COLECÇÕES DE CROMOS – 7

A HISTÓRIA DOS CROMOS DA BOLA  (2)

por Carlos Gonçalves

Caramelos de Futebol

Com o nascimento da Fábrica Universal, de António Evaristo de Brito, estavam criadas as condições para que os “cromos da bola” passassem a ser um autêntico sucesso no nosso país, pois tinham-se enraizado no quotidiano da mocidade da altura (ver aqui o post anterior). Havia mais fábricas de doces e rebuçados, que também publicavam, em paralelo, caramelos com cromos. A concorrência era muito forte…

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Além da Fábrica Universal, havia a Holandesa (excelente qualidade e beleza nos seus cromos, com monumentos nacionais e outros); a Fábrica Águia, que lançou uma inovação na colocação dos cromos, passando estes a ser decalcomanias (metiam-se os cromos em água e colocavam-se de face para baixo sobre a caderneta e com a unha fazia-se uma leve pressão a todo o comprimento da estampa, até que esta acabasse por ficar agarrada ao papel. Era preciso cuidado, pois, caso contrário, a estampa podia ficar com falhas).

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A estas juntavam-se a Globo, do Porto, com pastilhas elásticas e cromos do “Mickey”, em cartolina; a Fábrica Futuro; os Chocolates Regina, com cromos de futebol; A Francesa, com a História dos Automóveis e novos cromos de futebol; A Oriental, com uma grande novidade, a publicação de uma história em quadradinhos de Vítor Péon, adaptada aos cromos: Aventuras de Fred Bill; a Bloom Inglesa; a M. C. Brito, com animais, etc.

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A ÉPOCA DE OURO DOS CROMOS DA BOLA

No capítulo anterior, verificámos que António de Brito era já um industrial de sucesso, pelo que no início de Outubro de 1945 vamos encontrá-lo a fixar residência em Madrid, por dois ou três anos. O êxito seria relativamente curto. A concorrência também era assustadora.

Surgem, então, em Espanha e em Portugal, os “Caramelos Bandeiras” em cadernetas idênticas, só com a diferença das línguas maternas. Como curiosidade, lembramos também que em Espanha já existiam álbuns de cromos desde 1900, e alguns de notável beleza.

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Entretanto, foram publicadas novas cadernetas: “Azes do Futebol” e “Caramelos Desportivos de Portugal”. De volta à pátria, António de Brito fez novos lançamentos de cadernetas de cromos: “Caramelos Emblemas Desportivos, “Caramelos de Campeonatos”, “Caramelos Campeões de Futebol”, “Caramelos Azes das Multidões”, “Caramelos Azes do Pedal” e “Caramelos Artistas de Cinema”. Mas não ficou por aí…

Digitalizar0003Emblemas desportivos (cromos)

Com o grande sucesso dos cromos, a sua Fábrica desenvolveu-se e foi dividida em dois pavilhões: o de fabrico de bolachas, bolos, rebuçados, caramelos e “drops”; e noutro, os caramelos com cromos. Este era ocupado por um grupo de empregadas que enrolavam as estampas nos caramelos, enquanto outras colavam os rótulos coloridos alusivos às colecções, nas latas e meias latas. Depois de cheias, as latas eram distribuídas por todo o país em furgonetas da firma, que ostentavam, na carroçaria, a nau de velas enfunadas que servia de emblema à Fábrica Universal.

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A fábrica tinha, nos anos 50, cerca de setenta empregados, vinte dos quais eram vendedores. Foi a melhor época dos caramelos com “cromos da bola”. Em 1951/52, António de Brito resolveu partir para o Brasil, para ali tentar novos sucessos. Criou, então, nesse país, fábricas do ramo alimentar e um Banco em sociedade, do qual foi director. Todos os anos, passava alguns períodos em Portugal.

 

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