CAPAS E NÚMEROS DE NATAL – 9

Natal - Diabrete 1947

Eis a capa do Diabrete nº 467-468, de 20/12/1947, em que Fernando Bento, mais uma vez, representou de forma ímpar o mundo infantil, associado aos festejos, aos brinquedos, às manhãs radiosas e à eufórica alegria da quadra “mais bela do ano”.

Natal - Diabrete 1947 Tarzan

Este número de Natal do Diabrete, o grande rival d’O Mosquito, transformado em bissemanário desde o nº 262, sob a direcção de Adolfo Simões Müller — e preenchido por outros excelentes colaboradores artísticos, como Emilio Freixas, Luís de Barros, Vítor Péon e Burne Hogarth, o genial desenhador de Tarzan, um dos heróis mais antigos que apareciam nas suas páginas —, foi para mim (numa altura em que começava a sentir-me um pouco desiludido com O Mosquito) uma edição muito especial, por causa, antes de mais, do traço esfuziante de Fernando Bento, então no auge dos seus dotes gráficos, do seu engenho cénico e da sua fértil fantasia, que ilustrou também a preceito dois originais de Simões Müller (cujo estro poético e literário era muito apreciado pela juventude): um conto para os mais pequenos, com o título “O Natal dos Brinquedos”, e dois suaves sonetos publicados na contracapa, para juntar à série que Müller escrevia, por tradição, em todos os números natalícios do Diabrete.

Natal - Diabrete 1947 brinquedos e poema muller

Outros motivos especiais de interesse desta edição, com 32 páginas (número duplo), eram as histórias de Vítor Péon que o recheavam de uma ponta à outra (nada mais nada menos do que quatro), principalmente uma vibrante aventura de índios e cowboys, com o título “A Revolta dos Navajos”, cujas oito páginas (metade das quais a cores) formavam um novo volume da magnífica colecção de fascículos com histórias completas que o Diabrete costumava oferecer como brindes de Natal.

Natal - Diabrete 1947 -A revolta dos Navajos 1 e 2Natal - Diabrete 1947 Texas Moore

Outro memorável brinde deste número, bem condimentado de acção, aventura, humor e fantasia, foi o calendário para 1948 publicado nas páginas centrais, mais um trabalho assinado por Vítor Péon, mostrando, para surpresa e gáudio dos leitores do Diabrete, a sua faceta humorística, em doze pitorescas imagens transbordantes de jovialidade.

Natal - Diabrete 1947 Calendário 1

 

CAPAS E NÚMEROS DE NATAL – 4

Natal - Diabrete 104 A320

No mesmo dia 26 de Dezembro de 1942 (ou talvez um pouco antes) em que surgiu nas bancas o número de Natal d’O Mosquito — a que já fizemos referência num post anterior, como pode ser visto aqui —, os ardinas apregoavam também alegremente o nº 104 do Diabrete, que exibia uma magnífica capa desenhada por Fernando Bento, artista gráfico de traço ameno e desenvolto, cuja mestria era capaz de encher as páginas da revista com as mais vibrantes e inspiradas criações.

De facto, além da capa onde as figuras do Presépio, de grande beleza formal (e outras menos sacras), emolduravam um “educativo” poema de Adolfo Simões Müller — brilhante escritor e pedagogo que exercia as funções de director do Diabrete —, Bento teve ainda a seu cargo a ilustração de novos capítulos de Miguel Strogoff, HQ em tiras, com extensas legendas didascálicas, extraída da famosa novela de Jules Verne, e de Béquinhas, Beiçudo & Barbaças, hilariante série cómica cuja longevidade (pois já ia no 104º episódio) era mais uma prova do versátil engenho de um artista multifacetado.

Natal - Bequinhas  325

Apesar do Diabrete só ter oito páginas (mas de formato muito maior que as d’O Mosquito), o afanoso pincel de Bento ilustrou também um conto de Fidalgo dos Santos, “Taon, o Leão Perdido”, que já vinha de números anteriores, e até uma rubrica de curiosidades intitulada “Calendário da História”. Um extraordinário obreiro, sem mãos a medir, cujo talento se espraiava por outras publicações da mais variada índole.

Natal - tarzan diabrete326

Nesse número, o Diabrete continuava a publicar duas famosas séries estrangeiras que nenhum leitor (ou leitora) entusiasta podia perder: as exóticas e trepidantes aventuras do hercúleo rei da selva que Edgar Rice Burroughs baptizou com o nome de Tarzan, na versão em quadradinhos mais realista e dinâmica de sempre, realizada pelo mestre da anatomia e do movimento Burne Hogarth; e as Tropelias do Trovão e do Relâmpago, fantasista cognome para Quick e Flupke, dois ladinos garotos belgas, oriundos do típico bairro de Marolles, em Bruxelas, com os quais o Diabrete, impedido de publicar as aventuras de Tintin (que eram, nessa altura, exclusivo d’O Papagaio) quis aumentar a sua popularidade e o seu prestígio, apresentando outra emblemática criação de Hergé — forma inteligente de manter na sua órbita um dos maiores autores da BD europeia, à espera de que um dia (como, aliás, aconteceu) Tintin viesse também parar às suas páginas.

Natal - Trovão e Relâmpago