CAPAS QUE ENCHEM O OLHO – 2

TIM-TIM: UM SALTO D’O PAPAGAIO PARA O DIABRETE

papagaio 540   479Tintin (em português, noutros tempos, escre- via-se Tim-Tim), que fez há alguns dias 85 anos, sendo portanto um dos heróis da BD mais antigos de que ainda se fala — e falará, pelo menos nos próximos 50 anos! —, estreou-se em Portugal n’O Papagaio, como muita gente sabe, onde viveu, desde 16 de Abril de 1936, algumas das suas primeiras aventuras, até ir de férias no Verão de 1945, o que lhe deu direito a honras de despedida na capa do nº 540, de 16 de Agosto (que ao lado reproduzimos). A falta de assinatura permite várias especulações quanto à autoria desta capa, mas o mais provável, na nossa opinião, é ter sido realizada por Rodrigues Neves ou Jorge Brandeiro (Rembrandas), dois dos principais colaboradores da revista, nessa fase ainda muito popular junto do público infanto-juvenil. O incansável globetrotter não tardou a regressar noutra grande aventura, “O Segredo da Licorne”, que seria a última publicada pel’O Papagaio, entre o nº 617, de 6/2/1947, e o nº 679, de 15/4/1948.

papagaio 617 + Tintin 593

Tempos depois, quando o garrido semanário, com um passado cheio de tradições e de magníficos colaboradores, interrompeu bruscamente a sua carreira, transformando-se, por motivos imprevistos, num pequeno suplemento da Flama, revista de actualidades pertencente à mesma editora, Tintin fez uma transferência de arromba para o Diabrete (que há muito o cobiçava), onde viveu uma nova era de popularidade e glória.

Sob a direcção de Adolfo Simões Müller, escritor, pedagogo e poeta, que também fora o principal responsável pelo aparecimento de Tintin n’O Papagaio (e pela primeira vez a cores!), o Diabrete publicou três das melhores aventuras do jovem e dinâmico repórter que até tinha, em versão francófona, um jornal com o seu nome: “O Ceptro de Ottokar” (estreada no nº 594, de 9/3/1949), “O Tesoiro do Cavaleiro da Rosa” (idem, no nº 703, de 25/3/1950 ) e “As 7 Bolas de Cristal” (iniciada no nº 809, de 31/3/1951, e terminada no nº 887, de 29/12/1951, em que o Diabrete se despediu dos seus leitores).

Diabrete  702 +808

Todas elas fizeram as delícias dos jovens desse tempo, que as desfrutavam em dose dupla, semanalmente, nas páginas do “grande camaradão”, e de um ou outro adulto que, por curiosidade, folheava também as revistas dos filhos. O famoso herói de Hergé teve ainda o condão de inspirar a Fernando Bento, cuja fantasia gráfica o consagrou como um dos mais talentosos desenhadores do Diabrete, duas capas que merecem figurar na galeria das curiosidades avidamente procuradas por muitos tintinófilos.

Em ambas, respeitantes aos nºs 784, de 3/1/1951, e 807, de 24/3/1951 — a falta de numeração, nas capas, é um dos lapsos mais frequentes do Diabrete —, estão presentes Tintin, Milou (baptizado de Rom-Rom, como n’O Papagaio) e alguns dos seus companheiros, a par de outros heróis da revista, reconhecendo-se, por exemplo, as figuras de Bob e Lambique, protagonistas do clássico de Willy Vandersteen “Le Fantôme Espagnol” (que, no Diabrete, tomou o título de “O Mistério do Quadro Flamengo”).

Diabrete 807+ 784.

Os nossos agradecimentos a José Menezes (autor de magníficos estudos sobre O Papagaio e o Diabrete), por nos ter enviado a imagem da capa do nº 593, que serviu de introdução às aventuras de Tim-Tim e Rom-Rom no Diabrete. Reparem que está assinada por Hergé e que difere substancialmente da capa do álbum da Casterman (1939).

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