O CLUBE PORTUGUÊS DE BANDA DESENHADA REALIZA NOVA ASSEMBLEIA GERAL E ESTREIA 4 EXPOSIÇÕES

Por António Martinó de Azevedo Coutinho (do blogue Largo dos Correios)

O Clube Português de Banda Desenhada convocou os seus associados para participarem numa Assembleia Geral, que se irá realizar no próximo dia 14 de Outubro (sábado), pelas 16H00, nas instalações da sede, sita na Avenida do Brasil, 52A – Falagueira – 2700-134 Amadora. A referida Assembleia terá como ordem de trabalhos a eleição dos elementos constantes de uma lista, conhecida e divulgada, candidata aos Órgãos Sociais do CPBD para o novo mandato de 2017/2019.

Os nomes propostos confirmam, na prática, os responsáveis pela corrente gestão do Clube, autores de uma obra a todos os títulos notável. Creio, por isso e dada a unanimidade reconhecida, que a continuação do excelente trabalho realizado está amplamente assegurada (…) e a qualidade/quantidade da obra é tanto mais válida quanto se deve reconhecer que este exuberante período se seguiu a décadas em que o Clube apenas sobreviveu dada a militância de uma meia dúzia de apaixonados pelos quadradinhos que nunca deixou morrer uma chama “sagrada” mínima.

A sede disponibilizada pela autarquia da Amadora, capital nacional da BD, proporcionou um local que tem sido constantemente dinamizado com diversas realizações, para além das intervenções do Clube noutros locais como, por exemplo, a Bedeteca da Amadora ou a Biblioteca Nacional de Lisboa.

No próprio dia da Assembleia Geral do Clube Português de Banda Desenhada, a nossa sede vai ser local de abertura de mais quatro (!) exposições públicas, cujos convites se anexam. Como exemplo de esclarecida, permanente e coerente intervenção em defesa da causa dos quadradinhos, dificilmente se poderia exigir mais ao CPBD…

Tenho orgulho em pertencer a uma associação tão dinâmica e tão bem dirigida, crescentemente merecedora de reconhecimento cultural público.

Nota: Texto reproduzido, com a devida vénia, do blogue “Largo dos Correios”, superiormente administrado por António Martinó de Azevedo Coutinho.

CELEBRANDO MAIS UM ANIVERSÁRIO DO “MUNDO DE AVENTURAS” (DESAPARECIDO HÁ 30 ANOS)

Nascido em 18/8/1949, o Mundo de Aventuras — um dos títulos mais emblemáticos da nossa imprensa juvenil — teve publicação ininterrupta durante cerca de 38 anos, até 15/1/1987. Um autêntico recorde de longevidade que nenhuma outra revista periódica de banda desenhada logrou sequer almejar, pois todas ficaram a grande distância dessa meta, mesmo as que no seu tempo foram tão populares como o Mundo de Aventuras.

Essa longa vida, abruptamente interrompida pela crise da Agência Portuguesa de Revistas, que acabou também pouco tempo depois, foi assinalada, como é óbvio, por várias fases de maior e menor êxito, em que o MA mudou não só de periodicidade, de formato e de aspecto gráfico, como de sede, de oficinas, de director e de colaboradores.

Transcrevemos, a propósito, um trecho da bela “dedicatória” intitulada “Em cada quinta- -feira um novo mundo”, que o nosso querido amigo Professor António Martinó colocou, há três anos, no seu magnífico blogue Largo dos Correios, onde reluz o dom da palavra e da escrita de um mestre conceituado:

“(…) Confrontando-se durante uma parte da sua longa vida com uma concorrência de peso, a revista conseguiu subsistir e atravessar diversas fases editoriais e modelos/formatos distintos. Mudando mesmo a sua filosofia, das histórias de continuação para as histórias completas, prenunciou o fim irreversível dessa saudosa fase onde aguardávamos com impaciência cada 5ª feira que nos fornecia o episódio seguinte de aventuras movimentadas, aptas a preencher um pouco da nossa própria vida. Sobrevivemos sem “play- -stations” e sem telemóveis, sem brinquedos sofisticados, até mesmo, imagine-se, sem televisão e, obviamente, desprovidos de acesso à internet… Sobrevivemos, sem traumas nem stresses, e isso deve-se em boa parte aos diabretes, aos mosquitos, aos mundos de aventuras e quejandos…”

A última série, iniciada em 4/10/1973, sob a direcção de Vitoriano Rosa, que sucedeu a José de Oliveira Cosme, falecido pouco tempo antes, teve também vários formatos e periodicidades, além de uma controversa interrupção cronológica, como se de uma nova revista se tratasse, com a numeração a voltar ao ponto de partida, após 1252 semanas de presença contínua nas bancas. O segundo director dessa série foi António Verde, que se manteve no cargo até ao último número (589), sempre coadjuvado pelo chefe de redacção (coordenador) Jorge Magalhães.

Mas o nascimento do Mundo de Aventuras está ligado a um facto pitoresco que poucos bedéfilos conhecem… a história de dois “mundos”, como a baptizou Orlando Marques (consagrado novelista e colaborador de longa data do MA), que foi um dos seus principais protagonistas.

A título de curiosidade, reproduzimos seguidamente um artigo publicado no nº 559 (15/9/1985), em que, pelo punho de Orlando Marques, se relata esse pitoresco episódio, cujo desfecho quase ia arruinando a sua carreira literária.

SANTO ANTÓNIO EM PORTALEGRE – COM ANTÓNIO MARTINÓ E JOSÉ GARCÊS

Página do jornal “Alto Alentejo”, dedicada à memorável sessão de homenagem a Mestre José Garcês (e a Santo António, padroeiro de Portalegre), ocorrida no passado dia 21 de Maio, naquela cidade alentejana, e em que foi orador o Professor António Martinó.

Decano da BD portuguesa, José Garcês concretizou em 2016 um dos seus mais antigos projectos, publicando um álbum sobre a vida de Santo António, ao comemorar 70 anos de carreira como autor de uma vasta obra que dignifica não só a Banda Desenhada como a arte da ilustração ao serviço da cultura, do ensino e do património.

Recordamos que uma exposição com pranchas originais desse magnífico álbum está ainda patente no Museu de Santo António, em Lisboa.

SANTO ANTÓNIO EM PORTALEGRE – HOMENAGEM A UM GRANDE MESTRE DA BD PORTUGUESA

Por iniciativa da Câmara Municipal de Portalegre e do Professor António Martinó (que será o apresentador), realiza-se no próximo dia 21 de Maio, pelas 18h00, tendo como cenário o Centro de Artes e Espectáculos de Portalegre, mais uma homenagem a Mestre José Garcês, com o tema Santo António em Banda Desenhada — um projecto que o decano da BD portuguesa viu concretizado em 2016, ao comemorar 70 anos de carreira como autor de uma vasta obra que dignifica não só a BD como a arte da ilustração ao serviço da cultura, do ensino e do património.

Parabéns, José Garcês! E parabéns também aos promotores desta homenagem, no âmbito das comemorações do Dia de Portalegre!

VISITA À BIBLIOTECA NACIONAL (OU O APELO D’O MOSQUITO OCTOGENÁRIO) NUM DIA CHUVOSO…

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O frio, a chuva, os transportes (e até as muletas da Catherine), nada nos impediu de assistir às palestras sobre os 80 anos da mítica revista O Mosquito, realizadas na passada 4ª feira, 17 do corrente, no auditório da Biblioteca Nacional. Infelizmente, o caótico trânsito lisboeta (que piora sempre em dias de chuva) retardou a nossa chegada ao local e só assistimos à última parte da palestra de abertura, proferida por João Manuel Mimoso, sobre o tema 17 anos de capas d’O Mosquito, acompanhada pela projecção de diapositivos.

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Logo a seguir, o Professor António Martinó de Azevedo Coutinho falou do seu percurso no mundo das histórias aos quadradinhos — como se chamava, então, singelamente, a banda desenhada —, desde a sua infância, em Portalegre, e depois durante os seus anos de acção pedagógica, tanto no ensino primário como nos cursos secundário e superior. A terminar, rendendo uma justa homenagem ao seu amigo Hélder Pacheco, outro insigne professor e homem de cultura, portuense de gema, leu um texto inédito que prendeu a atenção da audiência, intitulado Há muito tempo, quando éramos pequenos, evocando memórias pessoais de Hélder Pacheco ligadas à mais popular revista infanto-juvenil de outros tempos, adorada por todos os garotos, de norte a sul do país, que já andavam na escola.

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Mestre José Ruy partilhou também connosco memórias vividas na redacção e nas oficinas d’O Mosquito, com o seu jeito descontraído, aberto e afável de comunicar, desfiando peripécias curiosas e factos que marcaram a relação entre os dois sonhadores e paladinos que criaram o “mito” mais duradouro da BD portuguesa: António Cardoso Lopes Jr. e Raul Correia, ambos residentes na Amadora, a cidade onde efectivamente nasceu O Mosquito e onde hoje funciona também a sede do Clube Português de Banda Desenhada, promotor desta iniciativa numa oportuna e louvável parceria com a Biblioteca Nacional.

Carlos Gonçalves, grande coleccionador (e conhecedor) das preciosidades que são as construções de armar e as separatas que muitas revistas infanto-juvenis publicaram ao longo da sua existência, mostrou reproduções digitais desses suplementos, assim como fotos de certas construções já montadas, como algumas peças do célebre Cortejo Real (construção publicada na revista O Senhor Doutor, que foi contemporânea d’O Mosquito).

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Depois de uma animada sessão de comentários, que prolongaram os temas das palestras durante mais meia-hora, todos nos dirigimos à sala onde a exposição comemorativa dos 80 anos d’O Mosquito, exposta em várias vitrines, foi apresentada e comentada pelos seus comissários, João Mimoso e Carlos Gonçalves. Nem mesmo a Catherine (embaraçada com as muletas) ficou para trás, tal era a sua ânsia de ver a exposição. Pena foi que o folheto alusivo a esta mostra já tivesse “voado”, como folhas secas num dia de vento…

Aqui reproduzimos algumas fotos da memorável sessão na Biblioteca Nacional, gentilmente cedidas pelo nosso amigo António Martinó (autor do blogue de referência Largo dos Correios, onde poderão ler, na íntegra, o magnifico texto de Hélder Pacheco), tiradas por ele e pelo seu neto Manuel, o mais jovem elemento da assistência, brilhante estudante universitário e que denota possuir também excelentes dotes de fotógrafo. A ambos os nossos agradecimentos, com as mais afectuosas saudações “mosquiteiras”.

Nota: Esta reportagem, com mais imagens, vai ser também postada no nosso blogue irmão (ano e meio mais novo) O Voo d’O Mosquito.

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DIA 17: PALESTRAS SOBRE “O MOSQUITO” NA BIBLIOTECA NACIONAL

De hoje a oito dias, 4ª feira, 17 de Fevereiro, às 17h00, realiza-se uma série de colóquios na Biblioteca Nacional (Campo Grande), que têm por tema o 80º aniversário da mais emblemática revista juvenil portuguesa, O Mosquito, com a intervenção de figuras bem conhecidas pela sua preponderante acção no meio bedéfilo, artístico e cultural, como José Ruy, António Martinó Coutinho, Carlos Gonçalves e João Manuel Mimoso, estes dois na qualidade de comissários da exposição organizada pelo Clube Português de Banda Desenhada (CPBD), em parceria com a Biblioteca Nacional, onde estão patentes vários exemplares d’O Mosquito (1ª série), publicados entre 1936 e 1953, separatas com construções de armar (algumas já montadas), álbuns, suplementos como A Formiga, dedicado às raparigas, e outros ítens raros e curiosos.

A exposição, que pode ser visitada diariamente, de 2ª feira a 6ª feira, entre as 9h30 e as 19h30, e aos sábados das 9h30 às 17h30, encerra no final deste mês.

 

OS 80 ANOS D’O MOSQUITO

IMAGENS DE UM ANIVERSÁRIO

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Conforme oportunamente anunciámos, realizou-se no passado sábado, dia 16 do corrente mês de Janeiro, o tradicional almoço-convívio d’O Mosquito, organizado por Leonardo De Sá e que teve como anfitrião, repetindo um ritual do agrado de todos, o Restaurante Pessoa, sito na baixa lisboeta, próximo da Praça da Figueira.

Mas como se tratava de celebrar, simbolicamente, o 80º aniversário da mais carismática revista da BD portuguesa, a afluência de convivas foi tão grande que o repasto já não pôde ter lugar na acolhedora sala do 1º andar, transferindo-se para o rés-do-chão, espaço onde a intimidade e o convívio foram mais afectados, por causa da distância entre as mesas e do próprio ambiente mais ruidoso da sala.

Tanto assim que muitos dos presentes nem chegaram a ouvir os “discursos” da praxe, assinalando condignamente o relevo da efeméride, proferidos por três ilustres membros dessa numerosa e grada assembleia (repleta também de veteranos): José Ruy, Guilherme Valente, editor da Gradiva, e António Martinó.

Foi este último quem nos enviou, poucas horas depois, algumas fotos do convívio, as primeiras que publicamos neste blogue, com agradecimentos ao seu autor e nosso estimado amigo, que quis brindar-nos, cordialmente, com uma recordação pessoal do evento, focando-nos com a sua objectiva em todas essas imagens.

Passe a imodéstia, escolhemos aquelas em que não fazemos pior figura.

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As restantes fotos foram tiradas também por António Martinó, no Clube Português de Banda Desenhada (CPBD), onde continuaram, à tarde, as homenagens ao mítico aniversariante, com um colóquio proferido por José Ruy sobre o seu início nas artes gráficas, como colaborador d’O Mosquito, e a abertura de duas exposições que estarão patentes aos sábados, durante várias semanas, na sede do Clube: “Tributo a Eduardo Teixeira Coelho” e “Os 80 Anos d’O Mosquito”.

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TRÊS HISTÓRICAS REVISTAS DE BD QUE FAZEM ANOS EM JANEIRO E UMA SINGULAR HOMENAGEM DO “LARGO DOS CORREIOS”

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Nestes primeiros dias de um tristonho e pluvioso mês de Janeiro — daqueles dias em que nem apetece sair de casa, quando se tem a sorte de poder ficar no aconchego doméstico, a nossa “zona de conforto”, sem ser devido a uma incómoda gripe ou a outros motivos de força maior —, celebraram-se dois aniversários que para muitos de nós, bedéfilos inveterados, continuam a ter uma importância especial, pois assinalam o nascimento de duas das mais populares e míticas revistas do género publicadas neste país, o Diabrete e o Cavaleiro Andante, ambas editadas em boa hora pela Empresa Nacional de Publicidade e dirigidas por um dos mais distintos nomes das nossas letras, afeiçoado como poucos à literatura infanto-juvenil e às histórias aos quadradinhos: Adolfo Simões Müller.

Cavaleiro Andante nº 1 (Martinó)Facto curioso e digno de nota: em Janeiro também fazem anos O Mosquito (1936), mais velho cinco anos do que o Diabrete (1941) e dezasseis do que o Cavaleiro Andante (1952), e a sua “irmã” mais nova, a Fagulha (1958). Mas, voltando ao princípio, isto é, ao aniversário das duas revistas que surgem à cabeça de uma longa lista anual que muitos bedéfilos ainda hoje recordam e acarinham com sentida emoção, queremos partilhar com os nossos visitantes e amigos um magnífico texto dedicado ao Diabrete por um dos seus maiores cultores em crónicas que fazem história, o Professor António Martinó de Azevedo Coutinho, cujo prestigioso blogue Largo dos Correios é uma referência incontornável entre todos os que se dedicam à divulgação desta nobre 9ª Arte (embora os conhecimentos, os interesses e os propósitos do Professor Martinó excedam largamente o âmbito das histórias aos quadradinhos e das revistas que lhes deram valioso suporte).

Aqui fica, pois, com a devida vénia ao Largo dos Correios, o link para esse texto admirável e inspirado, que se lê com o mesmo prazer com que degustamos uma rara e saborosa iguaria; e em cuja “inflamada” e apologética evocação do Diabrete e dos seus gloriosos companheiros de aventuras, todos os bedéfilos de alma e coração fervorosamente se revêem: https://largodoscorreios.wordpress.com/2016/01/04/um-celeste-diabrete/

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Na senda do aniversário do Diabrete, o Largo dos Correios iniciou oportunamente uma nova rubrica, subordinada ao título Antologia BD, em que começou já a apresentar uma das obras que mais se destacaram na primeira etapa dessa revista, pelo traço desenvolto, de rara elegância e virtuosismo, do seu principal desenhador, Fernando Bento, que deliciou os leitores do “grande camaradão de todos os sábados” com algumas memoráveis adaptações de romances de Jules Verne, entre elas “A Volta ao Mundo em 80 Dias”.

Foi esta a escolha do Largo dos Correios para inaugurar a sua nova rubrica, cujos primeiros posts, com páginas magníficas de Fernando Bento (ainda a ensaiar, airosamente, um estilo realista), poderão apreciar aqui: https://largodoscorreios.wordpress.com/category/historias-aos-quadradinhos/

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A TRAGÉDIA DOS REFUGIADOS

O Gato Alfarrabista, embora sendo simplesmente um blogue dedicado à Banda Desenhada, não consegue alhear-se da tragédia dos refugiados — trazida uma vez mais ao lume das notícias com fotos chocantes de crianças afogadas —, e não achou nada melhor do que reproduzir, com a devida vénia, o texto do jovem Manuel, neto do nosso amigo Professor António Martinó de Azevedo Coutinho, publicado no seu excelente blogue «Largo dos Correios» (que seguimos sempre com grande interesse), há menos de 24 horas.

Queremos sublinhar a maturidade, perspicácia e eloquência deste jovem, digno herdeiro dos elevados princípios cívicos, éticos e morais que norteiam a sua família, empenhado, como militante activo da Amnistia Internacional, em alertar as consciências para a urgente acção de todas as entidades e dirigentes responsáveis, no sentido de se encontrar uma solução justa, séria e humanitária deste drama colectivo cada vez mais pungente — e que a Europa (responsável, em parte, pelas causas que o provocaram) não pode ignorar, voltando as costas à realidade ou erguendo barreiras contra os refugiados.

Fazemos nossas as palavras do Manuel Azevedo Coutinho, a quem enviamos um grande abraço, solidarizando-nos totalmente com o seu vibrante e lúcido depoimento… que é também um grito de indignação e de revolta contra aqueles que permitem, com a sua inércia, que estes dramas continuem a acontecer!

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Mais uma garfada numa vida de formiga…

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O mundo abala, dia a dia, com o silêncio daqueles que no seu silêncio figuram as imagens de mortos, refugiados, sem abrigo, gente da nossa gente que, sem esperança e sem voz, fazem o que podem para sobreviver. A condição humana, a cada dia que passa, é crescentemente posta em causa das formas mais violentas, mais desumanas.

O cidadão europeu, comum, é confrontado dia a dia com esta realidade “longínqua”, famílias, idosos, crianças, adultos, no seu desespero. O longe acabou, esta realidade não é Africana, Asiática, esta realidade é Europeia, e está a bater-nos à porta. A solução tem de ser aplicada pelo continente Europeu.

Esta situação tem sido abordada pelos mais variados líderes europeus e nacionais. Num comportamento absolutamente vergonhoso, esses falam, falam, falam, vemo-los a arranjar uma solução? A resposta é não!

A extrema direita, em ascensão, fala-nos de uma praga que tem de ser expulsa do continente, um grupo de sanguessugas. A União Europeia nem fala, nada diz, numa apatia e passividade assustadoras. Um prémio Nobel da Paz não pode ficar indiferente a uma situação destas! Em Portugal, temos o nosso primeiro ministro IMG_2242imbuído da demagogia que tanto critica. Em época eleitoral, nada melhor que aproveitar para dizer: – Eu disse que temos de fazer melhor e Portugal também.

Parabéns, Dr. Passos Coelho, penso que qualquer ignorante já tinha chegado a essa conclusão.

Eu, enquanto cidadão português e europeu, sinto-me revoltado, porque este tipo de discurso não faz a diferença, o que faz a diferença são as acções, são medidas e propostas concretas, e isso eu não oiço, só ignorância, demagogia e apatia. Isto é inaceitável, estamos a falar de vidas humanas, estamos a falar de gente da nossa gente. Basta de inacção!

Outra situação é o tipo de acção que se aplica, o que se está a fazer é adiar o confronto com o problema originário deste caso. Estas pessoas não decidiram vir para a Europa porque lhes apeteceu, não! Estas pessoas vieram porque nos seus países vivem situações de pobreza, guerra, epidemias, esses são os grandes problemas, esses é que temos de resolver. Esqueçamos dívidas, lucros, receitas, PIB’S, taxas, impostos, todas essas economias que restringem a nossa acção. Estamos a falar de vidas humanas. De jovens como eu, de crianças como muitas que temos em casa ou ao nosso lado, estamos a falar de seres humanos. Se a nossa raça chegou aqui foi porque uniu a sua inteligência ao seu espírito colectivo. Falta isso nos dias de hoje. A ganância e o egocentrismo tomaram o ser humano e regem a sua acção. Ajamos com compaixão, com solidariedade.

Vivemos uma vida de movimentos pendulares, de rotina, de  stress, de turbilhão, uma vida sem vida para viver. Podemos assemelhá-la a uma vida de formiga, viver para trabalhar, trabalhar para sobreviver, viver para sobreviver, mas isso não nos retira o dever de agir nesta situação; quem nos governa não age, então temos nós, os indignados com esta situação, de agir! Da próxima vez que estiver a tomar a sua refeição e no noticiário aparecer uma notícia desta atrocidade não deixe passar, não dê a garfada seguinte da mesma maneira, reflicta, aja, porque este texto que eu escrevo pode não fazer a diferença, mas se todos escrevermos textos, falarmos, agirmos, o mundo muda, o mundo ouve!

A bola está do nosso lado, quem nos governa representa-nos, mas isso não nos retira o direito de ter uma voz activa, crítica deste caso.

 Manuel Azevedo Coutinho