REVISTAS DE TERROR – 1

CALAFRIOS! & CALAFRIO – A EMOÇÃO ESTÉTICA DOS MESTRES DO TERROR

Calafrios001_Set2013-1A PROPÓSITO DE HISTÓRIAS DE TERROR E DE VAMPIROS, ZOMBIES, LOBISOMENS… e outros mostrengos que animam a noite do Halloween, mas já não metem medo a ninguém nos tempos ameaçadores e esquizofrénicos que vivemos… o nosso Gato associa-se à onda de entusiasmo com que foi recebida pelos internautas uma nova revista online dedicada a esta temática e com o sugestivo título de Calafrios! — cuja bizarra e tétrica capa, estilo Frankenstein, nos apraz também registar.

No sumário do 1º número desta revista online criada por Filipe Azeredo, do grupo A Filactera, incluem-se três histórias extraídas de antigos horror comics, que se destacam pelo seu arrepiante cenário e sobretudo pelo nome dos seus autores, Alex Toth, Reed Crandall e Basil Wolverton, cuja celebridade foi forjada no “tenebroso” cadinho dos EC Comics, tão anatemizados e perseguidos pela censura estadunidense, a famigerada Comics Code Authority, como as bruxas na Idade Média.

Calafrios001_Set2013-3Mas a verdade, à laia de paradoxo ou de pura ironia, é que foram os artistas dessa editora americana quase marginal que transformaram em arte moderna a estética bizarra e quase sempre grotesca dos horror comics, sem defraudar o gosto dos leitores por sangue e adrenalina, mas refinando-o, como fez Roger Corman com os seus filmes, num processo que se tornou catalizador. 

Leiam esta revista, em formato flip-book, porque vale a pena e agradeçam aos nossos amigos do blogue A Filactera (onde ela está disponível para ser descarregada em PDF ou CBR) a sua “terrífica” iniciativa, que nos irá provocar mais alguns calafrios durante os meses invernais que se aproximam.

Calafrios001_Set2013- 11 e19

NOTA (à margem): Este título lembra-nos o de uma publicação brasileira que já desapareceu do mercado, preenchida exclusivamente com relatos de terror desenhados pelos melhores artistas da “casa”, como Rodolfo Zala, Rubens Cordeiro, Eugénio Colonese, Aloísio de Castro, Flávio Colin, Mozart Couto e Júlio Shimamoto. As capas também tinham uma conotação especial com as edições americanas, mas conservando, ao mesmo tempo, a identidade afro-brasileira que presidia aos temas e ao estilo de grande percentagem das histórias publicadas na revista, como demonstram alguns exemplos que iremos seleccionando para vosso desfrute.

Calafrio nº 26 e 36

Uma chamada de atenção para a capa do nº 26, onde, entre outros títulos, figura “O Retrato de Jeny”, criação do mestre luso-brasileiro Jayme Cortez — de quem muitos leitores d’O Mosquito ainda se lembram —, trabalho esse digno do renome que alcançou internacionalmente… e que, por isso, incluímos também nesta antologia.

Retrato de Jeny - 1 e 2Retrato de Jeny - 3 e 4

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4 thoughts on “REVISTAS DE TERROR – 1

  1. Caro Jorge

    para quem goste do génro e, principalmente, de BD, há um sítio americano na internet, que tem suspensa a publicação (Hiatus!), mas que mantém os registos de arquivo sobre Terror, Ficção Científica e outras preciosidades antigas.
    É ele:
    http://comicreadinglibrary.blogspot.com/

    e há, igualmente, um outro que também interessante e está activo
    http://comicbookcatacombs.blogspot.pt

    pois até dedica um post ao “Halloween Horror Festival [Results]!! “.

    Um abraço
    Santos Costa

  2. Caríssimo Santos Costa,

    Obrigado pelas informações. Já dei uma olhadela a esses sites e registei o seu interesse, embora eu não costume recorrer muito à Internet, preferindo utilizar os meus próprios arquivos… até porque nem tudo se pode encontrar em sites alheios.
    Foi um pouco de improviso que criei esta nova rubrica, porque a minha intenção inicial era só referir-me à revista online do Filipe Azeredo (que tem um certo sabor nostálgico, para quem gostar do género), mas depois lembrei-me de uma revista brasileira com um título quase idêntico, da qual possuo vários exemplares. Como as capas e as histórias são interessantes, tenciono fazer uma selecção e continuar esta rubrica nos próximos tempos. Depois, talvez fale de outras revistas de terror que surgiram no nosso mercado e até mesmo de algumas americanas.
    Não sou propriamente um grande fã do género, mas como amante de BD não resisto a nenhuma história bem escrita e bem desenhada, como foi o caso de algumas colecções dos EC Comics e de outra editora americana, a Warren, que em tempos lia com gosto. Por cá, também tivemos a Zakarella e a Vampirella, e até uma revista chamada Terror, que durou, se bem me lembro, mais de uma centena de números. Portanto, tópicos de “conversa” sobre este tema não faltam.

    Um abraço,
    Jorge Magalhães

  3. Caro Jorge Magalhães, agradeço a menção da Calafrios no Gato Alfarrabista (gatos e livros juntos = sarilhos:) )
    Quando escolhi o nome Calafrios! não me lembrei da quase homónima revista brasileira mas o nome estava no meu subconsciente e assim que fechei a revista e a publiquei, a Calafrio veio-me à memória. Julgo ter lido alguns números na minha adolescência mas nunca a coleccionei. Apesar de gostar do género terror, o que me interessava mesmo era a revista Tintin. Há relativamente pouco tempo, e graça à internet, é que descobri que há centenas, senão milhares, de revistas americanas dos anos 30, 40 e 50 disponíveis para ler e descarregar e pensei que seria uma boa ideia apresentar algumas dessas histórias em português. Assim nasceu a Calafrios! Se não fosse a internet, julgo que nunca teria oportunidade de editar uma revista. Não dá dinheiro mas divirto-me a fazê-la. Já tem morte anunciada (serão publicados 6 números) mas daqui a um ano haverá uma nova revista, dedicada a outro género. Material não falta e até gostaria que mais gente fizesse o mesmo que eu porque há muitas obras inéditas que mereciam ser publicadas em português.
    As minhas fontes principais são http://www.digitalcomicmuseum.com e http://www.comicbookplus.com, dois sites indispensáveis para os amantes e curiosos dos comics das chamadas Golden Age e Silver Age.
    Aproveito para agradecer ao Santos Costa a menção no seu comentário aos blogues Comic Reading Library e Comic Book Catacombs que já passaram a constar da minha lista de favoritos.
    Bem, espero que esta nova rubrica do Gato Alfarrabista continue e que traga mais algumas histórias como esta do grande Jayme Cortez.
    Um abraço,
    Filipe Azeredo

    • Caro Filipe Azeredo,
      Obrigado pelo seu comentário e por partilhar connosco as suas opiniões, os seus projectos e o seu amor pela BD, ao ponto de se resolver a traduzir e a editar algumas histórias de autores que marcaram uma época (dentro do género de terror e não só), trazendo-as ao conhecimento de muitos seguidores do seu blogue.
      Estou inteiramente de acordo consigo em que, se não fosse a Internet, onde grande parte dessas histórias estão agora disponíveis, seria quase impossível publicar, pelas vias tradicionais, uma revista com as mesmas características, pois só os custos de impressão e de distribuição condená-la-iam irremediavelmente ao fracasso. Por isso, saúdo a sua ideia e faço votos para que leve este projecto até ao fim, mesmo limitado a seis números (o que me parece uma meta aceitável) e que não desista do plano de nos apresentar outras revistas online, enquadradas em temáticas diferentes, já que há muito material disponível.
      Quanto ao Gato Alfarrabista, cavalgando a onda de entusiasmo em torno do seu projecto, continuará também nos próximos tempos a apresentar mais histórias de terror extraídas de revistas brasileiras, como a Calafrio e a Mestres do Terror (da mesma editora), pois nesse segmento temático o Brasil foi um dos países onde o género teve melhor acolhimento, fomentando a criatividade de uma plêiade de excelentes autores nacionais como Jayme Cortez, Shimamoto, Flavio Colin, Mozart Couto e outros. E depois iremos também à Zakarella e à Vampirella, que, por iniciativa de Roussado Pinto, tentaram divulgar entre nós (talvez antes de tempo) as melhores criações da Creepy, da Eerie e de outras magníficas revistas dos anos 70, com o selo da Warren. O assunto tem pano para mangas e, por isso, agradeço-lhe a si e à Calafrios! terem-nos proporcionado um renascido interesse por este tipo de histórias, que nos trazem memórias da Golden Age e, por estranho que pareça, ajudam também a combater a depressão e a crise nestes tempos insólitos e perturbantes que atravessamos.
      Um abraço do
      Jorge Magalhães

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