A HISTÓRIA DE PORTUGAL EM BD – 3

A CONQUISTA DE CEUTA (por José Garcês)

Em 25 de Julho de 1415 (há quase 600 anos), teve início a epopeia das conquistas e dos descobrimentos portugueses com uma grande expedição militar em que participaram os filhos de El-Rei D. João I, e cujo objectivo era desferir um rude golpe nas possessões islâmicas do Norte de África, arrebatando aos Mouros a rica e estratégica cidade de Ceuta.

A conquista de Ceuta CA 104Nessa empresa, que culminou com a conquista da praça-forte um mês depois, em 22 de Agosto desse ano da graça de 1415, distinguiram-se, pela sua energia, capacidade de comando e bravura em combate,     os jovens infantes D. Henrique e     D. Duarte, o primeiro dos quais estava fadado a reger os destinos da escola de Sagres, a melhor escola de marinharia do mundo, e   o segundo a suceder no trono ao rei de Boa Memória. Tanto eles como seu irmão D. Pedro foram armados cavaleiros pelo próprio pai, na mesquita de Ceuta consagrada, desde esse dia, à fé cristã.

Recordando esta efeméride tão importante na história da expansão marítima e colonial portuguesa dos séculos XV e XVI, retirámos dos arquivos do passado uma página magnificamente ilustrada por Mestre José Garcês, que o Cavaleiro Andante — muito receptivo, nessa época, aos trabalhos de inspiração (e exaltação) histórica, em que Garcês, por mérito e experiência, já era um autor consagrado —, deu à estampa no nº 104, de 26 de Dezembro de 1953.

Anos depois, em 1960, Garcês realizou uma magnífica biografia do Infante D. Henrique, publicada no Camarada (2ª série), entre os nºs 8 e 25 do 3º ano. Com um âmbito mais vasto, essa história, escrita por António Manuel Couto Viana, descrevia minuciosamente os preparativos da expedição a Ceuta, enaltecendo a heróica acção de D. Henrique nesse primeiro feito militar e nas empresas que se seguiram — apesar do desastre de Tânger, que quebrou o ânimo de D. Duarte e arrastou o Infante D. Fernando para o cativeiro, numa das horas mais negras da gesta dos portugueses em África.

438+439

img440 + 441

img442 + 443

A Grande AventuraOs mesmos acontecimentos foram retratados por Garcês, de forma mais sucinta (se bem que com um enquadramento sócio-político mais rigoroso), no 2º volume da sua História de Portugal em BD, relevante projecto nascido de uma parceria com o historiador António do Carmo Reis e patrocinado pela Asa, que lhe consagrou sucessivas edições, com extraordinário êxito, a partir de 1985. Ainda hoje, Garcês encara essa obra como o ponto máximo da sua carreira de autor de BD, cimentada por uma sólida formação histórico-didáctica e artística.

Aqui ficam também essas páginas do álbum A Grande Aventura, que documentam o fervor com que o moço e valoroso infante D. Henrique, futuro duque de Viseu e grão-mestre da Ordem de Cristo, participou na cruzada por um reino maior, além das terras conhecidas e desconhecidas, dos areais do norte de África até aos cabos tormentosos que nenhum navegante se atrevera ainda a dobrar.

A Grande Aventura  1 + 2

A Grande Aventura  3 + 4

Aproveitamos esta ocasião para desejar a Mestre José Garcês, que celebrou há um mês       o seu aniversário, as maiores felicidades, associando-nos a todos os seus admiradores e amigos que ainda recordam os belos momentos que passaram a ler as suas histórias.

Lanças n'África + Sangue português+Sanceau

Sobre esta época da nossa História — primeira etapa da expansão ultramarina e das conquistas de praças-fortes aos inimigos tradicionais, os Mouros, que era mister combater por causa da sua religião e do comércio de especiarias com o Levante — há três livros que registei na memória e que se lêem como autênticos romances de aventuras: Lanças n’África e Sangue Português, antologias de contos de Henrique Lopes de Mendonça — um dos mais notáveis romancistas históricos do século passado e autor da letra do Hino Nacional —, e Os Portugueses em Marrocos, da escritora inglesa Elaine Sanceau, que viveu muito tempo no nosso país e dedicou várias obras ao império colonial português e às suas figuras mais importantes, sendo, por isso, muito elogiada (e condecorada) por Salazar.

Nota: Agradecemos, mais uma vez, a Carlos Gonçalves a sua amável colaboração, ao enviar-nos prontamente seis páginas do episódio publicado em 1960 no Camarada.

 

Advertisements

2 thoughts on “A HISTÓRIA DE PORTUGAL EM BD – 3

  1. Bom dia Jorge Magalhães, já não sei o que dizer às aulas de história que o seu blog tem proporcionado. Mais uma vez tenho que insistir na importancia que tem para as gerações vindouras este tipo de trabalhos. Muito do que aprendi sobre a historia de Portugal advém da colecção de cromos que colecionei nos anos 70 e do que li na BD. Voltando a ver estas magnificas pranchas só tenho que agradecer ter tipo a oportunidade de as ler quando era um pouco mais novo. Abraço e boas continuações.

    • Caro Paulo,
      Também eu aprendi muito com a BD sobre a História de Portugal, em revistas como O Mosquito, o Cavaleiro Andante e o Mundo de Aventuras. O fascínio pelos temas históricos foi tal que, no liceu, era um dos alunos mais atentos e aplicados nessa disciplina. Embora preferisse as BD’s que caldeavam os factos históricos com os aventurosos, sempre valorizei o apuro didáctico aliado à perfeição artística, tornando-me um grande admirador de autores como E.T. Coelho, Fernando Bento, José Garcês, José Ruy e Vítor Péon. Foram eles, através de muitas das suas criações, que me incutiram a noção de amor pátrio, o orgulho de ser português, de uma forma que nada tinha a ver com a dialéctica dos livros escolares ou com a propaganda ministrada aos jovens nos tempos do anterior regime, por organismos como a Mocidade Portuguesa.
      Curiosamente, também acompanhei as duas séries do “Camarada”, excelente e inovadora revista editada por aquela organização, mas a sua leitura em nada influenciou a minha mentalidade, nem a de muitos outros jovens, talvez porque a maioria dos seus colaboradores eram totalmente isentos de ligações ao regime.
      Também fui apreciador de colecções de cromos, como a belíssima “História de Portugal”, com ilustrações de Carlos Alberto, e outras de grande interesse temático e artístico. De facto, sempre que recordamos esses tempos – mesmo que com um sentimento algo nostálgico, que às vezes pode obnubilar a perspectiva das coisas – temos de dar relevo ao que aprendíamos sem esforço em tantas publicações que fomentavam, de forma lúdica, o gosto pela leitura, pela arte e pelo conhecimento, contribuindo, assim, em grande parte, para a nossa formação cultural e intelectual.
      Um abraço do
      Jorge Magalhães

Leave a Reply

Fill in your details below or click an icon to log in:

WordPress.com Logo

You are commenting using your WordPress.com account. Log Out / Change )

Twitter picture

You are commenting using your Twitter account. Log Out / Change )

Facebook photo

You are commenting using your Facebook account. Log Out / Change )

Google+ photo

You are commenting using your Google+ account. Log Out / Change )

Connecting to %s