CAPAS E NÚMEROS DE NATAL – 1

O Natal foi sempre, em todas as épocas, motivo festivo e tema obrigatório para os ilustradores dos jornais infanto-juvenis, que nessa quadra evocativa e poética deram largas à sua inspiração, como demonstra esta breve antologia de capas alegóricas, englobando algumas das principais revistas portuguesas de BD do século XX e um punhado dos seus mais prestigiosos colaboradores nacionais, que irão até ao Natal desfilar no nosso blogue.

Um pequeno tesouro que se desfruta com renovado (e demorado) prazer, tal é a beleza iconográfica, a fantasia artística, o sentido recreativo e espiritual, a harmonia do conjunto, contidos em imagens cujo colorido o tempo ainda não logrou esbater.

Capa Natal TIC-TAC  1933288

Capa do 1º número de Natal do Tic-Tac, 2ª série (24-12-1933), assinada por Raquel [Roque Gameiro], uma das maiores ilustradoras portuguesas do século passado, com obra extensa e singular, de rara sensibilidade, mormente em publicações infanto-juvenis, e que também se notabilizou nas artes plásticas, como seu pai Alfredo Roque Gameiro.

O Tic-Tac era dirigido, nessa fase, por João Vicente Sampaio e tinha como editor outro célebre artista da Amadora, António Cardoso Lopes (Tiotónio), que no início de 1936 se abalançou a projecto ainda de maior vulto, criando uma das mais emblemáticas revistas da história da BD portuguesa: O Mosquito.

Natal -O testamento do perú

Nesse número do Tic-Tac, com 16 páginas, em que os temas natalícios tinham a primazia, destaque para o conto de Ana de Castro Osório, “Uma História do Natal”, com ilustrações de Pinto de Magalhães (Filho), e a narrativa humorística “O Testamento do Peru”, original de Luís Ferreira (Tio Luís) e ilustrada por Tiotónio, que também fez as honras da contracapa, com novas peripécias do seu conhecido personagem Zé Pacóvio… por causa de um peru recheado que o fez ver a lua e as estrelas!

Natal -O perú velho

Em suma, um número de Natal também bem “recheado” de nomes célebres e de amenas propostas de leitura, entre as quais um novo episódio da mais empolgante série de aventuras desse tempo, Pelo Mundo Fora (Rob the Rover), com desenhos de um grande pioneiro da BD inglesa: Walter Booth.

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4 thoughts on “CAPAS E NÚMEROS DE NATAL – 1

  1. Duas observações complementares: o Pinto de Magalhães Filho era uma das assinaturas artísticas de Manuel Maria Calvet de Magalhães, filho do Pinto de Magalhães e irmão do Eduardo Calvet de Magalhães, ambos também desenhadores. Por outro lado, a história “O Perú Velho…” era inspirada numa prancha do C. Arnal, como indico na Quadriculografia no livro “Tiotónio: uma vida aos quadradinhos”. Posso-lhe enviar uma cópia do original espanhol, que entretanto me fez chegar mão amiga do país vizinho. Talvez tenha interesse em publicá-lo no seu blogue…

    • Caro Leonardo,
      Obrigado por estas preciosas adendas, que vêm valorizar as informações contidas no meu texto. Quanto à história do Cabrero Arnal, um grande humorista espanhol que em breve estará também em destaque no nosso blogue, agradeço antecipadamente o envio dessa página em que se “inspirou” o Tiotónio.
      Um abraço,
      Jorge Magalhães

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