JOSÉ BATISTA: RETROSPECTIVA – 8

A HOMÉRICA ODISSEIA DE ULISSES (2ª parte)

Continuamos hoje a apresentar as lendárias aventuras de Ulisses, num trabalho com o traço de José Batista, dado à estampa em 1956, no fascículo nº 57 da famosa Colecção Condor, editada pela Agência Portuguesa de Revistas (APR), onde Jobat foi, durante muitos anos, um dos principais elementos do seu selecto e privativo grupo de desenhadores.

Ulisses (Col Condor)Inspirada no filme homónimo de 1954, produzido pelos estúdios italianos da Cinecitta — com dois popularíssimos actores norte-americanos, Kirk Douglas e Anthony Quinn, então no auge das suas carreiras, contracenando com as formosas vedetas italianas Silvana Mangano e Rossana Podesta —, a história ilustrada por José Batista é o seu primeiro trabalho de fôlego em banda desenhada, revelando já um grande apuro técnico e artístico, sobretudo no domínio do preto e branco, a par de uma total fidelidade aos pormenores, como trajes, adornos, armas, navios, cenários, paisagens, edifícios, que foi capaz de retratar com minúcia, verosimilhança e realismo, baseando-se numa série de fotogramas da obra cinematográfica. É por isso que as feições de Ulisses, Telémaco, Antínoo, Penélope, Nausica e das outras personagens da fantástica odisseia correspondem, com  inexcedível perfeição, às dos célebres actores que as encarnaram na tela. Registe-se, a título de curiosidade, que a capa da Colecção Condor foi confiada a outro desenhador da APR, já com mais experiência do que Jobat, mas com um estilo diferente: Carlos Alberto Santos.

Em 2005, os Cadernos Moura BD reeditaram no seu sexto número esta história quase “perdida” de Jobat, numa versão parcialmente restaurada por causa das legendas tipográficas e de alguns traços mais defeituosos, visto ter sido impressa numa revista de pequeno formato e de modesto aspecto gráfico como era a Colecção Condor. Mas são essas páginas que preferimos dar a conhecer aos nossos leitores, por fidelidade às origens, tal como fizemos com outras histórias de Jobat já apresentadas neste blogue e reproduzidas sempre das revistas onde foram primitivamente publicadas.

A versão retocada e aperfeiçoada por Jobat (que ainda conservava todos os originais) apareceu também, em 2004, nas páginas do jornal O Louletano, dando azo a uma rubrica periódica de BD coordenada até meados de 2012 pelo talentoso artista e nosso saudoso amigo, falecido prematuramente poucos meses depois.

Nota: para ler a história, com maior ampliação, clicar duas vezes sobre as imagens. 

Ulisses 11 e 12

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JOSÉ BATISTA: RETROSPECTIVA – 7

A HOMÉRICA ODISSEIA DE ULISSES (1ª parte)

Ulisses (Col Condor)“Desaparecido em combate” (como diria outro nosso grande amigo), há cerca de dois anos e meio, aqui fica hoje, na data em que completaria 80 anos, mais uma evocação da memória e da obra de José Batista, um talentoso desenhador que os leitores de revistas de BD e todos os apreciadores do seu trabalho se habituaram a conhecer por um acrónimo de acento quase familiar.

A história que agora recuperámos foi publicada em 1956, no fascículo nº 57 da também saudosa Colecção Condor (com capa de Carlos Alberto) e teve honras de ser um dos poucos originais portugueses a ombrear nas suas páginas com algumas das maiores criações da BD norte-americana e europeia desse tempo.

José Batista, ao narrar a odisseia do lendário e intrépido Ulisses — o herói de Homero perdido nos mares e em terras estranhas, na viagem de regresso ao seu reino de Ítaca, depois de combater longamente na guerra de Tróia —, inspirou-se no peplum (filme histórico) italiano de grande êxito realizado, em 1954, por Mário Camerini e interpretado por actores da estirpe de Kirk Douglas, Silvana Mangano e Anthony Quinn, cujas feições, trajes e adornos soube retratar com grande minúcia e vera- cidade, baseando-se em fotogramas do filme.

“Ulisses” foi, sem dúvida, um dos seus melhores trabalhos artísticos, na área da BD, e mereceu por isso renovada atenção por parte de Jobat, que ainda estava na posse de todos os originais, ao decidir retocá-los para publicação no semanário regional O Louletano, onde começaria a coordenar, em 30 de Março de 2004, uma rubrica simbolicamente intitulada 9ª Arte (que durou até quase às vésperas do seu falecimento).

Essa magnífica reconstituição, fiel em muitos aspectos à versão original, Louletano - Páginas Esquecidasmas com algumas alterações de vulto, sobretudo no tocante à paginação e às legendas tipográficas — que foram totalmente refeitas e apresentadas de forma conveniente nos respectivos cartuchos —, mereceu oportuna e cuidada reedição, no nº 6 (Junho 2005) do excelente fanzine Cadernos Moura BD, coordenado por Carlos Rico, um dos principais mentores e organizadores do Salão de BD realizado periodicamente, até há pouco tempo, naquela cidade alentejana.  

Para esta retrospectiva, visto tratar-se de uma antologia dos primeiros trabalhos saídos da pena e do talento criativo de Jobat, escolhemos obviamente a versão da Colecção Condor, publicada em 30 páginas — onde o preto e branco alternava com a cor —, apesar da medíocre impressão e dos defeitos patentes no enquadramento das legendas tipográficas, algumas das quais tinham de ser lidas na posição vertical, dando à apresentação gráfica um aspecto bizarro e pouco atraente.

Aqui têm, pois, a 1ª parte do “Ulisses”, na sua forma primitiva oriunda da Colecção Condor, revista cuja raridade e interesse a torna um item muito valioso, avidamente procurado ainda hoje pelos coleccionadores. Quem, por seu turno, possuir o nº 6 dos Cadernos Moura BD, terá assim a oportunidade, num exercício lúdico e estético sempre estimulante, de comparar estas páginas com a sua réplica primorosamente retocada por Jobat.

Nota: para ler a história, com maior ampliação, clicar duas vezes sobre as imagens.

Jobat Ulisses 1 e 2

Jobat Ulisses 3 e 4

Jobat Ulisses 5 e 6

Jobat Ulisses 7 e 8

Jobat Ulisses 9 e 10