JAMES BOND – UMA LONGA CARREIRA NA BD

Sempre atento, no seu magnífico blogue Largo dos Correios, às notícias que circulam noutros meios de comunicação, algumas de especial interesse sobre temas que vão desde a cultura e a política até às artes de entretenimento como a Banda Desenhada, o Professor António Martinó de Azevedo Coutinho comentou recentemente um artigo vindo a público no suplemento ipsilon do jornal de referência Público (passe o pleonasmo), em que se anunciava o regresso de um dos mais populares heróis da literatura de espionagem e do cinema de acção, agora no domínio da banda desenhada (podem ver o seu post em: https://largodoscorreios.wordpress.com/2015/07/20/o-agente-007-chegou-aos-quadradinhos-ha-mais-de-cinquenta-anos-e-outras-memorias-anexas/).

James Bond (Live and let die)James Bond (Goldfinger)

Ian FlemingA notícia, ambígua quanto baste, dava a entender que era a primeira vez que James Bond — pois é dele que se trata! — atraía a atenção dos editores de comic books, o que está muito James Bond (John McLusky)longe da verdade… Embora seja mais conhecida, sobretudo pelos leitores europeus, a versão em tiras diárias publicada no jornal londrino Daily Express, entre 7 de Julho de 1958 e 22 de Janeiro de 1977, com desenhos de John McLusky e Yaroslav Horak (prosseguindo noutros jornais até 1983), James Bond, a personagem criada por Ian Fleming na novela Casino Royale (1953), também já apareceu em comic books e graphic novels, uma delas ilustrada pelo artista norte-americano Mike Grell, autor, entre outras, da série de fantasia épica Warlord (lembram-se dela no Mundo de Aventuras?). Grell ilustrou dois episódios para a Eclipse Comics, em 1989: Licence to Kill e Permission to Die, este último baseado numa história original, em três partes, cujas capas lembram imagens dos filmes.

James Bond (Mike Grell - 3)

James Bond (Dr. No)A DC e a Marvel também merecem créditos por terem publicado adaptações de alguns dos títulos mais memoráveis da saga cinematográfica estreada em 1962, começando pelo mítico Doctor No, a que se seguiram For Your Eyes Only (1981) e Octopussy (1983). Mas não foram as únicas editoras americanas a apostar em 007, que passou também pela Dark Horse e pela Topps, entre 1992 e 1995, com histórias originais e arte mais moderna de notórios desenhadores como Paul Gulacy, John Watkiss, John M. Burns, Russ Heath, David Lloyd e outros.

James Bond (Takao Saito)No império dos mangas, em meados dos anos 60, foi o artista Takao Saito que deu nova vida gráfica a algumas novelas de Ian Fleming. Quanto às revistas europeias, registe-se a presença maciça de 007 nalguns comics escandinavos, de produção própria, que duraram de 1982 a 1996, com a marca da Semic, alguns baseados em filmes como A View to a Kill (1985) e The Living Daylights (1987). Uma editora chilena, entre 1968 e 1970, também produziu histórias inéditas de James Bond, publicadas simultaneamente em Espanha.

James Bond (edição espanhola)

James Bond - Ciclone

Chegou mesmo a haver uma réplica feminina do super- -espião, curiosa variante das bond girls, que ainda deve perdurar na memória de alguns bedéfilos portugueses, pois apareceu por cá em revistas de pequeno formato  da A.P.R., como o Condor e o Ciclone (assunto para um futuro post). Estamos a referir-nos à intrépida Jane Bond, figura saída das mãos do excelente desenhador inglês Michael Hubard. E a fértil imaginação de artistas e escritores não ficou por aí, criando outras metamorfoses e chegando mesmo a arquitectar episódios da juventude de James Bond, com destaque para os que foram escritos por Charlie Higson e ilustrados por Kev Walker na inovadora série Silverfin.

James Bond (Silverfin)É fácil, por tudo isto, chegar à conclusão de que a novidade anunciada para o próximo mês de Novembro nada tem a ver com uma estreia no mundo dos comic books — como o título do citado artigo do Público parece sugerir —, mas com um renascimento, se assim lhe quisermos chamar, pela mão do desenhador Jason Masters e do argumentista Warren Ellis, sob a égide da editora Dynamite Entertainment.

Não hesitamos em recomendar a todos os nossos amigos que leiam na íntegra o excelente post do Largo dos Correios, em que o Professor António Martinó faz crítica construtiva, passando em revista alguns factos importantes (e curiosos) dos primeiros passos de James Bond nos quadradinhos. Um herói que foi criado pelo escritor e ex-espião Ian Fleming e não pela “máquina de sonhos” do cinema, embora esta muito tenha contribuído para a sua icónica popularidade, com a acção trepidante e toda a parafernália de efeitos especiais que se tornaram uma imagem de marca (e de êxito garantido) dos filmes do dinâmico agente secreto 007, ao serviço de Sua Majestade.

Bond em movimento

 

 

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