COLECÇÕES DE CROMOS – 1

AS GULOSEIMAS QUE DELEITAVAM TAMBÉM O ESPÍRITO

img071Não sou um especialista nesta matéria, apenas um coleccionador curioso que se interessa por vários temas culturais e didácticos dentro do género (e há inúmeras colecções de grande qualidade e beleza que os ilustram às mil maravilhas), em particular relacionados com o cinema, o desporto (por exemplo, a tauromaquia), a literatura, a História e os quadradinhos. É provável que tenha deixado alguns de fora, mas como já disse não sou um especialista com vastos conhecimentos sobre o assunto, bem pelo contrário. Portanto, como diria Pacheco Pereira, só posso falar do que sei, do que vi, do que possuo ou do que me emprestarem.

Comecei a coleccionar cromos há muito tempo, ainda menino da primária, quando as pequenas e artísticas estampas, na maioria de tema desportivo, com as efígies de jogadores de futebol que toda a rapaziada idolatrava (tanto ou mais do que hoje!), se vendiam até nas mercearias, pois vinham nas embalagens de chocolates e pastilhas elásticas ou a embrulhar caramelos — método utilizado para promover os produtos de firmas como “A Oriental”, a “Universal”,   “A Holandesa” e Digitalizar0003“A Francesa”. Eram  fábricas de doçarias (ou confeitarias) que escolhiam os cromos como uma forma popular, lúdica e acessível de comercializar os seus produtos. E a prova é que a miudagem aderiu com entusiasmo, mais por gostar de futebol do que por gulodice, juntando todos os tostões que podia para comprar as pequenas e coloridas estampas.

Após saborear com delícia (e sem excessos) o seu conteúdo e de aumentar a colecção, era preciso descobrir o “boneco” mais difícil e mais pretendido, aquele que dava direito à caderneta onde as respectivas estampas deviam ser coladas, habilitando assim o seu feliz possuidor a aliciantes prémios (entre os quais, claro, bolas de futebol). Lembro-me de que, no afã de conseguir o maior número de cromos sem gastar dinheiro (pois as mesadas, nesses tempos, eram curtas), até se formavam equipas entre amigos e colegas da escola, que os disputavam em renhidas competições de berlindes!

Essa fórmula inteligentemente comercial, com brindes e guloseimas à mistura, durou muitos anos e esteve na origem de algumas das mais antigas e preciosas colecções de cromos que invadiram o nosso mercado. Mas, em princípio dos anos 50, surgiu uma novidade, no sentido mais literal do termo, acolhida com surpresa e curiosidade (e também com algum desconsolo, por parte dos mais gulosos!).

Digitalizar0008

Nota: as imagens das cadernetas que ilustram este primeiro artigo foram-nos amavelmente enviadas pelo nosso amigo Carlos Gonçalves, a quem agradecemos, mais uma vez, toda a colaboração que nos tem prestado.

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