JOSÉ RUY – A PAIXÃO DO DESENHO – 5

RAPTORES – 1

José Ruy - Papagaio -Raptores 406Apresentamos hoje uma nova história de José Ruy, publicada em 1949 na revista de actualidades Flama, quando esta passou a inserir como suplemento (não destacável) o extinto jornal infantil O Papagaio, semanário de nobres tradições que fora o encanto da miudagem desde 1935 até 1949, ano em que saiu o seu último número, o 722, como revista independente.

José Ruy foi um dos colaboradores mais assíduos na última fase do garrido semanário, onde, aliás, viu materializar-se a sua paixão pelo desenho, com a revelação ao público dos seus primeiros e ainda modestos trabalhos. Mas a evolução foi tão rápida que até podemos dizer, em jeito de brincadeira, que a sua mão era mais veloz a desenhar, com a perícia adquirida pela prática, do que as gazelas e outros animais da selva que tanto gostava de reproduzir nas suas histórias de ambiente africano.

No suplemento da Flama, que numa primeira fase tinha apenas uma ou duas páginas,      José Ruy teve menos espaço ao seu dispor, mas curiosamente foi nele que a sua veia artística começou a sobressair, de forma mais notória, aos olhos dos que seguiam, então,     as suas narrativas ilustradas (pois era também o autor do texto) e dos que hoje, a outra distância no tempo, melhor podem ajuizar desses progressos.

Prova disso são as maravilhosas “Lendas Japonesas” — que eu sempre considerei dignas do epíteto de obras-primas —, cuja publicação teve início no nº 86 da Flama, com o episódio intitulado “Amaterasu, a Deusa da Luz do Sol”, refeito muitos anos depois por José Ruy para a 2ª série de Selecções BD.

José Ruy - Papagaio 2  407Mas, voltando à história que hoje recordamos…   De extensão acima da média, relativamente aos outros episódios que Mestre José Ruy publicou nessa série d’O Papagaio, este é mais um exemplo da rápida sucessão de rasgos criativos que evidenciavam a crescente maturidade gráfica do seu traço, ainda longe da perfeição nalguns pormenores, mas cada vez mais seguro e harmonioso, conjugando estilização e dinamismo, plasticidade e equilíbrio, com um bom doseamento dos fundos, das sombras, da perspectiva e das formas, sobretudo no que diz respeito aos enquadramentos, às paisagens (neste caso, marítimas) e à figura humana, com destaque para a expressiva galeria de rostos, em que continuou a servir-se de modelos, seguindo o exemplo (e os conselhos) de E. T. Coelho.

Voltaremos ao assunto, até porque há muito ainda para dizer sobre esta história e os seus protagonistas, um dos quais, o ágil e destemido Nito, já tinha aparecido em anteriores aventuras d’O Papagaio — como documenta a nossa imagem. E ninguém melhor do que José Ruy, com a sua memória sempre viva, para desfiar esses comentários…

Boa leitura!

Raptores 1 e 2

Raptores 3 e 4

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