TEMAS DESPORTIVOS

HISTÓRIA DO CAMPEONATO MUNDIAL DE FUTEBOL (2)

Cartaz da Copa do Mundo 1934A segunda Copa do Mundo realizou-se em Itália, no ano de 1934, já com os regimes fascistas a expandir-se pela Europa — o que permitiu ao ditador Benito Mussolini usar em seu próprio benefício a vitória no torneio, disputado por 16 países de três continentes, incluindo, pela primeira vez, o africano. A equipa de Portugal, treinada por Ribeiro dos Reis, participou também na fase de qualificação, mas foi eliminada pela Espanha, com duas derrotas, uma delas histórica e “humilhante”: 9-0 no primeiro jogo, em Madrid. As redes espanholas, defendidas pelo famoso Ricardo Zamora, sofreram apenas um golo no segundo encontro. Balanço final: 11-1 a favor de nuestros hermanos, que no futebol, pelo menos, nos têm dado “água pela barba”.

Itália (vencedora da Copa do Mundo 1934)

Graças a esta grande competição internacional organizada pela FIFA, que chegava também à Europa, depois de atribulado início num país da América do Sul, o Uruguai — primeiro vencedor da prova (ver aqui o post anterior), mas que recusou participar no torneio europeu, resignando ao título —, o futebol começou a impor-se como o desporto das multidões e a servir de meio de propaganda política aos regimes mais totalitários, num continente que se aproximava a passos largos da maior hecatombe da sua história.

História world cup - 7 e 8História world cup - 9 e 10História world cup -11 e 12

A rematar este 2º capítulo da história do Campeonato Mundial de Futebol, com desenhos de Colin Andrew, publicada entre os nºs 244 e 251 do Mundo de Aventuras (2ª série), aqui têm outra página com Gauchito, a impagável “mascote” da Copa do Mundo da Argentina (1978), em que os árbitros e os guarda-redes continuam a estar na “berlinda”.

Gauchito 2

TEMAS DESPORTIVOS

HISTÓRIA DO CAMPEONATO MUNDIAL DE FUTEBOL (1)

MA 247 - 787Este mês, na comunicação social e na blogosfera, os temas mais correntes continuarão a ser o futebol e a política, por causa da Copa do Mundo (em que Portugal entrou com o “pé esquerdo”), das dissenções internas no PS, com a “guerra aberta” entre Costa e Seguro, e dos novos “chumbos” do Tribunal Constitucional, que lançou mais um anátema sobre o governo por este não respeitar a lei fundamental do país.

Para não fugir à regra, também o nosso blogue centrará a sua atenção no desporto-rei — que já aqui foi abordado algumas vezes —, pondo de lado, et pour cause, a política.

Em 1978, quando o campeonato mundial teve lugar na Argentina, o Mundo de Aventuras (que era, então, coordenado por mim) ofereceu aos seus leitores, a partir do nº 244, de 1/6/1978, uma longa série de tiras ilustradas com a história dessa grande competição desportiva, desde a sua origem, em 1930, até ao anterior campeonato, realizado em 1974, na Alemanha Ocidental.

Essas tiras, distribuídas por uma agência de imprensa, a Dias da Silva, à qual comprávamos muitas séries de BD, eram de origem inglesa e tinham a assinatura de um ilustre desconhecido (pelo menos, por estas bandas), de seu nome Colin Andrew, nascido em Dundee (Escócia), em 1933, e falecido em 2013.

MA 243 - Anúncio com cor no fundoO material era bom, com uma colorida, embora sumária des- crição dos principais incidentes, participantes e jogos que assi- nalaram o percurso triunfante do Campeonato do Mundo, e um grafismo que mantinha a tradição inglesa de linearidade, perfeição e realismo.

Aqui têm, para começar, as doze primeiras strips dessa série, alusivas aos primórdios da competição, no distante ano de 1930. O país organizador, escolhido pela FIFA, foi o Uruguai, o que levantou sérios problemas de transporte às equipas europeias participantes (apenas quatro), constituídas ainda por atletas amadores. Houve, portanto, nesse primeiro torneio, maior afluência de países do continente americano, incluindo o Brasil, única selecção a figurar, até hoje, em todas as Copas do Mundo.

Nas próximas semanas, acompanhando o interesse mediático despertado por um acontecimento desportivo desta natureza, apresentaremos as restantes tiras publicadas no Mundo de Aventuras, entre os nºs 244 e 251.

História world cup - 1 e 2 História world cup - 3  e4História world cup - 5  e 6

Mas há mais… Juntamente com esse material, que o MA adquiriu em exclusivo, foi distribuída outra série dedicada ao desporto-rei, em estilo caricatural, onde figurava a “mascote” da Copa do Mundo de 1978, representada por um garoto em trajes folclóricos chamado Gauchito (nome e trajes inspirados no símbolo nacional da Argentina: o gaúcho), a quem fora atribuído o triplo papel de jogador, espectador e comentador desportivo, para gáudio dos amantes do futebol e das tiras humorísticas.

Gauchito 1    796

 

QUANDO O FUTEBOL VOLTOU AO CAVALEIRO ANDANTE – 3

Aqui têm mais seis páginas da série desportiva, com fotografias das equipas, fichas dos jogadores, emblemas e informações várias sobre os clubes de futebol da 1ª divisão nacional (época de 1959-60), que o popular semanário juvenil Cavaleiro Andante ofereceu aos seus leitores, entre os nºs 437, de 14 de Maio de 1960, e 454, de 10 de Setembro do mesmo ano, quase sempre com destaque na capa e na terceira página.

CA Futebol 7  531Os respectivos textos, embora não assinados, alardeavam a competência e os conhecimentos de um especialista na matéria, que com toda a probabilidade seria o jornalista Carlos Pinhão, coordenador do suplemento Desportos do Cava- leiro Andante, que teve publicação regular, em duas séries — desde o nº 62 até ao nº 313 —, e deu grande destaque a várias modalidades desportivas (incluindo obviamente o futebol).  

A maioria desses artigos tinham pitorescas ilustrações de Artur Correia, que já então fazia jus ao título de um dos maiores valores da BD humorística portuguesa.

Nestas páginas, correspondentes aos nºs 444, 445 e 446 do Cavaleiro Andante, as equipas em foco eram três das mais populares e competitivas dessa época: Boavista, Belenenses e Sporting da Covilhã.

Os nossos leitores que queiram consultar os posts anteriormente apresentados com este tópico, podem clicar aqui e aqui.

CA Futebol 1 e 2CA Futebol 3 e 4CA Futebol 5 e 6

A VOLTA A PORTUGAL EM BICICLETA

Nicolau_e_Trindade_dos_anos_30Com o futebol um pouco “adormecido” durante o estio — ou, pelo menos, mais afastado das competições nacionais até ao início de nova época —, Julho e Agosto são meses tradicionalmente dominados por outra grande modalidade desportiva, o ciclismo, com destaque para o Tour de France e, no nosso (mais tacanho) circuito caseiro, a Volta a Portugal, que já chegou ao fim da sua 75ª prova, com a vitória de um galego, Alejandro Marque, e da sua equipa.

Volta a Portugal 1Ao vermos as imagens, nos telejornais, dos velozes ciclistas que se lançam briosamente ao assalto das estradas e das pistas de montanha onde a glória pode estar à sua espera, perpassam-nos pela memória os nomes e os feitos de grandes ídolos do passado como Fausto Coppi, Gino Bartali, Louison Bobet, Jacques Anquetil, Eddy Merckx, Bernard Hinault, Miguel Indurain, José Maria Nicolau, Alfredo Trindade, Alves Barbosa, Moreira de , Ribeiro da Silva, Joaquim Agostinho, Marco Chagas e outros mais, que os autores de BD, nalguns casos, ajudaram também a cobrir com os louros da fama.

agostinho_joaquimUm desses exemplos, no sumário historial desportivo da BD portuguesa, é “Um Campeão Chamado Joaquim Agostinho”, episódio publicado no vespertino A Capital, durante a Volta a Portugal de 1973, cujo registo biográfico se transformou numa autêntica reportagem ilustrada, graças ao traço dinâmico e às envolventes composições de Fernando Bento, para quem o ciclismo não era um tema inédito.

Em 2010, associando-se às celebrações do centenário do genial Artista, o Gicav, promotor e organizador do Salão de BD de Viseu, reeditou esse trabalho — perdido, como tantos outros, nas páginas de jornais que já não existem — em homenagem ao talento do Mestre também já desaparecido, dedicando-lhe um magnífico álbum de grande formato, a fim de permitir aos seus indefectíveis admiradores uma apreciação mais perfeita do expressivo e documental estilo exibido nessas 16 pranchas, quase como se estivessem a admirar os originais.

Joaquim Agostinho Capa+1

Joaquim Agostinho 2 + 3

Ao longo da sua prolífica carreira, Fernando Bento fez várias ilustrações sobre temas desportivos, incluindo caricaturas de “ases” do ciclismo n’Os Sports e tiras sobre a Volta a Portugal na secção infantil do República. No Cavaleiro Andante chegou mesmo a contar a história do popular velocípede de duas rodas numa página recheada de curiosos apontamentos sobre a evolução da sua forma e do seu funcionamento. Nascida de uma ideia totalmente absurda, que era a da locomoção pedestre num ridículo veículo de madeira sem pedais, a bicicleta tornou-se, graças a um pequeno acidente, o meio de transporte ideal (embora destinado a poucos passageiros), antes da invenção do automóvel, e ganhou direito de cidadania em todos os países do mundo.

Volta a Portugal 3

CAVALEIRO ANDANTE 146A página que aqui reproduzimos foi publicada no nº 23, de 7/6/1952, do Cavaleiro Andante, onde tempos depois não tardariam a surgir vários episódios curtos sobre temas desportivos, na sua maioria desenhados por Jean Graton (o futuro criador de Michel Vaillant), que dedicou também especial atenção às peripécias e às emoções do desporto mais popular, logo a seguir ao futebol, em Espanha, França, Itália, Bélgica, Portugal e noutros países europeus.

Mas dessas histórias (e de outras que as antecederam) falaremos com mais detalhe em próximos artigos sobre este aliciante (e pouco divulgado) tema.

A título de curiosidade, apresentamos também uma página com um mapa da 19ª Volta a Portugal (cujo vencedor foi Alves Barbosa), publicada no Cavaleiro Andante nº 242, de 18/8/1956, em que a rapaziada podia seguir as etapas da prova e fazer, ao mesmo tempo, uma espécie de jogo com os amigos, que consistia simplesmente em anotar no mapa os seus prognósticos para os vencedores de cada etapa, somando 10 pontos quando acertavam.

Os pitorescos “bonecos” que ilustram essa página, com um traço humorístico inconfundível, são de Artur Correia, um dos mais apreciados e mais antigos colaboradores da revista, cujos trabalhos recheavam o suplemento infantil O Pajem.


Volta a Portugal 2

QUANDO O FUTEBOL VOLTOU AO CAVALEIRO ANDANTE – 2

Apresentamos hoje mais seis páginas desportivas do Cavaleiro Andante, com equipas de futebol do Campeonato Nacional da 1ª Divisão na época de 1959/60, dadas à estampa nos nºs 441 a 443 (11/6 a 25/6/1960). O assunto tinha tão boa receptividade entre os leitores que o (ainda) popular semanário continuou a dar-lhe honras de capa. As ilustrações que ornavam algumas dessas páginas eram da autoria de Artur Correia, um dos mestres da nossa BD humorística, já então com extenso e apreciável currículo.

Futebol no CA - Porto

Futebol no CA - Académica

Futebol no CA - Lusitano

Nesses números, mantinha-se também a fórmula das histórias completas, geralmente com 7 ou 8 páginas, oriundas da revista italiana Il Vittorioso, com destaque para os trabalhos de Carlo Boscarato, Renato Polese, António Sciotti e Alberto Tosi — embora, nesse tempo, os nomes destes desenhadores (e de muitos outros) não fossem conhecidos, salvo raríssimas excepções, dos leitores portugueses. Esporadicamente, também surgiram histórias completas de origem nacional, ilustradas por José Garcês e Fernando Bento.

A título de curiosidade, recordamos alguns desses episódios, pela ordem em que foram publicados no Cavaleiro Andante: “A História de Best Munior” (A. Sciotti), nº 437; “Há um Avião em Perigo” (R. Polese), nº 438; “O Tigre de Sanguém” (J. Garcês), nº 440; “Bisonte Vermelho” (C. Boscarato), nº 441; “A Verdadeira Coragem” (C. Boscarato), nº 442; “A Caminho da Terra do Ouro” (R. Polese), nº 443.

ao em perigo

O Tigre de Sanguem575

A Verdadeira Coragem e A Caminho da Terra do ouro

QUANDO O FUTEBOL VOLTOU AO CAVALEIRO ANDANTE – 1

Aqui têm mais algumas curiosidades do futebol que preencheram as páginas das revistas portuguesas de banda desenhada,  nomeadamente do Cavaleiro Andante, já na fase em que este popular semanário — o grande rival do Mundo de Aventuras na década de 50 — começava a sentir os efeitos de um lento mas irreversível declínio.

Desportos 105Depois de apresentar durante vários anos um suplemento desportivo, desde o nº 62 até ao nº 313,      o Cavaleiro Andante, dirigido por Adolfo Simões Müller, resolveu incluir no seu sumário uma série de artigos dedicados às principais equipas do Campeonato Nacional da 1ª Divisão, na época 1959/60. Essa publicação teve início no nº 437, de 14/5/1960, englobando referências à origem e ao historial dos clubes, com destaque para os seus triunfos mais importantes, e aos jogadores que pertenciam às equipas de honra. Trata-se, sem dúvida, de um valioso documento de época para todos os amantes do futebol, que através destas páginas do Cavaleiro Andante — inspiradas numa ideia semelhante posta em prática pelo semanário italiano Il Vittorioso, pouco tempo antes — podem recordar os seus clubes favoritos e as respectivas equipas… tal como eram há 53 anos!

Esta nova série desportiva do Cavaleiro Andante, recheada de informações e de fotos sobre os jogadores que disputavam o Campeonato Nacional da 1ª Divisão, prolongou-se até ao       nº 454, de 10/9/1960, quase sempre com destaque na primeira página, o que deve ter ajudado a aumentar as vendas da revista durante esse período — que anunciava já tempos de crise e de inevitáveis mudanças, com as histórias em continuação a serem  substituídas pouco a pouco por episódios completos, mais do agrado (aparente) dos leitores.

Recordamos hoje as quatro primeiras equipas apresentadas nesses números do Cavaleiro Andante, com textos de um “sabichão” na matéria, que não quis quebrar o anonimato; mas supomos tratar-se de Carlos Pinhão (1924-1993), jornalista desportivo com largo currículo, bem conhecido no seu meio profissional.

(Nota: Agradecemos a José Menezes por nos ter facultado a imagem que ilustra este texto, com a capa de um dos suplementos desportivos do Cavaleiro Andante)

CA - Futebol 1 e 2

CA - Futebol 3 e 4

CA - Futebol 5 e 6

CA - Futebol 7e 8