CLÁSSICOS ILUSTRADOS – 3

“O Escaravelho de Ouro” (Edgar Allan Poe)

Contos fantásticos - Diabrete107Depois de Catherine Labey, é a vez de prestarmos de novo homenagem ao prolífico talento de Fernando Bento, aproveitando a temática relacionada com Edgar Allan Poe, pois o grande mestre da BD portuguesa que nos presenteou com tantas obras-primas no Diabrete, no Cavaleiro Andante, no Pajem e noutras publicações juvenis, também recriou a seu modo um dos contos mais célebres de Poe, em que o novelista usou habilidosamente a escrita criptográfica para revelar aos leitores o segredo contido num velho pergaminho e num escaravelho dourado com aspecto de caveira. Lemos esta história pela primeira vez no Diabrete, numa adaptação subordinada ao título Contos Fantásticos, publicada em folhetins destacáveis entre os nºs 474 e 502 do “grande camaradão”… e nunca mais a esquecemos!

Amargas foram as horas121Como já referimos num post anterior, a obra de Edgar Allan Poe é bem conhecida, não só através dos seus contos, dos seus poemas, das suas narrativas fantásticas, mas também das várias adaptações que surgiram em inúmeros filmes (os melhores realizados por Roger Corman) e noutros áreas, como a ilustração e a BD; e até em livros de autores que, como Poe, se inspiraram na mais pura fantasia, dando-lhe outra personalidade, outro espírito e outra existência, bem ao jeito dos seus extraordinários personagens (Alberto Fortes: Amargas Foram as Horas – As Aventuras do Pirata Edgar Allan Poe, Editorial Teorema, 2001).

Quanto à arte singular e primorosa de Fernando Bento, ela quase que dispensa apresentações, pois espraia-se por um número incontável de jornais, livros e revistas, num conjunto que surpreende e encanta tanto pela variedade como pela inexcedível fantasia de um traço fluido, irrequieto, versátil e sempre atraente, mesmo quando trai a mão veloz de um desenhador que raramente falhava os seus prazos.

Capa cavaleiro Andante  382No último período da sua colaboração para o Cavaleiro Andante, Bento adaptou dois grandes mestres da literatura policial, Conan Doyle e Edgar Poe, dando-nos do primeiro, com um traço denso, em que só usou o pincel, algumas versões das melhores aventuras de Sherlock Holmes (mesmo as apócrifas, como A Sociedade dos 13), e de Poe uma fiel interpretação do labiríntico enigma descrito em O Escaravelho de Ouro, já sem o fulgor (dirão alguns) dos seus melhores trabalhos, mas de traço ainda vigoroso e expressivo, sublinhando, com o seu apurado jogo de sombras, a atmosfera de mistério, suspense e lúgubre poesia que povoa quase todos os relatos do genial escritor norte-americano.

Spektro125Resta-nos imaginar o que a inspirada visão de Fernando Bento e a magia febril do seu traço poderiam ter feito se, em vez de optar por um clássico da literatura juvenil, também de fundo policial, como Emílio e os Detectives, de Erich Kästner, e por outras obras de célebres escritores como Moby Dick, de Herman Melville, e Scaramouche, de Rafael Sabatini, tivesse dado preferência às fantásticas criações de Edgar Allan Poe, como Os Crimes da Rua Morgue, O Gato Preto, O Poço e o PênduloHop-Frog, O Coração Delator ou Aventuras de Arthur Gordon Pym.

Mas talvez os responsáveis do Cavaleiro Andante não achassem as musas dilectas de Poe — simbolizadas por um “estranho” corvo vindo das trevas da noite, onde adejam o mistério, o insólito, o macabro, o tétrico e o sobrenatural — um dos assuntos mais fascinantes e recomendáveis para apresentar aos seus juvenis leitores. Outros tempos, outras mentalidades…

Escaravelho de Ouro - 01 e 1Escaravelho de Ouro - 2 e 3Escaravelho de Ouro - 4 e 5Escaravelho de Ouro - 6 e 7Escaravelho de Ouro - 8 e 9

 

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