O REGRESSO DE RIC HOCHET – 1

Tibet, Duchateau e Ric Hochet

Ric Hochet (50 ans)Depois da Colecção Novela Gráfica, de tão boa (e ainda recente) memória, a BD regressa hoje ao jornal Público com uma nova série temática, em que figuram 12 aventuras de um dos mais carismáticos heróis da BD franco-belga, criado há 60 anos na revista Tintin por André-Paul Duchâteau e Tibet (aliás, Gilbert Gascard (1931-2010), nome de baptismo que não passou à história, pelo menos entre os fãs de Ric Hochet).      

Largamente divulgada também em Portugal, embora sem regularidade e numa proporção muito inferior à dos episódios  publicados na versãoRic Hochet (álbuns) francófona, que deram origem a mais de 80 álbuns (de publicação anual ininterrupta até 2010!), a série estreou-se entre nós no Cavaleiro Andante nº 183, de 2 de Julho de 1955, com um episódio completo de quatro páginas em que Ric Hochet se metamorfoseou num adolescente português chamado João Nuno, por força de um hábito que se generalizara na maioria das nossas revistas de BD, apostadas em nacionalizar o nome dos seus principais personagens. A censura, é claro, também contribuiu para isso…Ric Hochet CA 183 204

Registe-se, como efe- méride, que a primei- ra entrada em cena deste juvenil herói — na figura de um ardina bem vestido (ao contrário dos que se viam, nessa época, pelas ruas de Lisboa), e ainda com os traços caricaturais que eram típicos do estilo de Tibet, nos primeiros anos da sua carreira — teve lugar em 30 de Março de 1955, no nº 13 (10º ano) do Tintin belga, precisamente com o curto episódio que o Cavaleiro Andante não tardaria a reproduzir, embora com outro título na ilustração de capa.

Só meses depois, no nº 5 (11º ano), de 1 de Fevereiro de 1956, Ric Hochet reapareceu noutra história curta, já com um aspecto diferente, mais velho e promovido a repórter do periódico La Rafale, onde continuou a somar proezas detectivescas aos casos jornalísticos.

Tintin 13 e 5

Mas, nessa altura, tanto Tibet como Duchâteau estavam ainda muito longe de planear um futuro radioso e cheio de aventuras para o seu juvenil herói, de espírito arguto e destemido como o dos mais célebres detectives… Ric Hochet album ca 103embora já tivessem consciência, certamente, do seu grande potencial. Esse futuro acabaria por guindar os três ao topo da fama nas páginas do Tintin, onde Ric Hochet — depois do seu primeiro caso policial de “longa metragem”, com o título “Signé Caméléon” (1961), estreado entre nós num Álbum do Cavaleiro Andante — foi, durante muitos anos, um imbatível campeão de popularidade, classificando-se sempre em primeiro lugar nos inquéritos realizados às preferências dos leitores.

A propósito do título da presente colecção: “Os Ric Hochet Zorro 156Piores Inimigos de Ric Hochet”, deve- mos recordar que o Camaleão teve a primazia, desafiando o repórter detective (e o seu amigo Inspector Bourdon) no citado episódio de estreia e voltando ao ataque em L’Ombre de Caméléon (1964), aventura que os leitores portugueses puderam apreciar no Zorro, sucessor do Cavaleiro Andante.

Reproduzimos seguidamente o texto de apresentação inserido no Público de 29 de Maio p.p., referente ao álbum com que se inicia esta colectânea, uma aventura inédita de Ric Hochet (onde o Camaleão reaparece em grande estilo!), assinada pela dupla que assegurou a continuidade da herança artística de Tibet e Duchâteau, cinco anos depois do desaparecimento do primeiro e da publicação do penúltimo álbum da série.

Ric Hochet público - 1