COLECÇÕES DE CROMOS – 6

Carlos Gonçalves (foto)No prosseguimento desta rubrica, começamos hoje a publicar uma série de artigos dedicados principalmente a colecções de cromos antigas e de teor futebolístico, da autoria do nosso amigo Carlos Gonçalves, grande coleccionador e estudioso da Banda Desenhada e de outros tipos de publicações, entre elas construções de armar e colecções de cromos (consta que, destas últimas, existem no seu acervo umas largas centenas!).

A Carlos Gonçalves — que foi merecidamente homenageado no recente Festival da Amadora, com a atribuição do Troféu de Honra — expressamos, mais uma vez, o nosso reconhecimento por toda a colaboração que amavelmente nos tem dispensado, desde a primeira hora.

Aproveitamos esta ocasião para prestar também uma sentida homenagem a uma grande figura do nosso desporto-rei, repentinamente desaparecida: Eusébio da Silva Ferreira, benfiquista de alma e coração, símbolo da força, da beleza e do poder do futebol português na sua época mais gloriosa, o “craque” que empolgou multidões nos estádios, o maravilhoso goleador que respeitava os seus adversários e era por eles admirado, o homem simples, de origem humilde, que se distinguiu pela simpatia, pelo desportivismo e pelo exemplo que deu às gerações futuras.

2013-05-02 16.19.56

A HISTÓRIA DOS CROMOS DA BOLA – 1

por Carlos Gonçalves

(Esta pequena resenha sobre os cromos da bola, só foi possível graças, em parte, aos estudos sobre este assunto que João Manuel Mimoso incluiu no seu site da Internet).

Um dos mentores e o mais célebre criador de cadernetas de cromos de caramelos da bola, chamava-se António Evaristo de Brito e nasceu em 1912, em Tomar. Aos 12 anos foi viver para Setúbal e trabalhou na mercearia que um seu irmão explorava naquela cidade. Foi lá que iniciou a sua actividade profissional.

Digitalizar0001Já nos anos 20, havia a Fábrica de Rebuçados Vitória (em Setúbal), que seria uma das primeiras fábricas a lançar no mercado os cromos de futebolistas. A Fábrica Águia era igualmente pioneira neste campo, tendo inclusive publicado uma caderneta de “Rebuçados Bandeiras”. A mesma fábrica, mais tarde, teve igualmente edições luxuosas e cativantes, com futebolistas e uniformes militares. Os cromos, muito vistosos, eram impressos a cores e em cartolina. As cadernetas tinham formato italiano.

Mais tarde, também apareceu uma Fábrica Victória no Porto, que lançou igualmente no mercado caramelos de cromos. Um dos factos engraçados é que essas cadernetas de pequeno formato, pouco mais eram do que um caderno escolar, de pequenas dimensões e com algumas folhas, nas quais se encontravam alguns rectângulos numerados, de 1 a 100 e de 1 a 200, onde eram colados os cromos. Estas cadernetas eram dedicadas aos temas zoológicos e históricos. Os cromos eram impressos a uma cor, mas demasiado grandes (para poderem embrulhar os caramelos), para o espaço (muito pequeno nas cadernetas), pelo que tinha de se cortar o cromo, de tal modo que este ficava reduzido a um diminuto quadradinho de papel.

Digitalizar0034Digitalizar0035 e 0036

Em 1930, António E. Brito constitui com seu irmão a Sociedade Lusitana de Confeitarias, com sede no Montijo, lançando no mercado a colecção de cromos “Rebuçados Internacionais”, que oferecia já aos coleccionadores uma bola de “cautchu”, outra de borracha, um canivete, uma caneta e mais outros pequenos brindes.

Entretanto, a Sociedade Lusitana muda de nome, devido à fusão com outras fábricas concorrentes. Aparecem, então, sob o nome da Fábrica Montijense, várias cadernetas, inclusive a “Coleção Caramelos Desportivos Emblemas Nacionais”, que também oferecia uma bola de borracha a quem apresentasse a caderneta completa.

Como curiosidade, lembramos que António E. Brito era de tal modo um sportinguista ferrenho, que nos 100 emblemas desportivos dessa colecção não constava o do Benfica!

Digitalizar0019

Ainda na década de 30, António E. Brito e seu irmão fundaram outra sociedade, a Industrial de Confeitarias, já com sede em Lisboa, que publicou novas cadernetas.

Uma desavença entre os sócios fez com que António E. Brito acabasse por criar a Fábrica Confeitaria Universo, igualmente com sede em Lisboa. As cadernetas foram melhorando no seu aspecto gráfico e na qualidade do papel. São dessa data os “Futebolistas de Portugal” e as “Caricaturas Desportivas”, esta com desenhos de José Pargana (1928-1988).

Digitalizar0014Caricaturas Pargana (Sporting) e BenficaDigitalizar0015

No início dos anos 40 nasceu a Fábrica Universal, na continuidade do nome usado até ali pelo mesmo empresário. Em 1944, António E. Brito era já um industrial com algum sucesso. A sua Fábrica empregava cerca de 60 pessoas e preparava-se para lançar novas cadernetas, desta vez em Espanha.

 

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2 thoughts on “COLECÇÕES DE CROMOS – 6

  1. Obrigado, amigo Paulo. Este post sobre os cromos da bola já estava preparado há algum tempo e a sua edição coincidiu com a morte do grande Eusébio, o King que pôs todo o país a chorar a sua perda.
    Embora não seja simpatizante do Benfica, sempre admirei a arte, o talento, a vontade de vencer e a personalidade simples e cativante daquele que foi, sem dúvida, um dos maiores futebolistas mundiais de todos os tempos. Um dos poucos que era respeitado por toda a gente, incluindo adversários e adeptos de outros clubes, um símbolo do desporto português, até nos mais remotos países do mundo, uma glória nacional que, mesmo sem estátuas e panteões, ficará no coração do povo que o acolheu e com quem ele se identificou de tal forma que para sempre se dirá: Eusébio é português!

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