CITAÇÃO DO MÊS – 50

MORENO BURATTINI (Escritor e autor de BD)

«Sou muito tranquilo em relação ao mistério do nascimento das ideias. Hoje sei que elas chegam por magia e que as histórias a contar vêm de algum lugar (nunca soube de onde) e apresentam-se sozinhas. Não sou eu que saio à caça de ideias, são elas que ficam emboscadas e saltam sobre mim quando passo pelo seu caminho».

2 thoughts on “CITAÇÃO DO MÊS – 50

  1. Caríssimo Jorge

    Não posso deixar de comentar esta citação de Moreno Burattini, porquanto o que ele expressa converge com o que me acontece na maior parte das vezes. As ideias e os projectos saltam de repente, surgem em locais nada expectáveis, de noite ou de dia. Havia alturas, quando era mais novo, que tinha um lápis e um bloco notas na mesinha de cabeceira, para o caso de ocorrer alguma ideia que se perdesse pela manhã.
    Se vêm de algum lugar, também não sei de onde. A teoria espírita explica que provém de espíritos que comunicam com os seres vivos, conforme acreditavam Arthur Conan Doyle e Victor Hugo, adeptos do Espiritismo. Não posso dizer que seja daí ou de outro lugar qualquer, porque ainda sou um céptico bastante para crer nestes pormenores, como também não sei explicar o enredo de alguns sonhos e de outros pesadelos nocturnos.
    Posso dizer é que me interrogo perante algumas circunstâncias da criação, nos textos ou nos desenhos, quando procuro “material” e ele vem de repente a pairar cerca, o que não desaproveito de todo.

    Um grande abraço

    Santos Costa

    • Caríssimo Amigo Fernando,

      Obrigado pelo seu comentário, que vem ao encontro do que eu próprio penso muitas vezes… De onde virão as ideias que nos assaltam em momentos de inspiração, quando procuramos criar algo em moldes artísticos ou literários? Como não acredito em teorias espíritas, julgo que tudo se deve à tal inspiração, essa “dama” furtiva e esquiva que vai e vem quando lhe apetece… mas nasceu connosco e se desenvolveu com os nossos progressos culturais e intelectuais, com tudo o que lemos, observámos, apreciámos e aprendemos durante a nossa vida. No processo da criação, ela desempenha o principal papel.
      Mas, de facto, às vezes, parece que são vozes do além, vozes recônditas e amigas, a ditar-nos o que escrevemos, a delinear no nosso espírito as personagens que criamos, a indicar-nos caminhos que desconhecíamos e nos conduzem a descobertas inesperadas… Ou, no caso dos artistas gráficos, a guiar-lhes a mão, os olhos e o pensamento, descerrando o véu oculto da imaginação sem o qual uma página em branco nunca se encherá com o produto da sua fantasia. Vá-se lá saber porquê!
      Como gostei muito da entrevista que o Moreno Burattini concedeu recentemente ao Tex Willer Blog (vale a pena lê-la), resolvi transcrever aquela frase tão sugestiva, que condensa, de certa forma, os lugares-comuns sobre o mistério do nascimento das ideias, no acto da criação. Mistério que só descobriremos, talvez, quando conhecermos finalmente o lugar onde habitam os seres invisíveis que nos inspiram e convivem connosco enquanto sonhamos, desenhamos ou escrevemos. Mas mistério ainda maior para mim, é a razão que nos impele a gastar tempo e energia intelectual numa actividade solitária e, às vezes, esgotante, que só partilhamos com desconhecidos (ou com raros conhecidos), como se fosse esse o objectivo principal da nossa vida, ditado por forças que não controlamos…
      Por que é que alguns nascem com esse destino e outros nem sequer passam os olhos por um livro ou ouvem uma sinfonia, deleitando-se com outros prazeres?

      Um grande abraço,
      JM

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