INVASÃO DE SUPER-HERÓIS À PORTUGUESA NO “CORREIO DA MANHÔ

Super Heróis Portuguese - Anúncio 1 209Super Heróis Portuguese - Anúncio 2 212Super Heróis Portuguese - Anúncio 3 210

Depois de longa ausência, a banda desenhada humorística regressa aos jornais, com uma nova colecção apresentada pelo Correio da Manhã: “Super-Heróis da História de Portugal”, irresistível e premiada criação de dois veteranos da BD portuguesa, dois mestres do género, Artur Correia e António Gomes de Almeida, que nos mostram o lado mais divertido de uma História velha de séculos.

Todas as semanas, às 6ªs, sábados e domingos, até 7 de Maio, 14 fascículos grátis, com 32 páginas, recheados de impagáveis personagens. Uma colecção que este blogue obviamente recomenda!

 

A HISTÓRIA DE PORTUGAL EM BD – 11

O REGICÍDIO

O Regicídio - 2

História de Portugal (4º volume)O brutal assassinato do rei D. Carlos e do príncipe herdeiro D. Luís Filipe, no primeiro dia de Fevereiro de 1908, foi o prelúdio do fim da monarquia, vítima dos seus próprios e trágicos erros, e da implantação da República, uma nova aurora política em que Portugal continuou a viver, nessa encruzilhada histórica, sob o domínio da contestação, da anarquia e das revoltas armadas que punham em causa a estabilidade económica, política e social. Tudo isso a juntar ao flagelo da 1ª Grande Guerra, com o seu cortejo de mortos e estropiados em batalhas inglórias. Na Banda Desenhada, o regicídio — um dos acontecimentos revolucionários de crucial importância que mudaram o destino do país no primeiro decénio do século XX —, foi retratado nalgumas obras de cunho didáctico, como a História de Portugal em BD, de A. do Carmo Reis e José Garcês, composta por 4 volumes publicados entre 1987 e 1989, pela Asa, e reeditados diversas vezes.

Viva a República

Num tom mais jocoso, tratando os assuntos sérios com a sua veia artística de consumado humorista, merece especial referência a História Alegre de Portugal, adaptada por Artur Correia da obra homónima de Pinheiro Chagas, numa edição da Bertrand (2002/2003), em dois grossos volumes (o segundo, de onde reproduzimos as páginas seguintes, com texto de António Gomes de Almeida).

Regicidio - Hist alegre P 1 e 2

Outro desenhador argumentista que pegou no tema, desenvolvendo-o de forma apurada, num registo realista e jornalístico fiel aos anais da época, foi Santos Costa, cujo trabalho, inicialmente publicado no semanário O Crime, em 1999, foi posteriormente reeditado no álbum Registos Criminais, com outras histórias do mesmo autor.

O Regicídio - 5

MATARAM O REI - capa350Mas o nosso principal destaque vai para um álbum de José Ruy intitulado Mataram o Rei!… Viva a República!, editado em 1993 pela Asa e reeditado em 2008 pela Âncora, onde o veterano Artista, com o seu traço sóbrio, a atenção aos pormenores, a fluência do estilo gráfico/narrativo, a faceta romanesca (que tem sido pouco valorizada nas apreciações críticas) e o rigor documental e histórico que preside a todos os seus trabalhos, reconstituiu de forma viva, lúdica e emotiva o ambiente social e político dessa época agitada, assim como o “pacto de sangue” entre membros da Carbonária e de forças republicanas, numa conspiração contra o governo e a figura do Rei que conduziu ao fatídico desenlace junto das arcadas do Terreiro do Paço, no dia 1 de Fevereiro de 1908, precipi- tando a queda do regime monárquico, ainda mais frágil no reinado de D. Manuel II.

Eis algumas páginas deste magnífico álbum de José Ruy, um autor/investigador que, com a sua obra vasta e diversificada, já com dezenas de títulos, muito tem enriquecido e prestigiado a BD portuguesa de temática histórica e didáctica.

MATARAM O REI - 1 e 2MATARAM O REI - 3 e 4

Em nota final desta breve (e quiçá incompleta) retrospectiva, queremos também chamar a atenção para outra abordagem, muito curiosa, do regicídio, que pode ser apreciada no conhecido blogue Leituras de BD: http://bongop-leituras-bd.blogspot.pt/2012/03/herois-ou-assassinos.html

Quatro páginas apenas, com guião de Nuno Amado, grafismo e cores de Daniel dos Santos, mas de uma intensidade estética e narrativa a justificar nota alta. Aqui mostramos duas dessas páginas, com a devida vénia ao Leituras de BD.

Heróis ou assassinos - pág. 2 e 3