CAPAS E NÚMEROS DE NATAL – 7

Fernando Bento foi indiscutivelmente um dos maiores ilustradores da imprensa infanto-juvenil portuguesa do século passado, e nenhum o superou no domínio das artes decorativas e na poética e delicada fantasia com que, graças a esse especial talento, abordava os temas natalícios, tanto em capas do Diabrete como do Cavaleiro Andante.

Um bom exemplo da sua arte inconfundível — que sabia chegar ao coração dos leitores, representando não apenas motivos religiosos, como era de tradição, mas o próprio mundo infantil, onde vibrava todo o encanto e toda a alegria da quadra natalícia —, é esta capa do Diabrete nº 208, dedicada ao Natal de 1944, em que a graça esfuziante dos “bonecos” de Bento nos seduz de tal forma que quase parecem saltar da página.

Natal - Diabrete 208

Em 1944, eu ainda não lia o Diabrete (só dali a um ano tive quem me oferecesse alguns números, até a minha preferência se fixar n’O Mosquito), mas nunca me esqueci da inefável sensação que me provocavam as capas de Natal desenhadas por Fernando Bento (até 1950) e todas revelando a inspirada criatividade e fantasia que faziam do seu traço e das suas composições os mais originais de sempre, nas revistas infanto-juvenis que, à data, disputavam o ceptro da popularidade, como O Papagaio, o Diabrete e O Mosquito.

Natal - O documento chinês  336Este número do Diabrete, com 20 páginas de formato maior que o dos seus concorrentes, estava recheado de magníficas aventuras, como “A Ilha dos Vulcões”, “Herói Sem Nome”, “A Grande Proeza de Primo Villa” e (em separata) “O Documento Chinês”, todas com desenhos do mestre espanhol Emílio Freixas. No seu abundante sumário figura- vam ainda a novela de Jules Verne “Viagem ao Centro da Terra”, numa adaptação pri- morosamente ilustrada por Fernando Bento, as Aventuras do Agente Secreto X-9, dinâmica criação de Alex Raymond (que anos antes se estreara n’O Pirilau), e Béquinhas, Beiçudo & Barbaças, mirabolante e infindável folhetim em que o génio humorístico de Bento luzia como uma estrela de Natal!

Natal - Bequinhas, beiçudo e barbaças   337

Além das habituais rubricas de curiosidades e passatempos, também de amena leitura, como “Ver, Ouvir e Pasmar” e “Puxa pela Cabeça” (com o grande concurso do Natal), havia ainda espaço para uma peça de teatro com o título “O Natal do Papá Ausente” e um belo soneto de Adolfo Simões Müller, outra presença indispensável na revista, que dirigia com a experiência e o saber adquiridos n’O Papagaio, e cuja veia poética e literária tinha em Fernando Bento o mais perfeito colaborador artístico. A ambos deve, sem dúvida, o Diabrete o seu trajecto semeado de êxitos, sempre em aceso despique com O Mosquito, rivalidade que só terminaria em Dezembro de 1951, quando se encerrou um velho ciclo para começar um novo, com o nascimento do seu sucessor, o Cavaleiro Andante. E, então, foi O Mosquito que ficou a perder!

Natal - A última prenda do menino jesus338

A título de curiosidade, aqui têm mais um brinde desse número de Natal do Diabrete: o divertido e curioso jogo da Arca de Noé, também com “bonecos” de Fernando Bento, que fechava uma das melhores edições na ainda curta existência do “grande camaradão”.

Natal - Jogo Arca de Noé 1  339Natal - Jogo Arca de Noé 3    341

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