vencedor do prémio nacional de BD, nas categorias de melhor álbum e melhor argumento de autores portugueses: “O Baile”, com desenhos de Joana Afonso e texto de Nuno Duarte —, distinguiu também com o Troféu de Honra (o mais prestigioso galardão do Festival e da BD portuguesa) uma figura sobejamente conhecida dos mais veteranos, em áreas como o coleccionismo, a pesquisa histórica e a divulgação jornalística, o Clube Português de Banda Desenhada (CPBD) ou as tertúlias realizadas em todo o país, integrando adeptos do policiário e da BD.

Carlos Gonçalves - Troféu de Honra Amadora BD

História nº 102  239Trata-se de Carlos Gonçalves, colaborador durante largos anos de jornais e revistas, como o Correio da Manhã, o Diário Popular e o mensário História, para os quais redigiu inúmeros artigos sobre a 9ª Arte, coordenador de quase uma centena de números do Boletim do CPBD, editor de fanzines que criaram um padrão de qualidade, como O Aventureiro, organizador de vários eventos ligados à BD, desde a fundação em 1976 do CPBD, no qual participou activamente, tendo mesmo, como seu representante, marcado presença nos Salões de Lucca e Angoulême.

História nº 160 240Amigo também e colaborador, desde a primeira hora, do nosso blogue, que muitos favores já lhe deve, Carlos Gonçalves junta-se agora, finalmente, à numerosa lista de personalidades distinguidas com o Troféu de Honra do Festival da Amadora. Homenagem inteiramente merecida, ainda que peque por tardia, a um grande entusiasta e especialista das histórias aos quadradinhos, que muito se tem batido pelo conhecimento e pela dignificação institucional deste importante (e, por vezes, subestimado) nicho das artes figurativas portuguesas.

Mas mais eloquentes do que as nossas palavras acerca de Carlos Gonçalves são as do eminente professor António Martinó Coutinho, num recente post do seu blogue Largo dos Correios — também vocacionado, entre vários outros temas, para a banda desenhada —, cuja consulta vivamente aconselhamos. Aqui fica o registo e uma foto extraída desse post, com a devida vénia ao seu autor: http://largodoscorreios.wordpress.com/category/historias-aos-quadradinhos/

Carlos Gonçalves - Tertúlia de Lisboa (Março 2004)

A HISTÓRIA DE PORTUGAL EM BD – 5

OUTRA VEZ FÁTIMA

Ao que recentemente apurámos, com base numa informação de Carlos Gonçalves, estudioso e coleccionador com profundos conhecimentos sobre a BD portuguesa e brasileira, o álbum Notre-Dame de Fatima, com texto de Agnès Richomme e desenhos de Robert Rigot (a que fizemos referência num post anterior que pode ser visto aqui), foi o segundo de temática mariana realizado por estes autores. O primeiro teve honras de edição portuguesa em 1954 (Ano Mariano), pelo Secretariado Nacional de Catequese, com o título Nossa Mãe, Nossa Rainha (A Vida de Nossa Senhora), mas só na parte final relatava os milagres e as aparições de Fátima. Trata-se do nº 2 da colecção Belles Histoires et Belles Vies, publicado pela primeira vez em 1949, com o título La Belle Vie de Notre-Dame (informação de Leonardo De Sá), mais tarde abreviado para Marie de Nazareth.

Rigot capa e página

Carlos Gonçalves, a quem expressamos, mais uma vez, o nosso reconhecimento, enviou-nos também duas páginas da história publicada na colecção brasileira Série Sagrada, da Ebal (série normal e série especial), com sugestivas capas de António Euzebio e Monteiro Filho (respectivamente), já apresentadas nesta rubrica. Infelizmente, continuamos a desconhecer o autor dos desenhos, embora possa tratar-se, como sugeriu Carlos Gonçalves, de um dos artistas referidos: Monteiro Filho. Aqui fica o registo.

Coleção serie sagrada

img489Outra interessantíssima versão de que Carlos Gonçalves nos deu conhecimento surgiu em 1952 no livrinho Fátima Para os Vossos Filhos, escrito em verso por Rui Santos, com imagens de um dos nossos mais talentosos ilustradores infantis, o saudoso Méco, de seu nome António Serra Alves Mendes, pai de outro artista que lhe seguiu com sucesso os passos: Zé Manel.

Não se trata de uma história aos quadradinhos (embora com vinhetas sequenciais), mas poder apreciar um trabalho raro de Méco, numa das áreas em que mais se distinguiu, a ilustração para crianças, com toda a singeleza e prazenteiro encanto que caracteriza o seu estilo, é motivo suficiente para o incluirmos nesta lista.

Nascido em 1915 e falecido tragicamente em 1957, quando passeava de barco com o filho, Méco deixou magníficos exemplos da sua arte inconfundível em revistas tão carismáticas como O Papagaio (onde eu li, pela primeira vez, As Minas de Salomão, aventuras fantásticas transfiguradas pelo seu traço semi-caricatural), O Senhor Doutor e Joaninha.

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