IMAGENS DO PASSADO – 1

Esta foto histórica, com quatro dos maiores desenhistas brasileiros do século XX, verdadeiras glórias da ilustração e das “histórias em quadrinhos”, foi extraída de uma revista da EBAL (Editora Brasil-América Lda.), a Epopeia-Tri nº 55 (Fevereiro 1986).

Ivan W. Rodrigues foi autor da “História do Brasil em Quadrinhos” (2 vols.) e de outras obras documentais de referência; A. Monteiro Filho, precursor de toda uma geração de desenhistas, lançou as histórias em quadrinhos no Brasil; André Le Blanc foi o primeiro artista brasileiro do seu género a fazer carreira nos Estados Unidos; e António Euzébio tornou-se o capista, por excelência, da EBAL, com obras admiráveis espalhadas por dezenas de revistas (muitas das quais distribuídas também no nosso país).

ARTUR CORREIA HOMENAGEADO EM MOURA

É já no próximo domingo, 15 de Abril, que se inaugura em Moura, às 15:00 horas, uma exposição de trabalhos de Artur Correia, nome incontornável da Banda Desenhada e do Cinema de Animação recentemente desaparecido, como noticiámos.

A exposição, organizada pela Câmara Municipal de Moura, está inserida na 38ª edição da Feira do Livro e decorre no Parque de Feira e Exposições (pavilhão 2) daquela cidade, até ao próximo dia 26 de Abril.

Mais do que uma exposição sobre o conjunto da vasta obra de Artur Correia (iniciada, em 1948, n’O Papagaio), esta significativa mostra detém-se, maioritariamente, em material poucas vezes ou nunca antes exposto em público: esboços, ilustrações avulsas, argumentos e guiões, pranchas inéditas, cartunes, projectos começados e nunca concluídos, storyboards, postais ilustrados, jogos, revistas, capas de discos, filmes de animação, cartões de Aniversário e de Natal personalizados… Enfim, um vasto e diversificado leque de trabalhos que, certamente, encantarão quem tiver a oportunidade de ir a Moura, no coração do Alentejo.

E muita gente da “tribo” da BD se perfila já para marcar presença no dia 21 de Abril, sábado, data da sessão de homenagem póstuma, que inclui também o lançamento de mais um número dos “Cadernos Moura BD”, dedicado a Artur Correia (com duas histórias inéditas: “Donzela que vai à Guerra” e “A Nau Catrineta”). Será, também, exposto um conjunto de testemunhos (escritos e desenhados) de colegas de ofício e amigos de Artur Correia, que quiseram, dessa forma, associar-se a esta bela homenagem.

Nota: noticiário extraído do blogue BDBD (http://bloguedebd.blogspot.pt), a cargo de Luiz Beira e Carlos Rico. Em devido tempo, como anunciou, este blogue publicará a reportagem que se impõe sobre a meritória iniciativa da Câmara Municipal de Moura. Até lá, porque não uma visita à Feira do Livro e à grande exposição de Artur Correia, no próximo dia 21 de Abril?

IN MEMORIAM: SERVAIS TIAGO (1925-2018)

Lisboeta, nascido a 16 de Junho de 1925, Armando de Almeida Servais Tiago colaborou em revistas como Sempre-em-Pé, Filmagem, O Mosquito, Diabrete, Cartaz, Riso Mundial, O Século, Boletim do Clube Português de Banda Desenhada ou Almada BD Fanzine.

Foi um desenhador de estilo caricatural e humorístico, sendo “Barnabé” (que se estreou em 1945 n’O Mosquito) o seu personagem de BD mais emblemático. Fez ilustrações e capas de livros, tendo-se, também, dedicado ao cinema de animação (criou os estúdios Movicine), obtendo alguns prémios em festivais internacionais.

Em 1943, com apenas 18 anos de idade, produziu “Automania”, filme inspirado no grafismo de Walt Disney e dos seus colaboradores — que, aliás, também imitava nas suas histórias aos quadradinhos —, com o qual venceu várias competições, incluindo o prémio Galo de Ouro da Pathé-Baby, o Troféu Ferrania e a Taça do Melhor Filme do Concurso Nacional de Cinema de Amadores. Ainda hoje, segundo Paulo Cambraia, é o filme português de animação original mais antigo, completo e em bom estado.

Em 1946, Servais Tiago começou a trabalhar nos estúdios Kapa, onde adquiriu conhecimentos mais profundos sobre a técnica de animação. Fez vários filmes publicitários, dos quais se destacam “Perfumes Kimono” (1946) e “Malhas Locitay” (1946), realizando ainda os primeiros filmes de animação portugueses a cores: “Tricocida” (1955) e “Grandella” (1956). Para a RTP, da qual foi também colaborador, criou o famoso “Zé Sempre em Pé”.

Servais Tiago faleceu tragicamente em Lisboa, no passado mês de Fevereiro, vítima de atropelamento. Com 92 anos, era o decano dos autores portugueses de BD e um dos últimos pioneiros do cinema de animação (como Artur Correia, de quem foi grande amigo), mas nunca teve as homenagens que merecia. Nem sequer depois da sua morte…

Nota: parte deste texto foi adaptado dos blogues BDBD e Animação Portuguesa. Ver “post” mais completo, com vídeo, no blogue A Montra dos Livros.

A “BOTINHAS”

Mais um triste aniversário, hoje… mas é bom recordar os entes que marcaram, de uma maneira ou de outra, a nossa vida. Jorge Magalhães traduziu este sentimento numa poesia que partilhamos com os nossos leitores.

Poema de Botinhas

Poesia Felina-13, publicada em 6 de Março de 2015 no blogue de Catherine Labey Gatos, Gatinhos e Gatarrões.

IN MEMORIAM: ARTUR CORREIA (1932-2018)

Artur Correia e alguns dos seus personagens retratados por Zé Manel

O cineasta [e autor de BD] Artur Correia, que foi distinguido este ano pela Academia Portuguesa de Cinema com o Prémio de Carreira SOPHIA 2018 e premiado, em 1967, no maior Festival de Cinema de Animação do mundo, morreu na passada quinta-feira, dia 1 de Março, aos 85 anos.

Segundo a informação divulgada pelo Cine Clube de Avanca, em cujos estúdios de animação foi produzida a série “História a Passo de Cágado”, a obra de Artur Correia “marca de forma indelével vários momentos da história do cinema de animação português”.

Artur Correia iniciou-se na animação nos anos 60 e foi o primeiro cineasta português distinguido no maior Festival de Cinema de Animação, em Annecy (França), onde o seu filme “O Melhor da Rua” ganhou o prémio Melhor Filme Publicitário (1967).

Os filmes de Artur Correia receberam várias distinções, nomeadamente no campo do cinema de animação publicitário, tendo sido laureados com prémios em Veneza, Cannes, Hollywood, Bilbau, Nova York (1968 e 1969), Argentina (1970), Tomar (1981) e Lugano (1983).

A primeira série portuguesa de animação, realizada por Artur Correia [e Ricardo Neto], em 1988, foi “O Romance da Raposa”, adaptação do célebre romance homónimo de Aquilino Ribeiro, que se transformou rapidamente num dos maiores sucessos da indústria audiovisual portuguesa.

Artur Correia aliava o seu trabalho na animação [como fundador da Topefilme] à autoria de ilustrações e de álbuns de banda desenhada. Entre eles, as obras de vulto “História Alegre de Portugal” e “Super-Heróis da História de Portugal” [em parceria com o argumentista António Gomes de Almeida], que obteve o prémio Melhor Álbum no AMADORA BD 2005. [Há cerca de dois anos, este volume foi reeditado em fascículos, com grande êxito, pelo jornal Correio da Manhã].

Em 2011, Artur Correia recebeu o Prémio de Honra do supracitado Festival de Banda Desenhada da Amadora, certame em que marcou presença desde o seu início.

Nota: texto reproduzido parcialmente do blogue “Largo dos Correios”. Para ver esse “post” na íntegra clicar em: https://largodoscorreios.wordpress.com/2018/03/02/artur-correia-1932-2018-um-notavel-autor-de-bd-e-animacao/

Ver também: https://ovoodomosquito.wordpress.com/2018/03/05/artur-correia-1932-2018-um-grande-mestre-da-bd-humoristica-e-do-cinema-de-animacao/

IN MEMORIAM: JOSÉ MANUEL SOARES (1932-2017)

Depois de dezasseis anos num estado quase vegetativo devido a três AVC’s sofridos, faleceu no passado dia 31 de Dezembro mestre José Manuel Soares, tão ilustre pintor como autor de vasta obra pela Banda Desenhada.

Residia na Costa da Caparica e era casado com a pintora Ângela Vimonte. Nasceu em S. Teotónio (concelho de Odemira) a 7 de Setembro de 1932. Tinha uma galeria com exemplos da sua Pintura, em Leiria.
Foi homenageado pela BD, na Sobreda (1986), em Moura (1993) e, em 1996, no 15.º Festival de Banda Desenhada de Lisboa.
Colaborou para muitas publicações, como “Diabrete”, “Cavaleiro Andante”, “Pimpão”, “Mundo de Aventuras”, “Fagulha”, “Lusitas”, “O Odemirense”, “Cara Alegre”, “Jornal de Almada”, “Diário do Norte”, “Alentejo Popular”, etc.
Com vastíssima obra pela 9.ª Arte, muito poucos exemplos estão registados e recuperados em álbum, a saber:
Em 1985, pela Editorial Futura, um álbum com as narrativas “A Ala dos Namorados” e “De Angola à Contra-costa”, obras publicadas anteriormente na revista “Cavaleiro Andante”.
Em 1990, “Luís Vaz de Camões”, com edição da Câmara Municipal de Odemira.
Em 2000, pelo Grupo Bedéfilo Sobredense (GBS), o n.º 15 de “Cadernos Sobreda-BD”, com as narrativas “O Morcego de Veludo” e “Rasto de Fogo”.
Alguns outros títulos da sua arte como desenhista: “Zeca”, “O Filho do Leão”, “Giácomo, o Indesejável”, “O Ferido do Bosque”, “Zona Perigosa”, “O Palácio de Cristal”, etc.
De entre outros, desenhou argumentos de Artur Varatojo e de Raúl Cosme. Pela sua Pintura, foi digna e diversas vezes premiado.
Expôs exemplos da sua banda desenhada na Sobreda, Moura, Lisboa, Viseu e Leiria. Em Agosto de 2014, foi inaugurado em Pinhel o Museu José Manuel Soares, no primeiro andar da Casa da Cultura (antigo Paço Episcopal, edifício datado do Séc. XVIII). Uma justíssima homenagem à memória e à obra do artista, onde se pode apreciar a sua Pintura e a sua Banda Desenhada [como documenta a imagem seguinte].
Que mestre José Manuel Soares esteja agora na devida paz eterna! À sua viúva, Ângela Vimonte, apresentamos as mais sinceras condolências.

                                                                                                                    Luiz Beira/Carlos Rico

Nota: este texto e algumas imagens foram reproduzidos, com os nossos agradecimentos, do blogue BDBD. O “post” completo, com muitos exemplos da arte de José Manuel Soares, pode ser visto em http://bloguedebd.blogspot.pt/2018/01/faleceu-jose-manuel-soares.html).