CALENDÁRIOS ILUSTRADOS – 1

Natal - Diabrete 1947O número de Natal do Diabrete de 1947, que tinha na capa uma fogosa ilustração de Fernando Bento, retratando a eufórica alegria de dois miúdos no “dia mais belo do ano”, e era preenchido por histórias do próprio Bento e de outros excelentes colaboradores artísticos, como Emilio Freixas, Luís de Barros, Vítor Péon e Burne Hogarth — genial desenhador de Tarzan, um dos heróis que apareciam há mais tempo nas suas páginas —, foi para mim, numa altura em que começava a sentir-me algo desiludido com O Mosquito (então a atravessar uma fase decadente), uma edição muito especial, que ainda hoje, quando a folheio, me traz ao espírito saudosas e inefáveis recordações.

Um dos motivos, para mim, com mais interesse deste número duplo (32 páginas), eram, na altura, as histórias de Vítor Péon que o recheavam de ponta a ponta (nada mais nada menos do que quatro), principalmente uma vibrante aventura de cowboys, com o A revolta dos Navajos solotítulo “A Revolta dos Navajos”, cujas oito páginas (metade das quais a cores) formavam outro volume da tradicional colecção de fascículos com histórias completas que o Diabrete inseria, como “prenda” de Natal, nessas edições especiais (e excepcionais) ansiosamente aguardadas pelo seu público mais fiel.

Outro memorável (e precioso) brinde deste número bem condimentado de acção, aventura, humor, encanto, arte e fantasia — onde também não faltava, servido pelo traço esfuziante de Fernando Bento, o estro poético e literário do seu director Adolfo Simões Müller —, foi o calendário para 1948 publicado nas páginas centrais, outro trabalho da lavra do prolífico Vítor Péon, desenhador de traço clássico e realista, mostrando, para surpresa e gáudio dos leitores do Diabrete, o seu jeito humorístico, em doze pitorescos “quadradinhos” transbordantes de jovialidade.

Calendário Bento 1947

A bem-dizer, este curioso calendário ilustrado serve só para os dois primeiros meses do ano em curso, que começou também numa terça-feira, mas não é bissexto. Diabrete - VelhoOutra(s) importante(s) diferença(s)… é que já não há fotógrafos ambulantes nas praias (substituídos pelos telemóveis); as aulas, mesmo nas escolas primárias, reabrem mais cedo (a não ser quando o Ministério decide criar a confusão); as famílias, no S. Martinho, entretêm-se, como todas as noites, a ver telenovelas; e, no Natal, o que os mais novos esperam encontrar no sapatinho são “brinquedos” mais sofisticados do que aqueles com que se contentavam os seus avós.

Quanto ao “dia das mentiras”, graças aos novos meios de informação, multiplicou-se como as ervas daninhas, proliferando em todos os dias do ano. Talvez por isso é cada vez menor a atenção que desperta… embora possa tornar-se um potencial candidato a património cultural da Humanidade! Sinal dos tempos modernos… em que nem tudo o que é diferente tem o significado de mudou para melhor, como alguns governantes nos querem fazer crer!

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