JOSÉ BAPTISTA (JOBAT)

RETROSPECTIVA – 2

Prosseguindo esta retrospectiva integrada num ciclo de homenagem a José Baptista, um dos nossos maiores desenhadores e autores de BD, apresentamos hoje outro dos seus primeiros trabalhos, mas de um género muito diferente daquele com que fez a sua estreia, há cerca de 55 anos.

JoBatA temática policial era uma das mais apreciadas pelos leitores do Mundo de Aventuras, onde campeavam vários detectives de ilustre estirpe, como Ruben Quirino (Rip Kirby), Kerry Drake, Nero Wolfe e Dick Tracy, embora nem todos tivessem a mesma quota de popularidade, devido a prolongadas ausências para partilharem outros espaços.

Com um traço vigoroso, em que avultavam as sombras densas e o recorte duro das formas, numa espécie de alto contraste do branco e negro, José Baptista parecia naturalmente dotado para esse tipo de histórias, que faziam apelo ao hiper-realismo e à acção violenta, inspirando-se nos filmes de gangsters que ainda empolgavam as audiências, como nos anos 30 e 40.

O género policial e os cenários realistas de fundo urbano e contemporâneo eram também do agrado de alguns jovens colaboradores do Mundo de Aventuras, como José Antunes, José Manuel Soares, Raul Cosme e Filipe Figueiredo, que foram buscar os seus modelos a séries americanas e espanholas; mas, no caso de Jobat, este preferiu apelar às suas próprias reminiscências, como comentou num artigo publicado na rubrica “9ª Arte” do jornal               O Louletano, a propósito da sua primeira obra do género, com um jornalista português chamado Luís Vilar, que gostava de agir como um detective privado em vez de ficar sentado à secretária, levando as suas reportagens até ao limite do risco pessoal e físico.

Condor Popular capa200Embora os assuntos históricos tivessem prevalecido na obra deste autor, deixando Luís Vilar num lugar secundário que não lhe permitiu romper o barreira do tempo, os dois episódios em que participou — um mais longo, com dez páginas, publicado em 1958 no Mundo de Aventuras nºs 452 a 461, e o outro, com oito páginas, inserido de forma discreta no Condor Popular nº 4, 20º volume —, mereceram um olhar mais atento de Jobat quando este, cedendo às minhas pressões (que não foram poucas), aceitou finalmente reeditá-los na citada rubrica “9ª Arte”.

Apresentamos hoje o segundo desses episódios (primeiro por ordem cronológica), que, de acordo com Jobat, foi publicado no primeiro trimestre de 1958, mas teve realização atribulada, com um intervalo de vários meses entre as primeiras e as últimas páginas.

Aliás, nesta história — que reproduzimos directamente do “velhinho” Condor Popular, com as cores originais, embora Jobat (sempre exigente em relação à qualidade) a tenha retocado por inteiro, aquando da publicação no jornal O Louletano,melhorando alguns pormenores e corrigindo defeitos de impressão —, Luís Vilar surge na pele de um detective com currículo especial, a quem a famosa Scotland Yard, ciente dos seus méritos (e dos seus métodos, filiados na escola dos “duros”, à boa maneira de Sam Spade e Lemmy Caution), encarrega de combater o crime nas ruas de Londres. Por que razão se tornou depois jornalista, é uma pergunta que ficou sem resposta…

Luis Vilar 1 et 2

Luis Vilar 3 et 4

Luis Vilar 5 et 6

Luis Vilar 7 et 8

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