CAPAS E NÚMEROS DE NATAL – 5

Natal - Faísca nº42

Esta capa, com um dos mais tradicionalistas temas de Natal, o Presépio, deve-se ao traço de António Barata, um artista que, apesar de muito subestimado, foi um dos melhores colaboradores de revistas infanto-juvenis como O Senhor Doutor (onde se estreou na técnica das histórias aos quadradinhos), O Papagaio e O Faísca. Se a sua produção não tivesse sido tão esparsa e irregular, devido a outras escolhas profissionais mais lucrativas, teria hoje certamente um lugar privilegiado nas crónicas da “época de ouro” da BD portuguesa, a par de Fernando Bento, E.T. Coelho e Vítor Péon, que foram seus contemporâneos, embora manifestassem outras influências e menos admiração (sobretudo os dois primeiros) por um estilo narrativo à maneira americana.

Foi n’O Faísca, onde criou as suas melhores obras (“Pedro, o Gavião”, “O Cavaleiro da Rainha”, “O Rei da Campina”), que António Barata conquistou o lugar a que tinha direito, consolidando o seu próprio estilo e evidenciando, cada vez mais, uma firmeza e maturidade de traço dignas de nota, a par de uma natural elegância (herança de Alex Raymond, um dos seus maiores mestres), como prova esta magnífica capa de Natal, publicada sem assinatura no nº 42, de 25/12/1943, com 12 páginas.

O natal de Branca de Neve + Florbela e Diabrete

Este número d’O Faísca — revista que teve existência relativamente efémera, pois não chegou ao 3º ano, devido à forte concorrência d’O Mosquito e do Diabrete — era dedicado por completo à quadra natalícia, como ilustram algumas festivas histórias inglesas, com o traço de bons (mas anónimos) desenhadores humorísticos, contos e passatempos vários e duas poéticas alegorias do director e editor Carlos Cascais, que se distinguiu também, pelos seus dotes literários, noutras publicações de maior nomeada, como O Papagaio.

Um desses poemas, com o título “Invocação”, lembrava o flagelo da guerra que, em pleno Natal de 1943, continuava a assolar várias nações europeias.

Natal - Invocation + Súplica de criança

A colorida contracapa — luxo reservado somente a duas páginas nesta edição de Natal, assim como nos números anteriores —, apresentava um curioso “brinde”, que colheu decerto o aplauso dos leitores, mas com evidente prejuízo da revista: dois postais de Boas Festas para recortar e colar em cartolina, pois podiam ser enviados pelo correio.

Aliás, as contracapas d’O Faísca tornaram-se descartáveis, numa série de números, por causa das estampas de um concurso com o sugestivo tema Bandeiras de Portugal. O garrido aspecto dessas estampas, que deviam ser coladas numa caderneta, habilitando assim a uma bicicleta como grande prémio, acabaria por penalizar os coleccionadores… alguns deles ainda hoje à procura de exemplares com essa última folha.

Natal - CCapa Faísca nº 42   319

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