UMA SURPRESA DO SANTO ANTÓNIO

Almanaque Santo António 1956Não é muito frequente, mas pode acontecer, por mero acaso, encontrarmos um velho amigo ou amiga num sítio absolutamente inesperado, onde seríamos capazes de jurar a pés juntos que nunca daríamos de caras com nenhum deles.

Quando assim acontece, o sentimento imediato é de surpresa e alegria, a par de uma irresistível curiosidade, temperada pela exclamação que, de chofre, nos assoma aos lábios: — Que estás aqui a fazer? Mas que extraordinária coincidência!… Há quanto tempo não te via!

Foi mais ou menos esse o pensamento que me assaltou quando um dia destes, numa banca de alfarrabista, deparei com um quase sexagenário Almanaque de Santo António (ano de 1956), publicação que já algumas vezes atraiu as minhas atenções, assim como as suas congéneres, talvez ainda mais populares, Almanaque Bertrand, Almanaque Diário de Notícias e Almanaque do Século.

Ao folheá-lo, com atenta curiosidade, porque nisto de Almanaques nunca se sabe o que poderá surgir — como nos tais encontros imprevistos —, saltou-me, de repente, à vista uma história aos quadradinhos, cujas tiras repartidas por algumas páginas exibiam um grafismo que logo me pareceu familiar… assim como o personagem principal, um garoto travesso que prega partidas aos transeuntes que passam ao pé da sua casa, de tal jeito que consegue pôr toda a rua em polvorosa!

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2015-06-12 02.11Pois, caros amigos, o meu pressentimento não me enganou, ao ver aqueles desenhos com um traço típico, perfeitamente nítido, lembrando a “linha clara” e o esfuziante humor de um certo mestre que me habituei a admirar nas páginas d’O Papagaio e do Diabrete, embora, nesses tempos, ainda mal soubesse ler e escrever. Na última vinheta desta curta história aos quadradinhos lá está, bem legível, a sua assinatura: Hergé. E no pequeno mariola, que depois de armar uma grande confusão ficou a ver o “espectáculo” com ar inocente, reconheci também um dos seus mais célebres personagens, bem conhecido dos bedéfilos portugueses, mas por outras vias: nem mais nem menos do que o Quim, isto é, o Quick, da incorrigível pandilha belga baptizada com os nomes de Quick e Flupke.

Ora digam lá se esta não foi uma bela surpresa do Santo António, ao vir ao meu encontro (acompanhado por Hergé), nas vésperas dos seus festejos populares celebrados animadamente, como manda a tradição, pelos bairros de Lisboa!

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