DIA DE PORTUGAL, DIA DE CAMÕES

“A NOSSA PÁTRIA” – um livro (raro) com arte de E. T. Coelho

a-nossa-pátria-1756Por causa do dia de Camões e de Portugal, que amanhã se comemora — e que à luz dos tempos incertos e conturbados que vivemos, sem grandes esperanças de futuro, à mercê de outras “dominações” estrangeiras, devia ser considerado o mais importante feriado nacional —, resolvemos expor na nossa Loja de Papel, em lugar de destaque, um curioso livro com um título cheio de simbolismo histórico e que interessa também aos bedéfilos, sobretudo àqueles que apreciam o talento artístico de Eduardo Teixeira Coelho, mas que poucos (muito poucos, mesmo) devem conhecer.

O grande Mestre da BD portuguesa, nascido em Angra do Heroísmo, em 4/1/1919, e falecido em Florença (Itália), em 31/5/2005, foi assíduo colaborador de editoras como a Portugália, para a qual ilustrou inúmeras capas de livros, sobretudo em colecções juvenis, extremamente populares na segunda metade do século passado, entre as quais se destacam a Biblioteca dos Rapazes e a Biblioteca das Raparigas.

A Nossa Pátria - D QuichotePara um volume da primeira, com uma versão do D. Quixote de la Mancha, o célebre romance de Miguel de Cervantes, fez também uma série de magníficas ilustrações, que já estiveram expostas na Biblioteca Nacional e ainda podem ser vistas no site desta instituição.

Na sua obra como ilustrador, que conjugou sempre com outros trabalhos, nomeadamente os de banda desenhada para O MosquitoCavaleiro Andante, ChicosCometVaillant, avultam também os que produziu para jornais como O Século e para alguns dos seus Almanaques anuais, assim como para campanhas publicitárias memoráveis (a dos Licores Âncora, por exemplo), em que são bem patentes o esmero, a harmonia, a ductilidade e o classicismo do seu traço, numa busca constante da beleza estética aliada ao dinamismo e ao equilíbrio da composição.

Um bom exemplo, entre muitos, dos seus dotes figurativos e da mestria que revelava no domínio do claro-escuro — usando sombreados leves e redes diáfanas, nesse género de ilustrações, para acentuar a poética suavidade das linhas —, encontra-se no livro intitulado “A Minha Pátria”, edição rara e sem data (mas que deve ser de meados dos anos 50), com a chancela da Editorial O Século e que versava, como o seu próprio título indica, temas nacionalistas, exaltando o amor pátrio e os feitos heróicos dos nossos antepassados.

A Nossa Pátria - ViriatoUm livro que pode ser lido como um romance histórico, embora com personagens contem- porâneas, que o narrador vai apresentando ao longo de vários capítulos, alternando cenas da vida quotidiana, num demorado périplo de norte a sul do país, com a apaixonada descrição de lugares, monumentos, belezas naturais, factos e figuras célebres do passado.

O autor (ou autores) da obra também não são mencionados, nem sequer se creditando a E. T. Coelho o seu excelente labor artístico, num total de 19 ilustrações que constituem um comple- mento perfeito do texto deste livro, embora com uma tonalidade cromática (cuja responsabilidade não deve ter sido do Artista) que em nada valoriza o impressionismo e a beleza do traço.

Para deleite de todos os admiradores de Eduardo Teixeira Coelho, a cuja obra publicada n’O Mosquito temos feito larga referência neste blogue e n’O Voo d’O Mosquito, apresentamos seguidamente, por ordem cronológica dos episódios a que se reportam, algumas ilustrações de um livro que é um autêntico compêndio da História de Portugal e um minucioso roteiro geográfico, toponímico e arquitectónico, sob a forma de amena novela — mas que passaria certamente despercebido se não tivesse o cunho artístico de um dos maiores desenhadores portugueses do século XX.

Como estamos um pouco limitados no espaço virtual disponível, a apresentação das restantes ilustrações de E. T. Coelho ficará para outra oportunidade.

Martim Moniz e Afonso HenriqueGeraldo Sem Pavor e A Morte do LidadorGualdim Pais e A conquista do AlgarvePedro e Inês e Alfageme de Santarém

2 thoughts on “DIA DE PORTUGAL, DIA DE CAMÕES

  1. Caro Alberto Soares,
    Não me esquecerei, decerto, logo que tenha possibilidades de o fazer, atendendo à programação já estabelecida para os tempos mais próximos e à “luta” contra a falta de “espaço”, pois já estamos muito sobrecarregados virtualmente.
    O livro em questão ainda aparece, às vezes, nos alfarrabistas. Comprei o meu, há tempos, por 5 euros… só por causa das ilustrações, embora o texto também tenha motivos de interesse. É pena – e até suscita alguma estranheza – que os nomes do autor e de E.T. Coelho não sejam mencionados, assim como a data da edição. Mas presumo que seja de meados (ou mesmo, inícios) dos anos 50, pois nessa altura E.T. Coelho colaborava muito com a editorial O Século.
    Um abraço,
    JM

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