A VIDA DE CHE EM BD – UMA OBRA MÍTICA FINALMENTE EDITADA EM PORTUGAL

Chega dentro de dias às bancas, numa edição Público/Levoir, a biografia do ícone da Revolução Cubana, escrita por Héctor Germán Oesterheld e ilustrada por Alberto e Enrique Breccia, expoentes máximos da BD argentina e mundial. Lançada com grande êxito logo após o assassinato de Che Guevara, a sua difusão foi proibida, sendo mesmo ordenada a destruição das pranchas originais pela ditadura militar argentina. O misterioso desaparecimento do próprio Oesterheld e as lendas em torno da primeira reedição da obra em Espanha elevaram-na a um estatuto mítico.

Mais do que uma obra polémica, A Vida de Che é uma obra-prima da banda desenhada — sob a forma de novela gráfica, quando este termo e o seu conceito ainda não existiam —, pela primeira vez em versão portuguesa, recordando o 50º aniversário da morte de um dos mais célebres guerrilheiros do século XX.

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4 thoughts on “A VIDA DE CHE EM BD – UMA OBRA MÍTICA FINALMENTE EDITADA EM PORTUGAL

  1. Um dos maiores flagelos, juntamente com o seu amigo Fidel de Castro, que atingiu Cuba e por arrastamento toda a América Latina… Sacaram os governos de direita de vários países à força das balas e substituíram-nos com governos de esquerda, que mantiveram os povos sob o jugo de ditaduras de polo oposto. Que beneficiaram as populações disso? ZERO! Eram desgraçados antes continuaram desgraçados depois… A meu ver dar foro de pessoa distinta, nobre e com representação sociológica positiva, através de várias plataformas como a da Nona Arte, tão cara a todos nós, é, de alguma forma, desprezarmos as gentes e os valores morais que estes piratas assalariados no subjugo e ladroagem desses povos têm pisado e desvalorizarmos o seu sofrimento e angústia na sua sobrevivência…!!!!!

  2. Caro HF,
    Parece-nos que o que está aqui em causa não é fazer juízos de natureza política – terreno que este blogue habitualmente não pisa –, mas sim saudar o aparecimento em edição portuguesa de uma obra de indiscutível mérito no plano artístico, realizada por três grandes autores sul-americanos: Oesterheld, Alberto e Enrique Breccia, pai e filho… o primeiro dos quais foi vítima da brutal repressão da ditadura militar argentina, só por ser de esquerda e ter escrito essa obra.
    Como figura incontornável dos movimentos revolucionários que, para o bem e para o mal, eclodiram no sécuio XX, Che Guevara não podia obviamente ser ignorado pela BD. E a sua biografia em forma de novela gráfica tem tanto direito a aparecer nos escaparates como as de Hitler, Estaline, Napoleão, Júlio César, Salazar, Fidel Castro, ou de outros vultos também polémicos. O tempo e a História encarregaram-se já de julgar os seus actos, mas não é a opinião que politicamente e moralmente possamos ter deles que os farão desaparecer…
    Um abraço, em memória dos velhos tempos do MA e do Mistério Policiário.

  3. Um abraço também para si, Jorge – muito forte! Vejo que continua lúcido como nunca, apesar de declinar encontrar-se, por diversos motivos, com a rapaziada que sempre o apreciou, entendíveis, porventura, mas não aceitáveis para quem nutre por si essa simpatia de muitos anos contínuos… Sobre o Che, aceito perfeitamente a sua ideia e postura, outra coisa não seria de esperar num espaço como este. Mas a minha argumentação, sólida, sofrida e castigada, sobre a Nona Arte dedicar-se a homenagens a este tipo de pseudo-heróis – e repito, homenagens! – e perdoe ter “empurrado com a barriga” para aqui a tal política, para mim abominável, direi mesmo execrável, destas sociedades modernas, porquanto tenho ligação desde há 12 de anos com alguém proveniente da Venezuela, e das 4 vezes que ali me desloquei venho verificando como os actos desta gente a quem as pessoas de bem, na Europa e no resto do mundo realizam louvores, às vezes raiando a seres do Olimpo…, marcaram aquelas populações numa lancinante vida de desgraça e terror, naquilo que os ingleses dizem “a living hell”. E sobre esse tipo de homenagem a tipos deste jaez, em vários espaços o li, não só na Nona Arte, e não pude deixar de intervir com a minha experiência prática, de ver tanto sofrimento causado por dois ou três pseudo-revolucionários, tentando desmistificar a auréola que detêm no mundo ocidental e acima do Equador… A América latina no geral abomina-os, como deve perceber, pois nada contribuíram para a felicidade daqueles povos. E a Nona Arte é algo supremo que não combina, nem pode, com divulgações de indivíduos que ajudaram à desgraça de tantos, podendo ser alcandorados por muitos a um patamar e pedestal imerecido. Apenas isso, meu bom amigo. É algo fortíssimo que nos entra pelos olhos dentro e pela nossa consciência e não se ajusta à beleza eterna e sentida da BD, dos Comics, da Nona Arte, em resumo. No entanto, como digo, eu entendo o seu raciocínio e argumentação. Não contesto. Arte é arte, e ponto final! Para mim, e apenas para mim, e aqui o deixei manifesto, jamais interiorizarei de bom grado que se façam os elogios – pois promover imagem e filosofia de alguém que interveio na sociedade, desta forma, também é uma forma de elogio… – a uns tantos que ajudaram a infernizar a vida de milhões. E isso não tem nada a ver com política mas sim humanismo. Característica número um, na minha opinião, desta nobre Nona Arte. Fico-me por aqui. Um grande abraço meu caro JM. Tenha uma longa vida com a melhor qualidade possível.

  4. Também entendo a sua argumentação… especialmente porque conhece a América Latina e observou os efeitos catastróficos de certas políticas sobre as populações, que são sempre, em qualquer parte do mundo, as mais martirizadas. Veja-se o que ainda hoje acontece em países mais desenvolvidos do que a Venezuela, até mesmo dentro da União Europeia!
    Mas voltando ao Che Guevara: por se tratar de uma obra de alta qualidade artística, como é o caso desta polémica biografia, não podemos, na minha opinião, analisá-la estritamente por um prisma político. Acho até que esse é o menos importante, independentemente das opções tomadas pelos autores.
    Che, como qualquer outro ser humano, teve virtudes e defeitos, mas não há dúvida de que foi um idealista. Nunca aceitou, pelo menos por muito tempo, cargos de poder, continuando a sonhar com os seus ideais, que procurou impor pela luta armada. Acabou por morrer no campo de batalha e certamente era esse o fim que mais desejava.
    Não o comparo a Fidel Castro, nem ideologicamente nem eticamente. Creio mesmo que, depois da revolução cubana para derrubar um ditador, Fulgêncio Baptista, ficaram os dois em campos opostos, quando Castro se tornou também ditador.
    Mas para mim o maior fascínio desta obra, que nunca li e que por isso aguardo com óbvia expectativa, é a sua aura mítica e o desfecho pungente que teve a sua publicação, contribuindo para o trágico desaparecimento de Oesterheld – sem dúvida um grande escritor e um homem de puros ideais –, assim como de alguns dos seus familiares mais próximos, perseguidos pela ditadura militar que governava, então, a Argentina. Foi esse facto, mais até do que as suas qualidades intrínsecas ou do que a sua mensagem política, que a transformou numa obra de culto, numa BD que resistiu ao tempo. Tivesse esse sanguinário governo liderado pela junta militar procedido de outra forma, não perseguindo e liquidando um homem intelectualmente íntegro como Oesterheld (que estava muito longe de ser um agitador), e talvez hoje ninguém se lembrasse já da biografia de Che Guevara, apesar de ter sido desenhada por dois artistas da craveira de Alberto e Enrique Breccia! O próprio Che está relativamente esquecido!
    Quanto à sua primeira observação, eu não declino, de forma alguma, a ideia de me encontrar com a rapaziada de outros tempos, e até já estive em Viseu há alguns anos, para apresentação de um trabalho patrocinado pelo GICAV. Mas ultimamente, por razões várias, inclusive de saúde, essa oportunidade não voltou a proporcionar-se. E a verdade é que a idade já vai pesando… Qualquer dia estamos todos mais velhos do que o saudoso “Sete de Espadas”! 🙂
    Um abraço de muita amizade,
    JM

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