OPERAÇÃO BD NOSTALGIA NA REVISTA “VISÃO”…

… OU O REGRESSO DOS VELHOS HERÓIS!

Visão - heróis da BD 2152

Numa iniciativa que muitos bedéfilos saudarão certamente com regozijo, a revista Visão resolveu celebrar o seu 23º aniversário de uma forma especial, oferecendo aos seus leitores, durante seis semanas, uma deliciosa [sic] colecção de Banda Desenhada antiga publicada em Portugal, que começa com o saudoso Major Alveja e engloba também outros heróis de mítica fama como Mandrake, Fantasma ou Flash Gordon.

Numa altura em que alguns jornais, com inegável destaque para o Público, têm dedicado à BD uma atenção especial, apresentando colecções baseadas nos grandes clássicos da escola franco-belga e nos maiores super-heróis norte-americanos (sem esquecer o precioso filão das graphic novels), registamos naturalmente com agrado — ainda que com algumas reservas em relação ao critério selectivo, sobretudo dos dois últimos títulos — este  “brinde” aos amantes das histórias aos quadradinhos de outra época e de outro género de heróis, quando as bancas se enchiam de revistas de cariz popular, com títulos emblemáticos que ainda hoje ecoam no imaginário de várias gerações e povoadas por trepidantes aventuras, cujos arquetípicos personagens — alguns já quase com um século de existência — parecem ter o condão de viver para sempre!

Fazemos votos de que outros heróis “adormecidos” no tempo, mas não na memória dos que com eles cresceram, sonharam e viveram muitos momentos de exuberante fantasia, possam em breve voltar à acção, em iniciativas semelhantes à que a revista Visão decidiu levar a cabo para assinalar, de forma diferente, um aniversário que decerto ficará também na memória dos seus inúmeros e fiéis leitores.  

5 thoughts on “OPERAÇÃO BD NOSTALGIA NA REVISTA “VISÃO”…

  1. Boas. Mesmo com todas as reservas, apoio sem limites todas a iniciativas que visem fomentar e divulgar a leitura de BD. É para a “malta” mais velhota, talvez, mas pode surpreender os jovens dos dias de hoje que a única coisa que conhecem são ipads, telemóveis, games, etc, etc. Saudosismo, penso que não. Conhecimento? sim. Devemos, apoiar, ajudar, fomentar e divulgar estas iniciativas. Para quem como eu cresci e conheci o mundo com a BD, não posso estar mais satisfeito com a edição destas reproduções, abraços bedéfilos.

    • Caro Paulo,
      Estou plenamente de acordo com a sua opinião. Mesmo com algumas reservas quanto ao critério de selecção de títulos, uns mais representativos do que outros, esta é uma iniciativa que deve ser apoiada, para que tenha repercussões no futuro, embora em moldes diferentes.
      Tudo pode ser melhorado, mas é preciso começar por uma ponta… E a banda desenhada não pode ser dividida em classes etárias e confinada em guetos, consoante as preferências do momento. A “velha” BD popular ainda tem, certamente, um lugar privilegiado na memória e nos afectos (saudosistas ou não) de muitos leitores. Aposto que as aventuras do Major Alvega ainda hoje fariam delirar esses jovens que gostam de jogos electrónicos…

  2. Caríssimo Jorge

    Acabei de colocar no blog do Lino o que também aqui vou reproduzir “mutatis mutandis”. Para já, concordo com o comentário de Paulo Pereira. Ainda bem que não sou eu só a pensar assim.

    O poeta Sá de Miranda, dirigindo-se a uma senhora (e não ao Pacheco Pereira e ao Abrupto), cantou mais ou menos isto:
    Isto passado, quando me desponho,
    e me quero afirmar se foi assi,
    pasmado e duvidoso do que vi,
    m’espanto às vezes, outras m’avergonho.

    Serve esta entrada com letras do alheio para dizer que também me espanta o que vou lendo e vendo, principalmente, e no caso, sobre a BD.
    E o que me espanta, se não foi um petardo ou um bácoro a pedalar?
    Muito simplesmente a reacção negativa que se produz relativamente à iniciativa da Visão e do CPBD. Isto me leva a pensar – depois do espanto – que se critica porque se não divulga e se critica quando se divulga, ou seja, preso por ter cão e preso por não ter.
    Se a Visão envolve um encarte com BD, só é de apreciar a iniciativa; se o CPBD conseguiu esse feito, é de louvar a oportunidade. Ponto final.
    Dizer que é um dos exemplares, dos muitos sobre o Major Alvega em vez de ser outro, não sei onde está a questão, até porque este – pese embora as imperfeições de tratamento gráfico – é daqueles que contaram com um excelente desenhador, o John Cullen Murphy, se não estou em erro, pois o traço parece-me o dele a tal ponto que vejo no Alvega o Ben Bolt (e nem lhe falta o boxe).
    Se m’avergonho, é porque entendo que há por aí quem confunda BD dos velhos com BD dos novos e a BD não tem idade – é arte eterna (assim o espero) e lê quem quer, a mais não é obrigado. Eu leio tudo, novo e velho, e não m’avergonho de o dizer. Dizer mal ou depreciar quem quer evidenciar determinada fase das publicações através de uma amostra (ainda que discutível) é afastar possíveis leitores ou arregimentá-los para super-heróis americanos que se publicam desde os anos 30 e 40 e continuam no rótulo de leitura para novas gerações. Ou então, falando do TEX, dizer que o western era para velhos e saudosistas, quando esta série é das mais maravilhosas que se fazem na Europa, só me dá azo a soltar um palavrão.
    Como sabes, sou crítico em relação a certas coisas e, naturalmente, nem sempre tenho razão porque frequentemente me engano. No entanto, tenho de dizer que concordo com a iniciativa do CPBD e da Visão, embora, como já disse, a impressão dê a ideia de que a revista passou por um banho de azeite. E dou razão a estas parcerias ou PPP’s, porque a Parceria Público(jornal) com a Privada (que me parece ser o actual estado da BD, na sua reservada leitura para idades, conforme querem catalogar), ou a PVP, Parceria Visão e Privada, pretendem deixar no mercado, à evidência, que existem meios de entretenimento em papel para além dos tablets e quejandos.
    Louvo os jornais e revistas que apoiam a BD. A forma de os apoiar é comprá-los, ainda que o faça pelos encartes ou separatas. Sou um coleccionador silencioso, porque sou um leitor de BD imoderado. Se me chamarem antiquado ou inapreciador por ler tudo o que se faz de BD, estou nas tintas. Não me apanharão a depreciar a BD, seja ela antiga ou moderna, contemporânea ou futurista, porque a BD é uma forma de cultura e de entretenimento e é o engenho impresso de quem nela imprime a sua arte escrita e desenhada. O mais, são tretas.
    Gostaria de prever o que os críticos da BD dos anos 40 e 50 do séc. XXI dirão da BD do primeiro quartel do mesmo, se ainda existir papel para imprimir. Dirão que as publicações de hoje foram feitas por cavernícolas?!

    Vou ser sincero, mais uma vez. Este formato agrada-me, pois evidencia a imagem e lhe dá uma envergadura adequada. Tivesse a Visão a “visão” de continuar a publicar mais números de O Falcão e do Mundo de Aventuras, embora eu tenha a maioria deles, decerto continuaria a comprar a revista, ainda que o fizesse pelo acessório com encarte do essencial.

    Um grande abraço para si e para a Catherine
    Boa Páscoa para vocês

    Santos Costa

    • Caro Santos Costa,
      Segundo informações que tenho, o Clube Português de Banda Desenhada não esteve directamente implicado neste projecto da revista “Visão”, limitando-se a dar-lhe assistência técnica, quando tal lhe foi solicitado… como, por exemplo, fornecer para digitalização as revistas que eles tinham previamente escolhido. Só que agora, por parte de alguns críticos, cai “o Carmo e a Trindade” em cima do CPBD, como se fosse o culpado de uma iniciativa que eles consideram ter mais defeitos do que qualidades.
      Eu também manifestei algumas reservas, porque a selecção de títulos não me parece a mais lógica, mas não deixei por isso de apoiar e divulgar este projecto, com a perfeita noção de que tudo o que começa um pouco “torto” pode ser “endireitado” no futuro…
      A ideia que teve a “Visão” de apresentar uma série de revistas do tempo em que as bancas estavam cheias de publicações juvenis de todos os géneros e a BD popular era a rainha incontestável do mercado, pode não agradar a uns tantos, mas entusiasmará certamente um número muito maior de amantes das histórias aos quadradinhos. Mesmo descontando os defeitos de impressão, num papel ainda de pior qualidade do que aquele que tinha “O Falcão” – que era branco e não amarelado –, podemos dar-nos por satisfeitos por vermos como seria essa revista num formato maior, de dimensões superiores até às das edições originais inglesas.
      A propósito desta aventura do Major Alvega agora reeditada, não me parece que o autor dos desenhos seja o John Cullen Murphy, apesar das cenas de boxe estarem bem feitas. Por que razão Cullen Murphy, que na altura desenhava ainda o Ben Bolt (Luís Euripo), iria interromper o seu trabalho para se dedicar a um personagem estrangeiro, nem que fosse por poucos meses? A maioria dos artistas que desenharam o Major Alvega (aliás, Battler Britton) eram ingleses, franceses, espanhóis, italianos (caso do Hugo Pratt) e sul-americanos. Hei-de tirar o caso a limpo, mas para já não me parece que o episódio em questão seja do Cullen Murphy ou de outro desenhador americano.
      Quanto à frase final do seu comentário, que muito apreciei no seu conjunto – e que certamente chamará também a atenção de muitos visitantes deste blogue, que estarão de acordo, na generalidade, com os seus desabafos (olhe, leia o que escreveu o Paulo Pereira) –, se a “Visão” se abalançasse a um projecto dessa natureza, com um âmbito mais vasto, reeditando exemplares das revistas que, de facto, marcaram a edição de BD nos anos 70 e 80, como o “Mundo de Aventuras” e “O Falcão”, entre outras, isso seria uma autêntica pedrada no charco. E talvez algumas vozes mais dissonantes – que nalguns aspectos até têm razão – se convencessem de que, afinal, os “velhos” heróis de outros tempos ainda têm muito para dar e vender! Mesmo que lhes chamem heróis da terceira idade!
      Um grande abraço e Feliz Páscoa.
      JM

  3. Jorge

    É evidente que a crítica explícita não atinge – nem de raspão – o Gato Alfarrabista, porque evidencia a oportunidade e regista com agrado a iniciativa da Visão e do CPBD, o que demonstra o profissionalismo do meu Amigo, um dos poucos neste País que conhece profundamente o meio.
    As reservas que o Jorge ali exprime também eu as considero.

    Tinha de colocar esta adenda, não vá um leitor menos atento julgar que vim aqui incluir o blog do Gato na senda de quem – embora justamente e no seu direito – contrarie a iniciativa pela escolha, selecção, montagem e o diabo a quatro…

    Mais um abraço

    Santos Costa

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