GRANDES SÉRIES PARA (RE)LER E RECORDAR – 1

O CAPITÃO MEIA-NOITE (por WALTER BOOTH)

Capitão Meia noite903O Capitão Meia-Noite foi o nome com que apa- receu n’O Mosquito uma personagem que Walter Booth criou, em 1937, nas páginas do célebre magazine inglês Puck e que ostentava o nome de Captain Moonlight (Ca- pitão Luar, em tradução à letra). Convenhamos que o nome, certamente engendrado por Raul Correia, de Capitão Meia- -Noite era bem mais sugestivo do que o da versão original e o seu sucesso entre os leitores portugueses da minha geração foi, posso ga- ranti-lo, absolutamente es­trondoso, ficando gra- vado para sempre no ima­ginário da rapaziada desse tempo. De tal forma que até viemos, anos mais tarde, a deparar com uma versão nacional, desenhada por José Garcês, mas que teve uma existência mais do que episó­dica, pois a revista que a publicava acabou muito depressa [O Mosquito, 2ª série, dirigida e editada por José Ruy].

Estou convencido de que esta personagem deve ter sido inspirada na figura do célebre salteador in­glês (Highway Man, na língua de Sua Majestade) do século XVII, Dick Turpin. Mas a figura do célebre Zorro, de Johnston McCulley, que Holly­wood popularizara na época, não deve ter andado muito distante. E até é fácil concluir isto, pois o salteador Dick Turpin usava duas enormes pis­tolas de sela nos seus assaltos, enquanto que o Ca­pitão Meia-Noite, tal como o Zorro, era um temível espadachim, e era à espadeirada que resolvia a maior parte dos seus problemas. A série, de certo por efeito de aparecer numa publicação semanal, e tal como quase todas as que Booth concebeu durante a sua longa carreira, aparecia dividida em episódios dife­renciados que não duravam mais do que três nú­meros, com algumas excepções já se vê, mas que apenas serviam para confirmar a regra.

Capitão Meia noite Mosquito904Quem se der ao trabalho de descodificar as estupendas imagens de Walter Booth, vai descobrir que aquele autor era um verdadeiro génio a desenhar – incompa­rável, diria eu, na perfeição e caracterização das figuras (reparem bem nas suas personagens femi­ninas!), como também na sua prodigiosa ima­ginação para construir cenas de grande mo­vimento e emoção, onde a soma de pormenores são de deixar o mais prevenido sem fôlego. Este mara- vilhoso autor, que foi o primeiro, em todo o mundo, a de­senhar séries de longa duração com personagens de cariz realista, faria inchar de orgulho a pátria que o viu nascer. Mas, para mal dos seus pecados, era natural de Inglaterra e os mais destacados estudiosos dos comics britânicos nasceram depois da 2ª Grande Guerra e só co­nhecem o que se publicou – e que foi absolutamente excepcional, refira-se – a partir dos anos 50: para eles, Walter Booth não passa de um autor sem importância e que não lhes merece mais do que uma breve referência à vol d’oiseau, passe o francesismo.

Onde Booth era menos brilhante era a desenhar animais, dedicando a sua quase ex­clusiva atenção às figuras humanas, sendo, por exemplo, os seus cavalos verdadeiras cavalgaduras de tracção animal ou de vulgares traba­lhos agrícolas. Em tudo o mais, era absolutamente espantoso a representar desde gloriosos galeões de piratas a máquinas voadoras muito avançadas para a sua época, sem esquecer os cenários, a arquitectura, as paisagens, a flora de todos os continentes e os ambientes influenciados por condições atmosféricas, como nevões, chuvadas, tempestades, sol tropical, quer as cenas tivessem lugar em plena luz do dia ou na escuridão da noite. Um pouco de atenção, pois, ao maravilhoso trabalho deste génio da BD que se chamou Walter Booth.

Capa-IO artigo supra foi reproduzido com a devida vénia, e com permissão do seu autor, Adolfo Dias, do fanzine Fandaventuras Especial nº 7, cujo sumário é dedicado à 1ª parte desta excelente série, extraída directamente das páginas da revista inglesa Puck, num formato à italiana (30 x 21 cms), para permitir apreciar em todo o seu esplendor os magníficos desenhos do Mestre Walter Booth, que tanto empolgaram os leitores d’O Mosquito, nos anos 30 e 40, e de uma nova geração, quando alguns episódios desta série foram reeditados no Jornal do Cuto.

Pag.-03--1Também já está disponível o 2º volume, com a continuação das movimentadas aventuras do audaz e galante cavaleiro mascarado, que na melhor tradição dos heróis de capa e espada, e a coberto da sua misteriosa identidade, só conhecida de alguns, protege os pobres, os indefesos, as viúvas e os órfãos, numa luta incansável contra a cobiça, a crueldade e a perfídia de nobres sem escrúpulos.

Capa-IICada volume, com excelente qualidade gráfica, impresso em papel de boa gramagem, tem 70 páginas e custa apenas 10 euros. Todos os leitores interessados podem (e devem) encomendá-los, sem perda de tempo, porque a tiragem é limitada, ao seu próprio editor e coordenador, José Pires, através do email gussy.pires@sapo.pt

E já estão no prelo os restantes dois volumes da heróica saga d’O Capitão Meia-Noite, que assim ficará completa, numa edição sem paralelo, e pela primeira vez ao alcance dos bedéfilos de língua portuguesa. Uma oportunidade a não perder!

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