ORIGINAIS E REPRODUÇÕES – 4

“O TERRÍVEL TIGRE DE BENGALA…”

Péon - Tigre de Bengala

Este magnífico tigre, o rei das selvas indianas, e o seu “primo” da Sibéria — ambos, actualmente, em sério risco de extinção — foram obra de Vítor Péon, um dos nossos melhores desenhadores e um mestre no género animalista, ao mesmo nível, sem exagero, de um E.T. Coelho, de um José Garcês, de um José Ruy ou de um José Luís Salinas.

Yataca 25Quando realizou este trabalho, que fazia parte de um projecto destinado à imprensa, Péon estava ainda a residir em Paris com a família. Datam, aliás, desse período outros trabalhos pouco conhecidos do grande artista, que, na sua modéstia, quase os esqueceu quando regressou a Portugal, pouco se tendo referido a eles quando era entrevistado.

Para os seus fiéis admiradores, entre os quais me incluo, desde que li as suas primeiras histórias n’O Mosquito (para dizer a verdade, não foram bem as primeiras, que surgiram em 1943/44… e nessa altura eu ainda não sabia ler), a sua melhor criação em revistas francesas foi o Yataca, uma espécie de “rei da selva” dos tempos modernos, muito mais Yataca 47civilizado do que Tarzan, cujas aventuras foram dadas a conhecer aos leitores portugueses por Roussado Pinto, que as reeditou parcialmente numa colecção de pequeno formato, com o selo da sua editora Portugal Press. Mas a verdade é que Péon, apesar de nessa época (início dos anos 70) se ter virado para a pintura, alimentando uma velha paixão que não lhe trouxe grandes benefícios profissionais nem o reconhecimento artístico que já granjeara como autor de BD, fez outros trabalhos para os chamados petits formats, revistas de bolso muito disseminadas em França até meados dos anos 80, onde a BD mais comercial e popular e os seus criadores encontraram um seguro “porto de abrigo”.

Especializando-se como autor de capas para essas publicações, nomeadamente as da editora Mon Journal (Aventures & Voyages), Péon começou ao mesmo tempo a trabalhar para a imprensa, onde se lhe deparava um nicho de oportunidades muito mais aliciante do que nas pequenas editoras de BD, e para o cinema, realizando cartazes e cenários de filmes, alguns produzidos por cineastas seus amigos. Tudo isso enquanto continuava fervorosamente a pintar… sonhando com o grande triunfo da sua vida.

Péon - Mosquito 1165A reprodução que hoje apresentamos é de um trabalho inédito, pertencente a uma série dedicada a variadas espécies zoológicas, tema que Péon sempre acalentou com grande entusiasmo, como provam algumas das suas melhores histórias — por exemplo, “Na Pista da Aventura”, soberba série publicada n’O Mosquito, em 1950, e que ficou incompleta por Péon ter seguido, entretanto, outra pista, rumo a outra aventura… — ou uma curiosa colecção de “selos” publicada também pel’O Mosquito, mas numa época anterior, inserida nas margens das suas separatas com construções de armar, e que foi totalmente realizada por Péon.

É com imenso prazer que o nosso Gato Alfarrabista e a sua Loja de Papel homenageiam a memória de um grande Artista e de um saudoso Amigo, oferecendo a todos os seus visitantes uma “peça” inédita de um dos nossos mais prolíficos e versáteis desenhadores.

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