O CARNAVAL DO “DIABRETE”… HÁ 72 ANOS!

Em 1944, iniciando uma tradição que se manteve até ao último ano da sua existência, o Diabrete festejou o Carnaval “a época do sonho”, em que “os meninos e as meninas se mascaram e se julgam transportados, por graça de misteriosa varinha de condão, a um mundo distante e diferente” — com uma feliz iniciativa que iria espalhar a alegria e o alvoroço entre alguns dos seus leitores mais folgazões, residentes de norte a sul do país.

Como estava escrito em letras gordas no rodapé da primeira página do nº 163, dado à estampa em 12 de Fevereiro de 1944, a oito dias do início da quadra carnavalesca, esse número inseria nada mais nada menos do que “6 fatos de máscara”.

Aqui têm, na mesma imagem, o cabeçalho e o rodapé desse número.

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Claro que não se tratava de máscaras completas, como nas lojas, mas sim de “seis lindíssimos figurinos” criados por um exímio desenhador, cujo nome já era bem conhecido da juventude portuguesa, sobretudo daquela que não dispensava a leitura, todas as semanas, do seu “grande camaradão”. Ora o Diabrete enfrentava, nessa época, a larga audiência e a radiosa fama do seu principal concorrente, O Mosquito, onde fazia também brilhante figura outro notável desenhador português: Eduardo Teixeira Coelho.

Mas o facto de ambas competirem no mesmo terreno com todas as “armas” ao seu alcance, não significava que as hostes estivessem divididas, isto é, muitos leitores d’O Mosquito gostavam também de ler o Diabrete, e vice-versa. E o apreço que nutriam pelo talento de E.T. Coelho, então ainda na fase de ilustrador, com um pujante estilo realista que rivalizava com os dos melhores artistas estrangeiros do seu género, equiparava-se ao que sentiam pelos trabalhos de Fernando Bento, cuja pitoresca arte decorativa dava uma alegre vivacidade e uma sofisticação especial a todos os números do Diabrete.

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A página que acima reproduzimos, com uma sugestiva ilustração de Fernando Bento, abria as “cortinas” de um “palco” onde se exibiam seis maravilhosos e originais trajos de Carnaval (nada fáceis de confeccionar, aliás!), criados pelo traço exuberante e pela pueril fantasia de um desenhador cuja carreira começara precisamente no teatro.

Para tornar a sua “ideia luminosa, espantosa e estonteante” ainda mais irresistível, o Diabrete decidiu promover uma espécie de concurso entre as hábeis mães (ou tias e avós) costureiras, oferecendo aliciantes prémios aos seus leitores mais prendados, isto é, vestidos a preceito e prontos a posar para o fotógrafo. Naquele trágico tempo de guerra, cujos ecos ribombavam ainda além-fronteiras, e de carestia para inúmeras famílias portuguesas, não eram muitos, certamente, os miúdos que podiam dar-se ao luxo de pedir aos pais uma boneca ou uma bola de futebol! Nem sequer de concretizar um sonho ainda mais ambicioso: tomar parte num desfile de máscaras carnavalescas.

Quanto aos vistosos figurinos criados por Fernando Bento (em que os rapazes estavam em supremacia), note-se que foram inspirados nalguns dos personagens que animavam as páginas do Diabrete (menos o Tarzan, que só usava tanga!), com relevo para um dos mais carismáticos: o azougado saloio Zé Quitolas, com o seu trajo típico e o seu “burrico” pela trela, que graças ao versátil traço de Fernando Bento tantas e tão divertidas peripécias proporcionou aos pequenos leitores do “grande camaradão de todos os sábados”.

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OS DOZE DE INGLATERRA – por E.T. Coelho (3)

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A propósito do álbum “Os Doze de Inglaterra”, reedição de uma magnífica narrativa histórica de E.T. Coelho, publicada originalmente n’O Mosquito, em 1950/51, informamos que a editora Gradiva irá lançá-lo dentro de dias no mercado, como confirma o convite que já recebemos e que com todo o prazer divulgamos neste blogue.

os-doze-de-inglaterra-2Mas já houve uma espécie de lançamento prévio durante a tertúlia d’O Mosquito efectuada, como habitualmente, em meados de Janeiro, com um almoço-convívio em que participaram, num ambiente de viva cama- radagem, mais de meia centena de efusivos “mosquiteiros”. O director da Gradiva, dr. Guilherme Valente, aproveitou a ocasião para expor pela primeira vez em público um exemplar do álbum, acabado de sair dos prelos, e algumas páginas impressas em grande formato, para que fosse possível admirar ao pormenor toda a beleza, realismo e perfeição desta extraordinária obra de arte, com mais de 100 páginas, que graças aos bons ofícios de José Ruy, um velho amigo e profundo admirador de E.T. Coelho — de quem foi companheiro de tertúlias e colega de trabalho n’O Mosquito —, pôde ser fielmente restaurada, na sua integral dimen- são estética e tipográfica, expurgando-a dos defeitos com que apareceu na revista, sobretudo os cortes nos desenhos, por causa das legendas com demasiado texto. Houve, por isso, que refazer essas legendas, tarefa também a cargo de José Ruy — que merece indiscutivelmente um grande voto de louvor por todo o empenho com que se dedicou, colaborando graciosamente com a Gradiva, à realização desta obra.

Os nossos leitores podem apreciar neste post uma página da nova versão de “Os Doze de Inglaterra” e uma breve reportagem fotográfica (a cargo de José Boldt) da “ante-estreia” do álbum que o editor Guilherme Valente quis mostrar a todos os admiradores de E.T. Coelho (e muitos eram) presentes no convívio comemorativo dos 80 anos d’O Mosquito.

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MULHERES FANTÁSTICAS – 6

A RIVAL DE DRÁCULA

Mulheres Fant]asticas 6 018Naja, a poderosa rainha sedenta de sangue, insaciável até no amor, que escraviza os melhores guerreiros, obrigando-os a lutar até à morte na sua arena… enquanto se entrega a actos lascivos que redobram o seu draculiano prazer. Outra personagem da épica e erótica série Korsar, realizada pelo artista catalão Esteban Maroto, o mais extraordinário criador de mulheres fantásticas!

JOSÉ BATISTA: RETROSPECTIVA – 8

A HOMÉRICA ODISSEIA DE ULISSES (2ª parte)

Continuamos hoje a apresentar as lendárias aventuras de Ulisses, num trabalho com o traço de José Batista, dado à estampa em 1956, no fascículo nº 57 da famosa Colecção Condor, editada pela Agência Portuguesa de Revistas (APR), onde Jobat foi, durante muitos anos, um dos principais elementos do seu selecto e privativo grupo de desenhadores.

Ulisses (Col Condor)Inspirada no filme homónimo de 1954, produzido pelos estúdios italianos da Cinecitta — com dois popularíssimos actores norte-americanos, Kirk Douglas e Anthony Quinn, então no auge das suas carreiras, contracenando com as formosas vedetas italianas Silvana Mangano e Rossana Podesta —, a história ilustrada por José Batista é o seu primeiro trabalho de fôlego em banda desenhada, revelando já um grande apuro técnico e artístico, sobretudo no domínio do preto e branco, a par de uma total fidelidade aos pormenores, como trajes, adornos, armas, navios, cenários, paisagens, edifícios, que foi capaz de retratar com minúcia, verosimilhança e realismo, baseando-se numa série de fotogramas da obra cinematográfica. É por isso que as feições de Ulisses, Telémaco, Antínoo, Penélope, Nausica e das outras personagens da fantástica odisseia correspondem, com  inexcedível perfeição, às dos célebres actores que as encarnaram na tela. Registe-se, a título de curiosidade, que a capa da Colecção Condor foi confiada a outro desenhador da APR, já com mais experiência do que Jobat, mas com um estilo diferente: Carlos Alberto Santos.

Em 2005, os Cadernos Moura BD reeditaram no seu sexto número esta história quase “perdida” de Jobat, numa versão parcialmente restaurada por causa das legendas tipográficas e de alguns traços mais defeituosos, visto ter sido impressa numa revista de pequeno formato e de modesto aspecto gráfico como era a Colecção Condor. Mas são essas páginas que preferimos dar a conhecer aos nossos leitores, por fidelidade às origens, tal como fizemos com outras histórias de Jobat já apresentadas neste blogue e reproduzidas sempre das revistas onde foram primitivamente publicadas.

A versão retocada e aperfeiçoada por Jobat (que ainda conservava todos os originais) apareceu também, em 2004, nas páginas do jornal O Louletano, dando azo a uma rubrica periódica de BD coordenada até meados de 2012 pelo talentoso artista e nosso saudoso amigo, falecido prematuramente poucos meses depois.

Nota: para ler a história, com maior ampliação, clicar duas vezes sobre as imagens. 

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A QUINZENA CÓMICA – 11

AS SOGRAS E AS “COQUETTES”

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Continuamos a focar a nossa selecção de capas do Cara Alegre nos trabalhos de José Viana, e por uma razão simples: é que ele foi um dos mais prolíficos colaboradores da revista, a partir do 2º ano, ocupando honrosamente o lugar deixado vago por Stuart Carvalhais, a quem se devem as capas dos primeiros vinte números (algumas das quais já aqui apresentadas), que por isso têm hoje um valor acrescido.

Neste novo grupo, com dois dos temas mais jocosos do vasto repertório dos humoristas, Viana está no seu elemento, brindando-nos com quatro pitorescos exemplos do que era a escola do Cara Alegre, uma revista que não tinha problemas com a censura porque recheava as suas páginas com doses de humor em estado puro. E no meio da quantidade luziam, geralmente, várias “pepitas”… com o melhor que se fazia na época!

Cara Alegre 30 e 63

CITAÇÃO DO MÊS – 21

Hermann (Grand Prix)

«Ah, não! Rejeito o termo academia. O meu traço sempre evoluiu. Se observarem os meus primeiros desenhos, verão que existe uma grande diferença entre o meu estilo dos anos 60 e o actual. Não me agarro ao intelectualismo. Acho isso artificial. Como sempre, obedeço aos meus impulsos. Ponto final».

(Excerto de uma entrevista concedida por Hermann Huppen, em 27/1/2016, ao Le Figaro, quando lhe foi atribuído o Grande Prémio do Festival de BD de Angoulême)