O HUMOR DE AUGUSTO TRIGO – 1

Image converted using ifftoanyGeralmente considerada mais acessível, em termos criativos, do que a BD de estilo realista (o que é um erro), a BD humorística chega, geralmente, a um universo de lei- tores muito mais vasto, o que explica o êxito de grandes séries de renome mundial, publicadas em milhares de jornais e revis- tas, e as exigências que elas impõem, no dia a dia, aos seus autores — visto que a cons- trução de gags para um trabalho dessa natureza, circunscrito quase sempre a um pequeno grupo de personagens e a cená- rios que pouco se renovam, requer doses quase ilimitadas de imaginação. Por isso, são poucos os exemplos de artistas que conseguem, como Augusto Trigo, dividir-se entre os dois campos, demonstrando uma polivalência, uma eficácia e um engenho que tornam difícil escolher a faceta que pesa mais na balança das nossas preferências.

São esses três factores que queremos aqui realçar, apresentando alguns exemplos da vertente humorística, para muitos desconhecida, de um grande e versátil desenhador, de cujas mãos saem sempre trabalhos dignos da nossa admiração — como os cartões de Boas Festas com que nos tem presenteado, desde há vários anos, alguns dos quais (com temas africanos do seu particular afecto) queremos partilhar também convosco, nesta despedida de 2013, desejando a Augusto Trigo a continuação de uma carreira repleta de êxitos, em qualquer das áreas onde sobressai o seu talento.

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2 thoughts on “O HUMOR DE AUGUSTO TRIGO – 1

  1. Lindo. Sem dúvida na minha opinião um dos grandes da banda desenhada portuguesa e senão mesmo além fronteiras. O que seria o Augusto Trigo se tivesse nascido Francês, Belga ou mesmo americano. Um portentado. Fico sempre deslumbrado com os seus desenhos. Sempre que encontro alguma coisa com os seus trabalhos, não hesito. Ainda há un ano atrás dei-me com uma revista denominada Contos Policiais Nº 1 (Juho/agosto 2012), que infelizmente, não encontrei mais nenhum número, com vários contos e problemas policiais para resolver, todos ilustrados pelo Augusto Trigo. Aí umas 23 ilustrações. Sempre com um nível e uma qualidade extraordinárias. É caso para dizer, um país que trata com tanta indiferença os seus grandes artistas e não têm outra visibilidade, para além das ilustrações e desenhos para o Correio da Manhã com “encontre as diferenças”…..nem sei o que lhe chamar…… É sempre um prazer ver tão belas preciosidades. Sou-lhe honesto……fico sempre com uma pontadinha de inveja. Desejo-lhe um excelente 2014, a si Jorge Magalhães e respectiva famíliua e também ao Augusto Trigo que infelizmente não tenho o prazer de conhecer. Os meus cumprimentos.

    Letrée

  2. Muito obrigado, caro Letrée, pelo seu comentário e pelas elogiosas referências ao trabalho do Augusto Trigo, que o nosso blogue, sempre que possível, procurará divulgar junto de muitos que ainda o não conhecem. Infelizmente, a carreira do Trigo, nos últimos anos, tem-se pautado pela discrição, pois não tem feitio para aparecer em locais públicos nem em Festivais de celebridades, o que faz com que as editoras nacionais se esqueçam dele, nem sequer reeditando as suas obras há muito esgotadas e que ainda hoje, seguramente, teriam boa aceitação do público.
    Quanto aos cartoons que tem feito diariamente para o Correio da Manhã, são uma forma de se manter activo e de continuar em contacto com muitos dos seus admiradores, pois, como sabe, este jornal é o de maior circulação actualmente no nosso país. Por outro lado, nos últimos anos dedicou-se quase em exclusivo ao género humorístico, em que revela também um enorme talento, que noutros países, de facto, já lhe teria granjeado muitos louros. Mas aqui as coisas são como são, as instituições funcionam ao sabor dos grandes interesses e das preferências do momento, e os artistas para sobreviver têm de lançar mão de todos os recursos ao seu alcance, Alguns deixaram mesmo a BD para se virarem para a publicidade, a ilustração, o audiovisual. Mas ainda tenho esperanças de que o Trigo volte a criar obras de BD, no estilo realista e de feição clássica que o celebrizou. As suas palavras serão certamente um grande incentivo para ele, quando tiver oportunidade de as ler.
    Um abraço de amizade e desejo-lhe também, e aos seus familiares, um Ano Novo feliz e próspero… apesar da crise.

    Jorge Magalhães

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