CAPAS E NÚMEROS DE NATAL – 3

Natal - Mosquito 366 308

Esta foi a primeira capa de Natal que Eduardo Teixeira Coelho (ETC) realizou para O Mosquito, pouco tempo depois de ter feito a sua estreia nas páginas da revista, em cujo quadro de colaboradores nacionais pontificara, até então, o traço linear e a veia humorística de António Cardoso Lopes Jr. (Tiotónio), salvo nas ilustrações inglesas com que, à falta de outras, se guarneciam os contos e as novelas de aventuras.

Natal - poema do Avozinho309Com a chegada de E. T. Coelho — depois de ter passado pel’O Senhor Doutor e pelo Engenhocas e Coisas Práticas, outra revista concebida e editada por Cardoso Lopes —, o aspecto gráfico d’O Mosquito (que adoptara novo formato a partir do nº 318) sofreu uma reviravolta total, começando pelos sugestivos e alegres cabeçalhos, renovados com frequência, depois da “normalização” seguida por Tiotónio, e pelas capas cheias de acção e movimento, quase sempre inspiradas nas histórias de texto que constituíam parte substancial do sumário — além dos respectivos títulos, das rubricas mais variadas, com curiosidades e passatempos, e dos poemas do Avôzinho (leia-se Raul Correia), ilustrados com poético e decorativo encanto, como o soneto que figurava neste número, a par da secção do correio.

Pode mesmo dizer-se que, sem as magníficas ilustrações de E. T. Coelho, o nº 366, comemorativo do Natal de 1942, seria mais um igual aos outros, embora recheado de excelentes séries inglesas, como O Capitão Ciclone e Ao Serviço da Lei, em que refulgia o talento de dois grandes ilustradores dessa velha escola, à época ainda anónimos: T. Heath Robinson e Hilda Boswell

Mas a “prenda” mais valiosa desta edição de Natal, a primeira de várias com capas de E.T. Coelho alusivas à quadra, foi, sem dúvida, o Presépio criado também pelo versátil artista, cuja primeira folha se publicava neste número, inaugurando uma série de construções de armar em que se destacavam a beleza e a perfeição de todas as figuras animadas pelo seu traço, em contraste com o estilo caricatural de Tiotónio ou com o rigor geométrico de Calvet de Magalhães (ambos autores, também, de várias construções).

Natal - presépio Coelho 1  310

Nos números seguintes, saíram as restantes folhas deste Presépio, sem dúvida um magnífico exemplo da pujança gráfica do jovem Eduardo Coelho (seu primeiro nome artístico), que nessa fase inicial da sua carreira de ilustrador dava ainda primazia, nas manchas e no contorno bem delineado das figuras, ao uso intensivo (e vigoroso) do pincel.

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